Meu presente de aniversário

Semana de Tese


Semana de Tese

Depois de gastar algumas semanas de estudo e contando com a contribuição de toda nossa equipe análise, ontem lançamos a nossa principal tese para 2020.

A semana começou com tudo!

Nesse meio tempo tivemos reuniões, visitas em assets, a obra do escritório novo, planejamento do evento presencial para clientes. Nem acredito que já chegou a minha vez da semana de escrever o Nord Insights.

Para completar, ontem foi um daqueles dias históricos.

Tive a oportunidade conhecer pessoalmente o Luiz Barsi, um dois maiores investidores de ações do Brasil, com mais de 2 bilhões de reais de patrimônio.

Eu já quase não tinha dormido um dia antes e, após o encontro, passei o dia todo relembrando os detalhes de cada coisa que ele me falou durante o café de pouco mais de 30 minutos.

Todas as notícias, relatórios e cartas que li durante a semana para gerar ideias para essa news simplesmente viraram pó.

Não suficiente, hoje é meu aniversário.

Como não faço só anos de vida, mas fevereiro é também o mês que completo anos de mercado financeiro, sempre rola aquele momento de reflexão.

20.02.2020, aniversário, 15 anos de mercado e um café com o Barsi… sabe com é.

Mas enfim, eu acho que tenho algo legal para falar aqui hoje.

Lições

Nesse nosso papel de analista e, ao mesmo tempo, de educador financeiro, eu percebo que às vezes as pessoas tendem a tomar aquilo que a gente escreve ou fala como verdade absoluta.

Uma coisa é certa: o modelo de research independente da Nord, em que a única e exclusiva fonte de receita são as assinaturas das séries, sem qualquer comissão ou rebate por recomendar produtos financeiros, se alinha bastante com o melhor interesse dos nossos assinantes.

Recomendamos só aquilo que acreditamos, sem qualquer conflito de interesse. Se os assinantes estão contentes e ganhando dinheiro, temos mais assinaturas. O negócio prospera e entramos em um círculo virtuoso.

Ainda assim, há um Renato desse lado, vestido com o chapéu de empreendedor, agindo também pelos interesses da Nord e com os vieses de um investidor de bolsa que começou há mais de 15 anos, que acredita que essa é uma das melhores maneiras de construir patrimônio ao longo da vida.

A priori, você não sabe se eu realmente tive sucesso como investidor ao longo desse tempo e nem se os assinantes vêm realmente ganhando dinheiro por meio das nossas recomendações.

Sendo assim, o passo seguinte mais natural para tomar uma decisão de assinar ou não um dos nossos conteúdos é a VALIDAÇÃO.  

Há alguns caminhos para isso: pesquisar os comentários das redes sociais, referências em sites e jornais de finanças, relações com figuras importantes de mercado e sair perguntando para amigos e parentes.

Você pode também conferir o resultado da minha carteira pessoal na série Nord Fundos, por exemplo.

Para quase toda decisão importante na vida as pessoas gastam um bom tempo estudando ou pesquisando. Mas quando se trata de investimentos, eu fico chocado com a falta de validação de informações.

Quando se trata de ações então…

Basta uma dica quente de um amigo ou call de um influencer, para logo fazer uma apostinha.

Justamente onde é possível encontrar uma assimetria enorme de informações e os mais variados conflitos de interesse.

Visão 360º

"Não há ninguém que está há muito tempo no mercado que nunca foi enganado por alguém muito bom de papo".

Eu adoro essa frase. Tem sido um dos maiores mantras da minha vida como investidor nesses anos todos.

E vejo in loco como isso está presente no dia a dia dos analistas de ações da Nord.

Quando o Bruce, Ricardo e equipe estão estudando uma empresa, geralmente olham para aspectos quantitativos e qualitativos.

No processo de construção de um case de investimento, eles falam com o máximo de pessoas possível, de diferentes funções, visões e interesses do negócio.

CEO, CFO, conselheiros, diretores, gerentes, funcionários, ex-funcionários, clientes, fornecedores, investidores, ex-investidores,  auditores e outros.

Se você só procurar ouvir sobre a companhia por um cara do nível de um CEO, certamente sairá encantado com a tese.

Um olhar 360 do negócio faz com que muitas vezes, mesmo o negócio sendo bom, o analista acabe desistindo do investimento.

Eu sento ao lado do Bruce e ele passa horas no telefone falando com as empresas. Vez ou outra ele solta uma: “cara, não dá para investir nesse negócio, os caras não conseguem me explicar o porque o resultado desse TRI veio assim e assado. Não temos visibilidade, não dá cara”.

O Ricardo, com aquela sutileza de sulista de sempre, costuma soltar as melhores pérolas do escritório: “recomendarei as ações da XXXX4 o dia que o controlador vender todas as ações dele no mercado. Não dá para ser sócio de um picareta”.

A gente acabou de presenciar o caso polêmico entre IRB e Squadra, onde a gestora abriu um short nas ações por entender que os números reportados (e auditados) não refletem a realidade do negócio. Sem entrar no mérito se a auditoria merece ou não o nosso crédito, com tantas empresas na bolsa, faz parte também do trabalho do analista avaliar pelo perfil do negócio, o quão o balanço pode ser "maquiável".

Ainda me lembro de uma empresa de proteínas listada que chegou a ter a população mundial de frangos bookada no balanço. Todinho auditado, coisa de louco. Pouco depois quase quebrou.

Fundos 360º

Depois de uma visita em uma gestora de fundos, eu costumo conversar com a indústria inteira, tentando validar tudo aquilo que os principais sócios me contaram durante as horas que passamos dentro da sala de reunião.

Eu não sei o que alguns deles pensam, mas se há uma coisa nesse mundo que é antifrágil é a informação.

Vez ou outra, eu e o Luiz Felippo pegamos inconsistências entre o discurso e a realidade. E isso, para a gente, não serve.

Se recomendamos um fundo, seremos sócios do gestor por muito tempo, e prezamos pela transparência, ética e alinhamento total com os cotistas.

Dealbreaker

Para nós, algumas coisas são dealbreakers.

Talvez não sejam para outros e, por isso, perderemos oportunidades de pegar uma ou outra porrada de uma ação, alguma janela de um fundo que "porrou" e assim por diante.

O bull market aceita tudo, mas como não estamos aqui para um corrida curta, a preservação de capital nossa e dos nossos clientes sempre estará em primeiro lugar.

Há uma beleza muito grande na simplicidade das coisas. Não cometer erros estúpidos e focar no longo prazo.

A bagagem construída ao longo dos últimos 15 anos é, sem dúvida, um dos maiores valores adquiridos.

Quando a gente tem a oportunidade de passar alguns minutos com pessoas como o Barsi então…

Ontem, quando ele me contava por que um outro senhor que começou no mercado na mesma época que ele não ficou tão rico quanto, me disse o seguinte:

“Era um cara inteligente, mas a única diferença entre eu e ele é que eu poupava e comprava ações. Ele não” .

Simples assim.

Fez me lembrar outro senhor simpático e igualmente bem-sucedido nesse mercado.

“É notável quanta vantagem a longo prazo pessoas como nós obtiveram tentando não ser estúpidas de maneira consistente, em vez de tentar ser muito inteligentes"

Charlie Munger


Um abraço e até a próxima.






Em observância ao Artigo 22 da Instrução CVM nº 598/2018, a Nord Research esclarece que oferece produtos contendo recomendações de investimento pautadas por diferentes estratégias e/ou elaborados por diferentes Analistas. Dessa forma, é possível que um mesmo valor mobiliário encontre recomendações distintas em diferentes produtos por nós oferecidos. As indicações do presente Relatório de Análise, portanto, devem ser sempre consideradas no contexto da estratégia que o norteia.


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por Renato Breia
em 20/02/2020 para Nord Insights

Possui 15 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Link Corretora, Galleas Asset, Rico Corretora e foi sócio da Empiricus Research. Formou-se em economia pela PUC-SP, tem especialização em Gestão de Fortunas pela Columbia University e é Planejador Financeiro, CFP®.

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