Mercado, Dólar e a Minicrise em VVAR3

Com os dois feriados muito próximos um do outro, com várias notícias negativas no front econômico e político no Brasil.


Minuto do mercado  


Com os dois feriados muito próximos um do outro, com várias notícias negativas no front econômico e político no Brasil e com o mercado lá fora se comportando de maneira mais tensa nos últimos dias…


Período ingrato para o pessoal que vive do trade e não desgruda do olho da tela.


Se você, por acaso, ficou meio desligado assim como eu nesses dias – aproveitando as emendas dos feriados –, quando voltou viu a carteira oscilar dentro da normalidade.


Cair 2 e poucos por cento em uma semana é praticamente nada para quem investe em bolsa com visão de longo prazo.


Mas parece que ninguém está muito interessado se a recente queda ofereceu um bom momento para aumentar posições.


Tendo batido sua máxima histórica a R$ 4,21, o dólar virou o centro das notícias por aqui.


Por consequência, funcionando quase que como um termômetro de mercado, as caixas de e-mail dos analistas da Nord lotaram com a pergunta: "para onde vai o dólar?".

My two cents


Não tem frase mais perfeita do que: "é difícil fazer previsões, especialmente sobre o futuro", de Niels Bohr, para resumir o que eu acho sobre o dólar.


Primeiro, porque eu não entendo absolutamente nada a respeito de moedas.


Quando eu falo com gestores dos maiores fundos multimercado do Brasil, eles mesmos confessam que é um mercado bastante difícil de operar.


Quando vemos o impacto das posições em moedas no histórico de performance dos multimercado, na maioria, faz pouca diferença e não apresenta grande consistência.


Ainda que o Brasil esteja em uma  trajetória de melhora das condições macroeconômicas, não é só uma questão de dólar contra real, mas de dólar contra o resto mundo.


Sinto que as pessoas gastam mais tempo preocupadas em comprar a passagem das férias no melhor momento do dólar, do que em estudar o produto oferecido pela corretora, com o gestor do fundo que acabou de investir ou a aquela ação que acha que está barata.


Ainda assim, vou deixar my two cents.


Que valem pouco, é verdade, porque não tenho posição nesse trade, não há skin in the game.


Mas a maioria dos gestores que eu converso acredita que o dólar é daí para baixo. Apesar de muitos acharem que não oferece uma assimetria tão convidativa (muito para ganhar, pouco para perder).


Se vier para 3,80 tem 10 por cento na mesa.


Se vier para 3,50, o tal câmbio de equilíbrio, teria 20 por cento.


Título: O câmbio atual distante da taxa de câmbio de equilíbrio


Sinceramente, acho que dá para gastar o tempo com coisa melhor, mais barata e com assimetria positiva como bolsa.

Os 4 dias de crise

Na terça-feira da semana passada eu participei de um café da manhã com gestores de ações, promovido pelo BTG.


Entre os vários insights valiosíssimos apresentados pelos participantes, um deles me chamou a atenção.


Florian Bartunek, gestor da Constellation, asset que tem como sócio nada mais, nada menos que Jorge Paulo Lemann, deu a seguinte explicação para a plateia:


"Geralmente, a crise de um investidor dura 4 dias. Essas minicrises, sabe? Não algo estrutural. Então, lá na Constellation nós temos prazos de resgate maiores do que a média do mercado. 60 dias. A gente acaba captando menos por isso, mas alinha o cara com longo prazo. Como a cota de fechamento é só daqui 60 dias e ele não consegue prever o que vai acontecer com as ações daqui até lá, ele não vende no desespero".


Pode parecer que não há nenhuma lição para quem já investe em fundos há algum tempo. Mas imaginei se isso poderia ser implementado para melhorar a postura de quem investe em ações diretamente.


Imagina que durante uma minicrise, dessas que fazem o papel desabar com alguma notícia, você se auto-impusesse a regra de vender suas ações pelo preço de daqui 5, 10, 20 ou 60 dias.


Você venderia mesmo assim?


Parece um exercício bobo, mas no dia seguinte a essa apresentação, na quarta-feira, Via Varejo (VVAR3) despencou 9 por cento, com notícias de fraude contábil feita pela última administração.


Nesse instante, eu perdia mais de 20 mil reais sobre as minhas 40.900 ações.


Apesar de uma notícia grave, ela precisava da devida diligência. Eu tinha consciência de que isso poderia levar algum tempo até que a equipe do Ricardo do Nord Small Caps pudesse analisar. Algumas horas ou mesmo alguns dias.


Enquanto o mercado entrava em pânico na minicrise, o Ricardo alertou os assinantes por WhatsApp:



A história não repete, mas rima. Fala aí Florian...


No dia seguinte, o papel foi para 7,60, acima dos 7,10 do dia do anúncio.



No Brasil, todo dia tem uma notícia bomba, uma fraude ou treta política.


No longo prazo, o que move o preço das ações é o lucro das empresas.


Está mais do que provado.


Ibovespa vs. Lucro dos últimos 12 meses


Imagina um país em que a bolsa sobe com os lucros das empresas e cai com notícias políticas?


Bem-vindos ao melhor dos mundos para investir em bolsa.


Um abraço.


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por Renato Breia
em 21/11/2019 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Link Corretora, Galleas Asset, Rico Corretora e foi sócio da Empiricus Research. Formou-se economista pela PUC-SP, tem especialização em Gestão de Fortunas pela Columbia University e é Planejador Financeiro, CFP®.

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