O que achamos de Alpargatas

Conheça a estratégia de transformação e expansão internacional da Alpargatas – dona das famosas Havaianas.

Patrimônio nacional (ou internacional?)

É praticamente impossível encontrar alguém no Brasil que nunca teve uma sandália Havaianas.

Mas você conhece a Alpargatas (ALPA4), empresa por trás de uma das marcas mais famosas do nosso país?

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Além das famosas sandálias, a empresa ainda tem em seu portfólio a poderosa marca Osklen.

Alpargatas também possui a licença para produção local da marca japonesa Mizuno.

Mesmo com todo sucesso, a companhia não está satisfeita e já definiu seu próximo objetivo: "tentar dominar o mundo".

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Ou melhor: dominar as 6 regiões identificadas como as de maior potencial, suas Big Bets (grandes apostas): Brasil, EUA, Europa, China, Índia e Colômbia.

Hoje, a empresa acredita que a antiga ambição de dominar o mundo todo, não era a estratégia adequada – faltava foco.

No momento, apenas a marca Havaianas será objeto de internacionalização.

Osklen cresceu desordenadamente e poucas sinergias com o resto do negócio foram capturadas.


Sob nova direção

O atual CEO, Roberto Funari – com experiência em gestão de marcas globais,  assumiu a presidência da companhia no início deste ano, mas mesmo antes de sua chegada, uma revolução já estava em curso.

A holding Itaúsa (ITSA4) entrou na Alpargatas no fim de 2017, adquirindo o controle da companhia, que antes pertencia à holding J&F, dos irmão Wesley e Joesley Batista.

Desde então, ITSA vem adquirindo lotes de ações da companhia no mercado e aumentando sua participação.

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ALPA4. Fonte: Bloomberg.

Ajudando a puxar as ações para cima, que já dobraram de valor desde a conclusão da venda.


A revolução

Logo após a transação inicial, uma transformação profunda teve início dentro da Alpargatas. Em 2018, a empresa passou por um choque de cultura e de governança.

Nova composição de conselho e 9 novos diretores chegaram com objetivo de reestruturar por completo a companhia. Posicionamento, custos, despesas, investimentos, tudo foi repensado.

Os primeiros resultados já começaram a aparecer nos balanços da companhia neste ano:

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Resultado consolidado do 2T19. Fonte: Alpargatas

Mesmo com seu mercado de atuação estagnado, a ALPA vem ganhando share de sua principal concorrente no Brasil, a Grendene (GRND) – dona de Ipanema e Raider.

A companhia vem buscando se aproximar de seus clientes, fomentando as vendas vias canais diretos: franquias, e-commerce, distribuidor próprio e em especializados calçadistas.

Mas os distribuidores indiretos (que compram para revender para outros estabelecimentos diversos), ainda correspondem pelo maior volume de vendas.

ALPA monitora seus projetos de perto, com acompanhamento semanal, direto do CFO da companhia. O que dá agilidade e dinamismo a tomada de decisões.

Resumindo o plano da empresa para os próximos 5 anos:

  • Nos próximos 2 anos, a empresa quer focar em aumentar sua eficiência e construir uma presença multicanal, com priorização no online. Estabelecendo um posicionamento de lifestyle e atingindo um maior sell out (vendas para clientes finais).
  • Posteriormente, também com as operações internacionais testadas e estruturadas, vem a fase de expansão acelerada, dando ênfase ao que deu certo, ganhos de escala, inovação e segmentação do portfólio, para então, rentabilizar cada vez mais a companhia.

Mas e os riscos?

O grande desafio da empresa em seu projeto de expansão internacional será replicar em outros mercados as vantagens competitivas que tem por aqui: marca e distribuição.

EUA, China e Índia, ainda não estão correspondendo às expectativas.

O marketing desempenhará um papel fundamental no sucesso da jornada. Alinhar, porém, a estratégia de posicionamento global com as peças de conteúdo adequadas para cada região não é uma tarefa simples.

Assim como, encontrar os melhores operadores das lojas e distribuidores (geralmente exclusivos) ao redor do globo, é uma tarefa complexa, onde erros custam muito caro.

Mas o maior risco de todos, é que ao pagar os 53x lucros e 25x Ebitda atuais, você está assumindo que tudo isto já deu excepcionalmente certo.

Apesar do bom trabalho que a gestão vem realizando, o Investidor de Valor não fica confortável em pagar múltiplos tão esticados, com tamanha incerteza pela frente.

Grande parte do plano de expansão se resume a um intenção de atuar nos mercados focados, e depende de um processo de tentativa e erro para que respostas concretas sejam obtidas.

Ficamos na torcida pelo sucesso da companhia, mas preferimos não pegar esse voo internacional com a passagem nesse preço.

Se um dia o mercado nos presentar com uma promoção irresistível, pode ser que embarcaremos nesse voo.


Abraço,

Rafael Ragazi.



Em observância ao Artigo 22 da Instrução CVM nº 598/2018, a Nord Research esclarece que oferece produtos contendo recomendações de investimento pautadas por diferentes estratégias e/ou elaborados por diferentes Analistas. Dessa forma, é possível que um mesmo valor mobiliário encontre recomendações distintas em diferentes produtos por nós oferecidos. As indicações do presente Relatório de Análise, portanto, devem ser sempre consideradas no contexto da estratégia que o norteia.


[a]Imagem com as Marcas de ALPA: Havaianas, Osklen e Mizuno

[b]Imagem do desenho animado Pink e Cérebro, combinando de dominar o mundo.

[c]Gráfico com o retorno de ALPA desde a entrada de Itaúsa: 110 por cento até agora.

[d]Receita líquida +12 por cento. Ebitda Recorrente + 39 por cento. Lucro Líquido Recorrente + 278 por cento

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por Rafael Ragazi
em 30/09/2019 para Nord Insights

Iniciou sua carreira como Analista na Investor Consulting Partners (assessoria especializada em M&A e finanças corporativas).Posteriormente, foi Gerente de Novos Negócios na Wise Up|Somos Educação (enquanto investida da Tarpon Investimentos) e Sócio responsável pela área comercial e membro do comitê de investimentos da Luminus Capital Management.

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