Longo prazo inalterado?

É inegável que a utilização dos escritórios ao redor dos principais centros comerciais reduziu ao longo dos últimos meses.

Temos, nesse caso, dois motivos que justificam isso: i) a adoção mais intensa do sistema de home office em razão das políticas de isolamento social e ii) a crise gerada pela pandemia, que resultou em demissões e menor necessidade de espaços físicos por parte das empresas.

Essa é, de fato, a nossa realidade de curto prazo. E podemos seguir assim por mais algum tempo. No entanto, será que o mais correto é perpetuar essa situação toda?

Será que o home office veio para ficar de vez? Alguns dizem que sim. Mas eu sou um pouco cético com relação a isso.

Se de um lado entendo que o trabalho remoto será, sim, mais frequente, de outro vejo que a adoção irrestrita do home office não se sustenta indefinidamente em função da falta de estrutura adequada para o trabalho em casa de uma parcela considerável da população.

Além disso, o mundo pós-pandemia provavelmente trará a necessidade de revisão da configuração vigente dos escritórios, aumentando o distanciamento entre pessoas e os espaços destinados para as refeições dos colaboradores.

Para se ter uma ideia, a relação colaborador/m² nos escritórios brasileiros (tomando o eixo Rio-SP como referência) chega a ser maior do que se vê em Manhattan – uma das metragens mais caras do mundo.

Será necessário menor adensamento para voltar e, não por acaso, vemos algumas empresas contratando mais área para seus escritórios.

No longo prazo nada muda. Estamos com os olhos voltados para uma tese desse segmento no Nord Small Caps, que ainda demonstra baixa recuperação frente às mínimas que conquistamos lá em março.

Um abraço.


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por Guilherme Tiglia
em 29/10/2020 para Nord Insights

Engenheiro de Produção pelo Instituto Mauá de Tecnologia e pós-graduando em Finanças pelo Insper, iniciou sua carreira no Itaú-Unibanco em 2016. Integrou também as equipes da Quasar Asset Management e da Quatá Investimentos, atuando com análise de crédito corporativo e performance empresarial. Ingressou na Nord Research em julho de 2019, como parte da equipe do Nord Dividendos.

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