IRBR: A culpa é de quem?

A edição de hoje do Valor traz uma interessante reportagem/entrevista com Antonio Cassio dos Santos, presidente do Conselho de Administração e CEO Interino do IRB (IRBR3). Nas palavras do executivo, a instituição poderia não ter sobrevivido às fraudes promovidas pela administração anterior caso uma guinada não fosse promovida a tempo.


(Ou seja, muito obrigado, Squadra)


A matéria é leitura obrigatória, à medida que o próprio chairman/CEO diz, com todas as letras, que investigações internas conduziram à conclusão de que os antigos administradores manipularam a lista de acionistas  para fazer lá constar a Berkshire, naquele triste episódio  e os balanços da resseguradora, escondendo montantes substanciais de sinistros.


E continua: confessa que os controles internos do IRB são bons e que as inconsistências eram passíveis de ser encontradas mediante consulta a eles.


Por que leitura obrigatória?


Porque se as manipulações eram tão facilmente detectáveis, se estavam facilmente disponíveis nos controles internos, então fica claro que ninguém estava atento a tais controles…


...porque evidencia que diversos mecanismos de governança, dentre os quais aqueles relacionados à auditoria interna, estavam dormindono ponto.


É confissão formal.


Há um aspecto dessa história toda de IRB que eu acho digno de muita atenção: muito embora tenha sido responsável pela nomeação de executivos, pela elaboração de políticas de remuneração que possam ter contribuído para a má conduta deles, dentre outras, os membros do Conselho de Administração posam, diante do ocorrido, como vítimas.


De que servem Conselho de Administração, Conselho Fiscal, Comitê de Auditoria et caterva?


Esses são questionamentos que, na minha opinião, os acionistas de IRB, à época, têm a obrigação de fazer agora. Nos Estados Unidos, já teria uma longa fila de escritórios de advocacia propondo class actions visando a indenização dos investidores lesados.


O instituto da class action não existe no Brasil, mas isso não significa que não há alternativas para quem queira buscar reparações sobre prejuízos financeiros sofridos.


O mercado não é futebol de várzea.


Na semana passada, eu participei de uma live no YouTube da Nord falando exatamente sobre isso. Recomendo fortemente que os interessados em reparação assistam. O link está aqui.


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por Ricardo Schweitzer
em 21/09/2020 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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