IPO da Priner: Vale a pena entrar?

A Priner pertencia à Mills (MILS3), até o ano de 2013,  quando através de uma cisão foi comprada pelo fundo de investimento Leblon Equities.

Sobre a Priner

A Priner pertencia à Mills (MILS3), até o ano de 2013,  quando através de uma cisão foi comprada pelo fundo de investimento Leblon Equities.


Até então, a Priner prestava serviços de engenharia industrial para grandes empresas do setor de  Óleo e Gás, Petroquímico e Papel e Celulose, por meio do fornecimento de equipamentos e mão de obra para montagem de estruturas  principalmente andaimes, plataformas de trabalho suspensas e sistemas de redes tensionadas.


Em janeiro de 2017, a empresa visando aumentar a oferta de produtos complementares aos já oferecidos, adquiriu 51 por cento da ReR, que é líder no Brasil em isolamentos térmicos.


Imagine a tubulação de gás em sua residência, que vai do aquecedor até o chuveiro. Ela provavelmente tem alguns metros. Ao percorrer todo o caminho, a água pode esfriar um pouco. O isolamento  que pode ser feito de mantas de fibra cerâmica ou outros materiais  serve justamente para evitar que a perda de calor seja muito grande.


No exemplo acima, a necessidade de isolamento pode parecer irrelevante. Mas, para grandes indústrias, esse tipo de produto faz toda diferença.


Ainda em 2017, a Priner comprou 75 por cento da Smartcoat, uma empresa focada em pintura industrial e tratamento de superfícies. Esse tipo de serviço é importante para empresas que, por exemplo, possuem plataformas no mar, por conta da corrosão do material.


Hoje, 58 por cento das receitas da empresa vêm de clientes onshore, enquanto 42 por cento vêm do offshore.


Fonte: Priner


Os números


Considerando o período de  2015 a 2018, a empresa cresceu seu faturamento em 91 por cento, uma média anual de 24 por cento  enquanto o PIB industrial teve queda de 16 por cento no acumulado. Ponto positivo para a Priner, que conseguiu expandir seus negócios mesmo sob ambiente desafiador.


Estimamos que em 2019 a empresa apresente um faturamento próximo de 350 milhões de reais, crescimento de 7 por cento em relação ao ano anterior.


Segundo a Priner, o baixo investimento no setor de infraestrutura, durante os últimos anos, gerou uma demanda reprimida, que deve ser destravada pela recuperação econômica.  


Assim, a retomada de investimentos em plantas industriais, bem como na área de Óleo e Gás, deve abrir novas oportunidades de negócio para a companhia.


Em 2018, o setor de Óleo e Gás representou 42 por cento das receitas da empresa; a indústria petroquímica 34 por cento e os setores de Química, Papel e Celulose e “Outros” foram responsáveis por 24 por cento do faturamento.


Houve uma certa redução nas margens da empresa no ano de 2017, por conta de contratos poucos vantajosos, que já foram encerrados. Desta maneira, espera-se que elas mostrem recuperação já a partir deste ano, retornando aos patamares históricos.  



A Oferta


O intervalo indicativo de preço da oferta vai de 10 reais a 13 reais, sendo o ponto médio 11,5 reais. A empresa pretende emitir o montante aproximado de de 17.4 milhões de novas ações.


Sem considerar os lotes incrementais, levando em conta o preço de 11,50 reais por ação, o IPO movimentará cerca de 200 milhões de reais, que serão destinados ao caixa da empresa.


Todavia, caso a demanda pelas ações da empresa supere a quantidade inicial ofertada, fazendo com que os lotes adicionais e suplementares sejam colocados no mercado, o Acionista controlador  Leblon Equities  venderá parte de sua participação.


A companhia pretende destinar 73 milhões de reais para aquisição de máquinas e equipamentos; 36 milhões de reais para reforço da estrutura de capital e 73 milhões de reais para aquisição dos 25 por cento restantes da Smartcoat e 49 por cento da ReR, assim ambas as empresas serão totalmente detidas pela Priner.


O mercado de Varejo terá assegurado o mínimo de 10 por cento do valor da oferta, podendo chegar a 40 por cento  a critério do Coordenador Líder.


A oferta de ações da Priner conta com a peculiar característica de lock-up período no qual os investidores não poderão negociar suas ações na bolsa. São no total 4 modalidades:


(i) investidores Private, que aderirem ao lock-up, não poderão negociar as ações por 90 dias;


(ii) investidores de Varejo Nível 1, que aderirem ao lock-up, não poderão negociar as ações por 70 dias;


(iii) Investidores de Varejo Nível 2, que aderirem ao lock-up, não poderão negociar as ações por 50 dias;


(iv)  Investidores Sem Alocação Prioritária.



Na hora de efetuar a reserva, os investidores de varejo devem comunicar a corretora se querem pertencer ao Nível 1, Nível 2, ou Sem Alocação Prioritária,


Vale notar que, de acordo com o nível escolhido, haverá prioridade entre os investidores.


Investidores de Varejo que se comprometerem a respeitar o lock-up de Varejo 1 terão prioridade de alocação sobre os Investidores Varejo 2, e sobre Investidores Sem Alocação Prioritária.


Ou seja, quanto maior o tempo de comprometimento a não negociar as ações, maior a probabilidade de conseguir participar da oferta, ou ao menos ter um rateio menor.


Valuation


Optei por fazer um exercício olhando para os múltiplos de Priner em relação a empresa mais próxima de “comparação” na bolsa  Mills (MILS3).


Considerando o preço médio da faixa sugerida para a ação  11,50 reais  chegamos a um múltiplo EV/EBITDA para a Priner perto de 11,5x  considerando crescimento de receita em torno de 10 por cento e uma margem EBITDA de 7 por cento, em 2020. Hoje, Mills negocia em torno de 25x  mais do que o dobro.


Não considero um múltiplo EV/EBITDA de 11,5x extremamente barato e vejo que o valor atribuído, pelo mercado, à Mills embute um crescimento muito difícil de ser atingido em 2020, ou seja, o múltiplo de MILS3 está “esticado”.


Considerando que a Priner possui bom histórico de execução e que a retomada econômica deve realmente destravar investimentos importantes nos setores em que a companhia presta serviços, creio na possibilidade de a companhia surpreender positivamente o mercado durante o ano de 2020.


Caso a oferta seja precificada no topo da faixa indicativa, o múltiplo EV/EBITDA seria em torno de 13x, o que ainda considero confortável.


Desta maneira, recomendo que você entre na oferta, aderindo à alocação Nível 1 — restrição para venda de 70 dias — mas não pague mais do que o preço teto 13 reais.



Vale destacar os possíveis fatores de risco que podem afetar o preço da empresa na bolsa, pós-oferta: (i) lentidão da recuperação econômica; (ii) problemas internos da empresa que possam levar a não execução do planejamento estratégico previsto para os próximos anos; (iii) eventuais surpresas acerca dos números da empresa.


A quem interessar, o período de reserva se estende de 30/01 a 04/02.


Enquanto isso, minha conta no Instagram (@crivelli.cesar) segue disponível para conversarmos mais sobre investimentos.


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por Cesar Crivelli
em 30/01/2020 para Nord Insights

Iniciou sua carreira na área de análise de uma corretora independente e posteriormente integrou a equipe de Equity Research do Citibank, tesouraria da GM no Brasil e trabalhou em uma startp-up em Boston por dois anos, onde era responsável por M&A e expansão em novos negócios.

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