Interpretando os resultados de uma empresa

É importante compreender qual foi a variação nos resultados da empresa que você investe, mas entender o que levou a essa variação é essencial

Os resultados que mais importam

Nesse fim de semana, além de conhecer os resultados das eleições municipais, os brasileiros também conheceram os últimos resultados divulgados pelas empresas na temporada de resultados do 3T20.

A divulgação do resultado trimestral é sem dúvidas um dos momentos mais relevantes para o investidor, já que, por meio dela, é possível conhecer melhor a empresa que investe, como também analisar se a sua estratégia está indo na direção adequada.

Receita +X por cento, Ebitda +X por cento e lucro +X por cento.

Esse é o formato comumente utilizado para resumir a evolução de resultados de uma empresa.

A comparação geralmente é feita com o mesmo trimestre do ano passado, uma vez que os indicadores fundamentalistas utilizam, em sua maioria, dados dos últimos 12 meses. Saem os números do 3T19 e entram os números do 3T20 nas equações.

Em alguns casos específicos, a comparação também pode ser feita em relação ao último trimestre. Neste momento, em que nos recuperamos dos efeitos da pandemia na economia, faz bastante sentido analisar a evolução trimestral. Muitas empresas até apresentaram a evolução mensal de suas linhas mais importantes de resultados.

De qualquer maneira, o fato é que a simples frase com o crescimento das 3 principais linhas da demonstração de resultados de uma empresa nos dá uma quantidade enorme de informações sobre o desempenho dessa empresa no período.


Alavancagem operacional

A evolução da receita é por onde tudo começa. Aqui, não tem muito segredo: queremos saber se a empresa teve uma receita maior ou menor em relação ao período anterior.

O mais importante é compreender a dinâmica da evolução da receita, uma vez que esta é uma combinação da variação nos volumes/vendas e nos preços praticados.

Ao observar a diferença entre a variação da receita e a variação do Ebitda, é possível saber se a operação de uma empresa foi mais ou menos rentável. Se o Ebitda cresce mais que a receita, as margens aumentaram e vice-versa.

Nesse caso, dois fatores vão justificar o ganho ou perda de rentabilidade: os custos e as despesas.

Os custos tendem a ter um comportamento mais variável e caminhar na mesma direção da receita, pois, quanto maiores as vendas, maiores os custos.

Mas nem sempre os preços de venda dos produtos ou serviços de uma empresa variam na mesma intensidade dos custos das matérias-primas ou da mão de obra.

Além disso, a empresa também pode apresentar um ganho ou perda de produtividade em seus processos operacionais.

Já as despesas tendem a ser menos relacionadas com a receita, uma vez que a estrutura administrativa de uma empresa não precisa variar muito para uma empresa vender 15 por cento a mais ou a menos.

Não obstante ainda existe um componente variável nas despesas por conta de gastos comerciais com logística, marketing ou até a com a remuneração variável dos executivos, por exemplo.

O fato é que, ao comparar a variação da receita e a variação do Ebitda, conseguimos conhecer o grau de alavancagem operacional da empresa.

Como uma parcela dos gastos (custos e despesas) é fixa, normalmente uma variação na receita leva a uma variação – no mesmo sentido, mas ainda maior – no Ebitda.

Na verdade, o número correto para analisar o grau de alavancagem operacional de uma empresa é o Ebit (lucro operacional), que também deduz os gastos com a depreciação e amortização dos ativos da empresa.

Mas como esses são lançamentos apenas contábeis (não afetam a geração de caixa da empresa, a não ser pelo benefício fiscal da redução da base de cálculo do imposto), o mercado costuma olhar Ebitda como uma forma de proxy da geração de caixa operacional, e esse indicador acabou se tornando mais popular no Brasil.


Alavancagem Financeira

Após chegarmos no lucro operacional, ainda precisamos subtrair os impostos e o resultado financeiro para chegar no lucro.

Os impostos correntes costumam ter uma alíquota que não varia muito entre um período e outro, mas os diferidos, que levam em consideração as diferenças temporais entre o lucro tributável e o contábil, assim como compensações de prejuízos acumulados ou créditos tributários, podem sofrer grandes variações.

Mas no longo prazo estes descasamentos temporais acabam sendo mitigados pelo tempo. Então, entre o lucro operacional e o lucro líquido, a linha mais importante a se analisar é a do resultado financeiro.

O montante de dívidas que uma empresa tem sua estrutura de capital é o que define seu grau de alavancagem financeira: quanto mais dívidas, maior a alavancagem financeira.

Como uma empresa tende a captar dívidas quando o retorno obtido em sua operação é maior do que o custo da dívida, a variação no lucro líquido tende a ser ainda maior do que a variação do lucro operacional.

Isso ocorre porque os juros, lançados como despesa financeira, não têm nenhuma relação com o desempenho operacional. Todo retorno gerado por um investimento feito a partir de um endividamento e que supera o custo da dívida se converte em criação de valor (mais lucros) para o acionista.

Entretanto, com uma alavancagem financeira maior, o risco da empresa é maior. Os juros também continuam sendo devidos mesmo se os resultados obtidos na operação forem piores que o esperado.

Inclusive, é assim que empresas quebram – quando se alavancam demais e depois não conseguem gerar caixa suficiente para pagar sua dívida.


Entenda os porquês, não apenas o quanto

Espero que, após ler este texto, muito mais venha à sua mente na próxima vez que for ler o famoso “receita +x por cento, Ebitda +x por cento e lucro +x por cento”.

É importante compreender qual foi a variação nos resultados da empresa que você investe, mas entender o que levou a essa variação é essencial.

Mas não se preocupe! Você não precisa abrir longos releases de resultado com mais de 30 páginas e participar de teleconferências de resultados para entender como foi o desempenho de suas empresas no trimestre; deixe que nós façamos isso por você aqui na Nord!

Nosso trabalho é descomplicar o mundo dos investimentos, filtrar o que acontece de mais importante com as empresas e te entregar uma informação relevante de maneira simplificada.

Assim, você pode ficar tranquilo com os seus investimentos, sem ter que gastar metade do seu dia para acompanhar tudo que está acontecendo no mercado.

Por fim, quero aproveitar para fazer um convite especial a todos os nossos assinantes:

Live para assinantes Nord 10x. Dia 18/11, às 19h. Com: Francisco Silveira, Gerente de RI; Rafael Ragazi, Analista Nord Research e Thiago Rocha, CFO e Diretor de RI.

Na quarta-feira, às 19h, vou fazer uma Live exclusiva com os executivos da Sinqia (SQIA3), empresa que fez seu IPO em 2013 e desde então já se valorizou quase +700 por cento.

Se você quer entender o que levou a empresa a se valorizar tanto e quais são as perspectivas de crescimento para o futuro dessa companhia, não deixe de acompanhar!


Um abraço,


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por Rafael Ragazi
em 16/11/2020 para Nord Insights

Iniciou sua carreira como Analista na Investor Consulting Partners (assessoria especializada em M&A e finanças corporativas).Posteriormente, foi Gerente de Novos Negócios na Wise Up|Somos Educação (enquanto investida da Tarpon Investimentos) e Sócio responsável pela área comercial e membro do comitê de investimentos da Luminus Capital Management.

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