Inspire, expire, não pire

Inspire, expire, não pire

Mercados respiram aliviados, com discurso mais moderado de Trump: Ásia teve sessões mais tranquilas e Europa atravessa o dia com índices majoritariamente no campo positivo.

Nova York e São Paulo começam o dia com futuros apontando para alta – e que assim permanecerão, se depender da torcida geral da nação.

 

Escala em Curitiba

O motivo do suspiro de alívio é o aparente retrocesso de Trump na retórica beligerante quanto à Síria: depois de dizer com todas as letras que os mísseis estavam a caminho, o topetudo voltou a público para afirmar que não era bem assim.

Os mísseis podem chegar amanhã ou daqui a um ano – ao que tudo indica, a ideia é fazer Washington-Damasco via Correios brasileiros, com a tradicional escala em Curitiba.

Volatilidade é para cima e para baixo: à mesma medida que as inconsistências do discurso de Trump pesam sobre o mercado em momentos de maior tensão, favorecem-no também nos dias de bazófia.

 

Marolinha?

Chamou a atenção o descolamento da bolsa brasileira na sessão de ontem: o mundo sob intensa tensão e o Ibovespão velho de guerra no campo positivo.

Explicam, dentre outros, petróleo – ontem o WTI bateu a máxima desde dezembro de 2015 – e bancos, possivelmente na rabeira das novas regras do cheque especial.

A eventuais desavisados, ficou a vontadinha de pensar que somos ilha; que um eventual agravamento do cenário externo representaria, aqui, nada mais que uma marolinha. Não caia nessa (de novo, a depender de quão calejado de mercado você já estiver).

 

Sinal versus ruído

Diante de momentos de incerteza, sempre vem a vontade de simplesmente sair do jogo – ou, pelo menos, deixar a arapuca armada para o caso de o caldo entornar.

Crucificai-nos se assim quiserdes: não gostamos de stop loss. O medo de perder pode levá-lo a deixar de ganhar – e muito -, e a volatilidade é amiga de quem dela faz bom uso.

No Investidor de Valor dessa semana, Bruce Barbosa demonstra quanto dinheiro você pode deixar na mesa quanto se deixa guiar meramente pelos ruídos nos preços de mercado.

 

 

Mão fraca

Uma das consequências mais nefastas de um prolongado bull market é que uma parcela substancial do mercado se vê forçado a rever estimativas para cima para continuar encontrando upside onde não necessariamente há. É a completa inversão do jogo: o preço justifica o valuation ao invés de o valuation justificar o preço.

É o triunfo do analista mão fraca, que não acredita nos próprios números. Aí vem uma chacoalhada na roseira e põe tudo de volta no lugar.

Levantamento do Citigroup demonstra que, pela primeira vez desde setembro, o número de revisões para baixo nas estimativas de mercado de lucros para empresas americanas superou as revisões para cima.

Sinal importante às vésperas da temporada de resultados do 1T18.

 



Em observância à ICVM 483, declaro que as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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por Ricardo Schweitzer
em 12/04/2018 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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