Impacto subestimado

O susto nos mercados financeiros mundo afora durou pouco.


O susto nos mercados financeiros mundo afora durou pouco.

Parece que não dar atenção ao surto — ou melhor, epidemia — do Coronavírus na China é o mais sensato a se fazer neste momento. Já passou...

Será mesmo?

A China hoje é a segunda maior economia do mundo, com um PIB em torno de 14 trilhões de dólares, enquanto os Estados Unidos — líder do ranking — possui um PIB perto de 20 trilhões de dólares. Não creio que a China seja tão irrelevante no mundo, dado seu tamanho.

A expectativa oficial sobre uma possível estabilização da contaminação é para março. Ou seja, temos praticamente dois meses de restrições locais, implementadas em várias cidades relevantes daquele país, na tentativa de conter o alastramento do vírus.

Tais restrições, sejam públicas ou privadas – pessoas aconselhadas a não sair de casa, espaços públicos fechados, suspensão de atividades fabris, lojas e shopping centers vazios, restaurantes sem clientes, eventos e congressos de grande porte cancelados, suspensão de milhares de voos com destino à China, e a lista continua... — estão sendo aplicadas em cidades populosas e importantes para a economia da nação.

Apesar da calmaria no mercado financeiro — os índices americanos, por exemplo, já recuperaram boa parte da queda desde que a situação começou a efetivamente piorar —, é difícil acreditar que não haverá um respingo dessa momentânea “paralisação” chinesa em outros países.

Como pode a segunda maior economia do planeta passar por um momento delicado, que necessariamente vai afetar a atividade econômica do país, não ter impacto algum no resto do mundo? Inclusive no Brasil, que tem importante exposição à economia chinesa, direta e indiretamente.

Apesar de algumas instituições financeiras terem reduzido a previsão de crescimento do gigante vermelho, minha impressão é de que, novamente, o mercado está otimista demais em relação às prováveis consequências econômicas do lado de lá.

Surgem notícias de que possíveis tratamentos para o coronavírus devem aparecer no curtíssimo prazo. Mas o estrago já feito não será recuperado.

E os preços parecem ignorar isto completamente.


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por Cesar Crivelli
em 05/02/2020 para Nord Insights

Iniciou sua carreira na área de análise de uma corretora independente e posteriormente integrou a equipe de Equity Research do Citibank, tesouraria da GM no Brasil e trabalhou em uma startp-up em Boston por dois anos, onde era responsável por M&A e expansão em novos negócios.

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