Growth Investing e o poder dos juros compostos

O que você prefere?

Hoje, vamos começar diferente. Antes de mais nada, gostaria que você respondesse à seguinte pergunta:


Se você pudesse optar entre 1 milhão de reais agora ou uma moeda de 1 centavo que dobra todo dia por 1 mês, qual você escolheria?


Não pegue a calculadora, mas pense intuitivamente. Pensou? Agora, vamos ver qual deles vale mais a pena.


Na primeira semana, seu 1 centavo já teria se tornado 1,28 real. Já na seguinte, finalizaria com 163,84 reais. Na terceira, você teria acumulado 20,971 mil reais.


Ainda parece longe, não é mesmo? Parece que escolher o jogo do “1 centavo” foi algo meio idiota a se fazer, afinal, como que, em 10 dias, 20 mil se tornarão mais de 1 milhão de reais?


Mas não é. Ao final do dia 27, você estaria com 1,342 milhão de reais e, no trigésimo dia, 10,737 milhões de reais.


Gráfico mostra a evolução da Estratégia do 1 centavo vs 1 milhão ao longo de 30 dias. A partir do vigésimo sétimo dia, a Estratégia do 1 centavo já ultrapassa 1 milhão.

[Fonte: Nord Research]



São 10,7 vezes mais dinheiro do que escolher 1 milhão hoje. Esse é o poder dos juros compostos. Não é à toa que Einstein teria dito, supostamente, que essa é a 8ª maravilha do mundo.


Além disso, olhe novamente para o gráfico. Ali, fica claro que a diferença foi feita naqueles últimos 4 dias finais que você retirou quase todo o valor.


O mesmo vale para a Bolsa. A pessoa que comprou em 2014 e segurou Magazine Luiza por 3 anos pode ter achado ótimo ter conquistado 1100 por cento de ganho, mas quem segurou até hoje multiplicou o capital por 120x.


As diferenças são desproporcionais, principalmente em empresas de alto crescimento. Para estas, você precisa mudar um pouco a sua maneira de pensar.

O dueto: crescimento e juros compostos


Esta semana estava lendo uma carta de uma gestora americana focada em empresas de Growth, com décadas de experiência no mercado.


No texto, o autor começa fazendo exatamente o mesmo experimento acima.


A partir daí, diz que os erros que mais custaram dinheiro para o Fundo foram relacionados às decisões de venda de Ações cedo demais.


As razões são as de sempre: situações macroeconômicas, políticas e, em alguns casos, até mesmo o próprio Valuation (o que me surpreendeu).


Essa última parte até dá um gelo na espinha, uma vez que sempre fomos instruídos a comprar empresas baratas e carregar  o famoso adquirir 1 real a preço de 60 centavos.


O que ele argumenta é que esse não é o único jeito de se ganhar dinheiro. Diz que, quando você encontra companhias com largas vantagens competitivas, com uma boa gestão e que crescem muito rapidamente, você paga 1 real hoje por algo que amanhã poderá valer 1,20; 1,50... ou, quem sabe, 10 reais.


No momento posterior a ler isso, confesso que acendeu uma luz na minha cabeça: não é a primeira vez que escuto isso. De fato, não foi mesmo.


Em tempos pré-pandemia, quando íamos frequentemente à cidade maravilhosa, certa vez tive a oportunidade de sentar frente a frente com o Guilherme Aché da Squadra.


Nessa conversa, ele disse: se você der sorte na vida de encontrar 4 ou 5 empresas compounders, agarre-se a elas. Provavelmente ele não usou as mesmas palavras, mas a ideia era essa.


Tudo isso vai na mesma linha. Encontrar companhias com esse perfil é um evento raro e, nesses casos, a sua ânsia por vender rapidamente será seu maior algoz.


De fato, a magia dos juros compostos não ocorre se você vender a posição a cada subida de preço.


Assim como para esses gestores, o que te separa de desfrutar dos ganhos astronômicos de longo prazo, como sempre, é o newsflow, seu apego ao agora e sua impaciência.


Esqueça o ruído


São bem claros os benefícios de longo prazo de ter boas empresas no portfólio. Já discutimos isso exaustivamente nas newsletters ao longo dos últimos 2 anos de Nord.


O maior problema é carregá-las até lá. Vivemos em um país instável, onde todo dia parece que nossos políticos em Brasília ameaçam afundar o país.


Por aqui, não faltam tentações para vender. Todo dia que você abrir o jornal ou assistir ao noticiário político e econômico, encontrará pelo menos umas 20 razões diferentes para querer abandonar tudo.


Nada disso significa que você nunca venderá uma Ação. Esqueça essa ideia de “buy and f#%$-se”. Não é isso que estamos dizendo aqui.


Os motivos pelos quais você vende uma empresa precisam estar relacionados a mudanças no negócio ou em seu setor. Darei alguns exemplos:


Perda de vantagem competitiva: a economia é dinâmica e até mesmo os melhores negócios podem ter suas vantagens competitivas colocadas em xeque.  


Para continuarem crescendo, eles precisam se reinventar ou vão ver seusmoatsserem corroídos com o tempo, e pagarão o preço por isso veja o que aconteceu com as Ações de Cielo.


Gráfico mostra o Preço das Ações versus Lucro das Ações de Cielo, de 2009 a 2020 (houve uma queda expressiva a partir de 2018 em diante).

[Fonte: Bloomberg]



Baixo crescimento: nesse tipo de companhia, os retornos estão ligados diretamente à capacidade da empresa de ter crescimento acima da média.


Se esse ritmo reduzir drasticamente, seus retornos também serão impactados ou até mesmo crucificados. O caso que me vem à mente é Ambev, empresa cujos resultados cresceram 20 por cento ao ano por décadas, porém, nos últimos 4 anos, a realidade tem sido outra.



Gráfico mostra o Preço das Ações versus Lucro das Ações de Ambev. Fase 1: crescimento de lucros: 19% a.a.
Retorno anualizado da Ação: 25% a.a.
Fase 2: crescimento de lucros: -8,06% a.a.
Retorno anualizado da Ação: -5,01% a.a.

[Fonte: Bloomberg]


Alternativamente, você pode vender simplesmente porque encontrou um negócio cuja taxa de crescimento é muito maior  só tome cuidado, pois conhecer as companhias leva tempo, então trocar o “certo” pelo duvidoso pode ser um problema.


Seja qual for o motivo, olhe para as empresas, esqueça o ruído. Esse será o seu mapa guia.

Escolha bem os seus cavalos


Empresas de crescimento como Magazine Luiza, Amazon, Google, Facebook atraem multidões pelos resultados extraordinários conquistados hoje e a performance de suas Ações.


É necessário muito estudo para entender cada modelo de negócio, a real solidez das vantagens competitivas, as avenidas de crescimento e a capacidade daquela gestão de entregar resultados.


Ao analisar empresas de qualquer tipo, esses fatores são importantes. Mais especificamente, em empresas desse tipo, essa avaliação se torna crucial. Afinal de contas, vale lembrar que são companhias que já negociam a múltiplos mais altos na Bolsa.


Como eu disse, o jogo aqui não é pagar 60 centavos esperando que valham 1 real. Você paga 1 real na expectativa de que isso valerá 1,50; 2; 5 ou 10 reais no futuro.


Então, meu caro, não é algo trivial de ser feito e também não acho que será para todo mundo investir. Se você for se questionar com qualquer 10 por cento de oscilação das Ações, meu amigo, esse caminho não é para você.


Além disso, não é uma estratégia para colocar 100 por cento do seu dinheiro. Comece com pouco, vá testando esse método e se sentindo confortável com ele.


Para aqueles que têm estômago e querem se expor a empresas de mais alto crescimento, sugiro dar uma conferida na nossa nova série Nord 10X,comandada pelo meu sócio Rafael Ragazi.


Esse mineiro que, desde que desembarcou na Nord, vem insistindo em querer levar para nossos assinantes essa estratégia vencedora, que ele estuda e a aplica em seus investimentos pessoais há muitos anos. Fica aqui a minha admiração por seu trabalho incansável, por aguentar o Bruce e pela sua capacidade de analisar empresas.


Finalmente ele conseguiu seu espaço (parabéns, meu caro!), tenho certeza que trará muito sucesso para aqueles que seguirem essa nova série.


Não deixe de conferir.


Abraços,


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por Luiz Felippo
em 24/10/2020 para Nord Insights

Iniciou sua carreira num projeto de renda fixa do Insper com o BTG Pactual. Posteriormente atuou na área de pesquisa econômica internacional do Itaú Asset Management e foi analista de Renda Fixa da Empiricus Research. Formou-se Economista no Insper.

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