Frenesi

Frenesi

Desnecessário dizer que o mercado tinha um grito preso na garganta, que enfim deve ser solto na abertura de hoje: Ibovespa futuro aponta para generosa alta.

Não somos ilha: contribui para o movimento a melhora de percepção de risco lá fora, com China e EUA assumindo tom mais conciliador em meio à trade war.

Devemos ter pela frente algum frenesi: da mesma forma que insisti para que você não se deixasse contaminar demais pelo medo, resista também à euforia excessiva.

 

Todos os outros riscos

Afinal de contas, o afastamento de um fator de risco não elimina os tantos outros que rondam as empresas – e são justamente essas diversas fontes de risco que Bruce Barbosa explora na edição desta semana de O Investidor de Valor.

Boa leitura para não se deixar levar pura e simplesmente pelos preços das ações subindo e caindo, e cair na tentação de julgar que isso é termômetro para tudo. Não é – a bem da verdade, via de regra quando chega no preço já foi.

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Fim da história? Definitivamente não.

Prevaleceu o bom senso. Permitamo-nos uma breve comemoração.

Pronto. E agora? Sabendo o que não vai acontecer, voltamo-nos mais uma vez – ou, talvez, enfim como tema central – ao que pode acontecer no futuro próximo.

Afinal de contas, nossa história não se encerra com a prisão do capo: os dias continuarão raiando e muita água há de passar por debaixo de nossa ponte – muito provavelmente superfaturada pelo Mecanismo.

Será que podemos, finalmente, nos concentrar em outubro de 2018. Afinal de contas, é naquele certame – e não no STF – que será escolhido o governo que dará forma aos próximos quatro anos da saga tupiniquim – e problemas para resolver não faltam.

Quiçá Lula fora do baralho ajude a afastar alguns dos piores cenários possíveis. Isto não significa que estamos automaticamente destinados a um futuro cor-de-rosa.

 

Nem tchum

Em meio à beligerância entre Washington e Pequim, o mercado viu com bons olhos as declarações de emissários das partes: ainda há espaço para sentar, conversar e tentar construir uma melhor saída.

Em meio a essa barafunda toda, caiu para o plano de fundo a divulgação de criação de postos de trabalho da ADP: as 241 mil vagas criadas em março superaram a previsão em 20 por cento, sinalizando que o mercado de trabalho gringo vai bem, obrigado.

Olho para o dado lado-a-lado com os últimos números de inflação, que vieram bem-comportados. Os EUA estão crescendo mais, gerando mais empregos e a inflação nem tchum. Bom para as pessoas e bom para as empresas.

Ainda que sempre haja alguém buscando espaço para revisar para cima estimativas de lucro do S&P, contudo, segue difícil de acreditar que não haja, nos níveis atuais, mais a perder do que a ganhar. Mas que bom: pelo menos não é dali que virá uma realização.



Ricardo Schweitzer, CNPI

Em observância à ICVM 483, declaro que as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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por Ricardo Schweitzer
em 05/04/2018 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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