Fórmula 1

Alguns meses atrás, na caça por um presente de dia dos pais para o meu velho, deparei-me com uma réplica de uma das McLaren que Ayrton Senna teria usado.


Obviamente não era em tamanho original, afinal esses carros possuem algo em torno de 4 metros de comprimento. Essa era mais modesta, tinha algo como 1,4 metro.


Réplica em tamanho reduzido da McLaren de Ayrton Senna.


Meu pai sempre foi aficionado por Fórmula 1. Desde que me conheço por gente, ele parava algumas horas para assistir às corridas.


Era o presente perfeito e, ainda que minha conta bancária não tenha gostado muito da ideia, acabei comprando para ele. Mas apesar de estarmos próximos do Natal, não estou aqui para falar de presentes.


Não sou o maior entendedor de Fórmula 1, mas me parece ser um esporte no qual há uma grande dependência em relação aos pilotos e às equipes que fazem parte dele.


A época de ouro da McLaren segue sendo de 1984 a 1993, quando Ayrton Senna e Alain Prost venceram a maior quantidade de títulos. Após essa fase, perderam o protagonismo para outras companhias como a Ferrari.


Voltaram a ter algum sucesso com Hamilton, mas nunca mais voltaram a ter o sucesso que tinham antes.


Se fosse apostar em uma, dado que os carros seguem cada vez mais parecidos, procuraria aquela com o melhor conjunto entre equipe e piloto. Ficaria monitorando de perto isso, pois uma mudança nesse dueto poderia alterar tudo dali em diante.


Acho que você também faria isso. Porém, quando se trata dos Fundos de Investimento, nada disso ocorre…


A dança das cadeiras


Para nós, que acompanhamos a indústria de Fundos de perto, a fase atual se mostra bastante inusitada.


Os juros baixos estão proporcionando um momento novo para essa indústria, com uma nova safra de gestoras nascendo todos os dias. Até setembro deste ano, já foram 80 novas gestoras cadastradas.


Depois de terem esgotado os nomes de pássaros, peixes e simbologias indígenas, estou curioso para saber como serão batizadas as próximas.


Brincadeiras à parte, não é o nascimento de novas gestoras que me espanta. Já vimos isso acontecer outras vezes.


O que me assusta é a dança das cadeiras que tem acontecido. Temos visto um mercado cada vez mais aquecido, com gestores saindo de seus Fundos iniciais para entrar em outras estruturas.


Legacy e Ace vieram do Santander. O Itaú hedge Plus, um dos melhores resultados do ano, perdeu boa parte do time quando a equipe foi montar a Genoa.


Nas gestoras independentes também já vemos algumas mudanças. As disputas por profissionais vão seguir fortes nesse setor, intensificando-se cada vez mais – principalmente com o mercado engatando uma marcha mais positiva.


Assim como na Fórmula 1, essas alterações também vão afetar os resultados das gestoras olhando para frente. Não sabemos ainda se será positivo ou negativo, mas tradicionalmente essas mudanças custaram caro aos cotistas que permaneceram.


Então tome cuidado. Assim como um investidor de Ações está sempre de olho nas mudanças estruturais das companhias, nós, que depositamos nosso capital em Fundos, precisamos estar atentos às movimentações nas estruturas das gestoras.


Esse é o nosso foco e deveria ser o seu também.


Faz toda a diferença


Se você acompanha a Nord há algum tempo, já deve ter percebido que sempre recomendamos investir com foco a longo prazo.


Não importa qual seja o investimento, esse é o viés. A menor janela de tempo que olho para um Fundo Multimercado é de três anos. Na parte de Ações, de cinco anos em diante.


Esse é um tempo adequado para começarmos a ver as escolhas feitas pela gestão ao longo do tempo se transformando em resultado.


Agora, se no meio do caminho tivermos mudanças relevantes na gestão, precisamos reavaliar tudo novamente.


Imagine o seguinte cenário: toda a gestão sai para montar a sua própria gestora ou, porventura, transfere os cuidados do Fundo a um outro grupo terceiro. Qual é o nível de informação que o belíssimo histórico de resultados lhe traz?


Vou lhe dizer: N-E-N-H-U-M!


Seria o mesmo que, mesmo após a saída do Ayrton Senna, a McLaren tivesse o mesmo ciclo de vitórias. Não teve, nem poderia.


Ayrton Senna e Alain Prost.



A realidade é que, a partir daquele momento, por mais que estivéssemos na mesma bandeira, começava uma nova etapa que teria outras características.


O mesmo vale para os Fundos. O Safra Galileo, que já citei, é um bom exemplo disso. Após a mudança de gestão, os retornos pioraram substancialmente. Se a indústria seguir nessa dança das cadeiras, teremos novos exemplos.


Então, de novo, tome cuidado. O seu patrimônio é muito importante para ser alocado em gestores sem o mínimo de estudo.


Conheça a fundo


Essa ideia de “BUY andFOD#%#" nunca funcionou. Serve para fazer vídeo bonito no YouTube com casos específicos, mas não é regra geral. Incorre no mesmo erro do viés de seleção que comentei na semana passada.


É algo que não vale para as Ações – como demonstrou brilhantemente meu sócio Ricardo neste vídeo. Também não serve para os Fundos.


A premissa básica do sucesso de se investir a longo prazo não é comprar e esquecer, mas ficar com aquele investimento enquanto os fundamentos pelos quais você o adquiriu ainda imperam e o preço não reflita isso.


Isso pode durar 1 ano ou uma década. O ponto importante é estar sempre avaliando se houve alguma alteração estrutural na tese.  Se ela ocorrer, você precisa, sim, estar preparado para fazer alterações.


Eu diria que, em Fundos, a maior ameaça ao seu patrimônio é a nova rodada de competição com a entrada de novos Fundos e essa dança das cadeiras.


Muitos vieram para o mercado, mas poucos sobreviveram. Tente procurar gestores de Ações com histórico de 10 anos e verá o que estou lhe dizendo.


No Nord Fundos, nós fazemos exatamente este trabalho: monitorar toda a indústria e encontrar as melhores oportunidades.


E, claro, estamos sempre atentos às mudanças e prontos para agir caso elas sejam materiais. Esse é o nosso dever.


Abraços,


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por Luiz Felippo
em 08/11/2020 para Nord Insights

Iniciou sua carreira num projeto de renda fixa do Insper com o BTG Pactual. Posteriormente atuou na área de pesquisa econômica internacional do Itaú Asset Management e foi analista de Renda Fixa da Empiricus Research. Formou-se Economista no Insper.

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