Final feliz

Semana tensa caminha para terminar positiva

De volta ao otimismo

Caminhamos para o final de uma semana tumultuada. E é um final feliz.


Vivemos momentos de tensão. E a tensão, contrariando expectativas, se dissipou; deu lugar, mais uma vez, à sensação de que tudo está indo bem.


Com apostas de que um conflito entre EUA e Irã não escalaria, investidores voltaram seu foco novamente às expectativas de um acordo entre Washington e Pequim. Bolsas americanas renovaram máximas na sessão de ontem — e caminham, nesta sexta-feira, para um início de negócios em alta, à espera de dados americanos de emprego.


Por aqui, vamos de arrasto e futuro local aponta para alta. Amém.



Promessas, promessas


Em Terra Brasilis, produção industrial segue patinando — é a sensação que deixa o dado divulgado ontem. O dado é o epílogo de um ano ainda conturbado em termos de atividade econômica real.


Às vezes olhamos para a Bolsa e temos a sensação de que todos os nossos problemas estão resolvidos. Não estão: mas a expectativa de resolução, essa sim, está sendo dia após dia incorporada aos preços.


Importante ter em mente que é preciso, em breve, começar a entregar mais. Entrega. Resultado.


Nem só de promessa se vive.



Meta cumprida: desconversemos


Lembro-me bem que, até bem pouco tempo atrás, havia certa pressão sobre a equipe econômica com relação à velocidade da queda da taxa de juros. Isso chegou, inclusive, a se traduzir em expectativas de reduções adicionais por parte de algumas vozes respeitáveis do mercado.


Acho que pouca gente, poucos meses atrás, esperaria que 2019 se encerraria com IPCA praticamente na meta de 4,25 por cento. Pois é.


A pergunta é: darão o braço a torcer?


Dificilmente. E não é por mal: bater no peito e dizer “eu estava errado” não é ato bem visto na Faria Lima. A turma simplesmente desconversa.



Céu cinzento


Confiança é algo que leva a vida inteira para se conquistar, mas que se põe a perder em questão de minutos.


O que dirá, então, quando expectativas são sistematicamente frustradas.


Cielo (CIEL3) já foi uma das queridinhas da Bolsa. Mas, em meio a mudanças estruturais de seu mercado de atuação e intenso acirramento da concorrência, viveu um 2019 para esquecer.


A confiança do mercado na sua capacidade de reinvenção, a essas alturas, não é das maiores.


Em um momento assim, o pessimismo de opiniões críveis sobrepenaliza a ação.


Foi o que se viu ontem: na opinião de um ex-executivo da empresa, que trabalha agora para um de seus acionistas controladores, a situação da empresa ainda piora antes de começar a melhorar.


É um caso notadamente difícil. Mas para o qual, respeitosamente, seguimos com opinião diferente.


É o tipo de assimetria para a qual olhamos no Nord Deep Value, série voltada a turnarounds, fusões e aquisições e outras situações de estresse que assolam as Companhias.


Tem que ter estômago? Tem sim. Mas, a depender do seu perfil, pode fazer sentido.


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por Ricardo Schweitzer
em 10/01/2020 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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