Em ritmo de festa

Foi um excelente começo de ano em Wall Street, apesar de um grande barulho político e dados econômicos fracos

Esqueça o passado e foque no futuro

Apesar de todos os desafios do ano passado, o mercado financeiro teve, em 2020, um ano de glória, por assim dizer.

Após uma forte queda de quase -35 por cento no começo do ano, os preços das ações nos Estados Unidos engataram uma recuperação digna de Hollywood. No período, o índice Nasdaq subiu +47 por cento,  S&P500 avançou +16 por cento e o Dow Jones míseros 7 por cento.

Em um ano no qual milhões de pequenos negócios fecharam ao redor do planeta e as importantes potências mundiais tiveram suas economias quase despedaçadas, sendo que ainda estão combalidas, eu me atrevo a dizer que o resultado apurado no mercado acionário foi excelente.

Não há mais espaço para notícias ruins ou mesmo que expressem a simples realidade dos fatos. O atual está fora de moda, devemos mesmo é focar no futuro.

Nas próximas semanas, ganhará força a safra de resultados do 4T20 nos Estados Unidos, com centenas das maiores Companhias do mundo revelando os números do último trimestre do ano.

Eu poderia me atrever a falar que a média dos analistas de Wall Street espera um trimestre ainda negativo, com o lucro médio das empresas que compõem o S&P500 recuando -12 por cento e as vendas caindo -6 por cento, na comparação com o 4T19, mas isso seria notícia velha, o foco está em 2021.

À medida que entramos em 2021, as comparações dos resultados ficam mais favoráveis, visto que a base de comparação – o ano de 2020 – está mais fraca. Os analistas esperam que, neste ano, os lucros das empresas excedam os patamares recordes observados em 2019 (quando não tivemos crise).

Entretanto, esse movimento deve acontecer mais intensamente no segundo semestre deste ano, após a  vacinação de milhões de pessoas nos Estados Unidos e bilhões ao redor do mudo. Na média, a expectativa é de uma alta de perto de 30 por cento nos lucros das empresas que compõem o índice.

Resta sabermos como um crescimento de alta magnitude será conquistado enquanto 10 milhões de pessoas ainda estão procurando emprego.

Bom, talvez o novo presidente possa ajudar.


Joe biden, o cara!

Essa foi uma semana muito intensa nos Estados Unidos. Há muito tempo a mídia não dava tanta atenção para um único assunto: a invasão do Capitólio.

Na tarde de quarta-feira, os apoiadores radicais de Donald Trump se atreveram a invadir o Capitólio enquanto ocorria a certificação da vitória de Joe Biden como presidente, fato que gerou a necessidade de evacuar o vice-presidente Mike Pence do local. Em vista disso, a certificação acabou sendo realizada na madrugada seguinte.

Goste Trump ou não, Joe Biden será o próximo presidente dos Estados Unidos. A incitação de seus apoiadores a atos como o que vimos na quarta-feira gerou um grande problema para Trump a ser administrado nos poucos dias que lhe restam no governo –  a permanência no cargo.

Há uma comoção entre os políticos para que o presidente renuncie ou passe por um processo de impeachment. Isso não deve dar em nada mesmo, visto que falta muito pouco para Trump sair da Casa Branca, mas o barulho foi grande.  

Alguns jornais reportaram, durante a semana, que o atual presidente poderia conceder a si mesmo, bem como para sua esposa e filhos, um perdão oficial antecipado. Que ideia genial, né? Só que não, Mr. Trump! As coisas não funcionam assim ou, ao menos, não deveriam. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

Voltando para o presidente eleito, Joe Biden, além de ter ganhado munição contra o seu inimigo ou, pelo menos, contra o partido dele, um outro importante fato vindo do estado da Georgia garantirá condições favoráveis para o seu governo.

Durante essa semana, a Geórgia passou pelo processo de eleição para os dois assentos no Senado que lhe cabem direito. A mídia no país já dava conta que a briga entre os candidatos dos Democratas (partido de Joe Biden) e Republicanos (partido de Donald Trump) estava acirrada, o que se comprovou verdadeiro após a contagem total dos votos.

No fim, os dois assentos foram para o partido de Biden, o que lhe garante um total de 50 assentos no Senado dos Estados Unidos. Já os Republicanos, seus adversários, também possuem 50 assentos.

A princípio parece estranho, visto que determinadas votações poderiam acabar em empate, o que não favorece em nada Joe Biden, pois ele teria que negociar com os Republicanos a aprovação de matérias importantes.

Mas as coisas lá são um pouco diferentes. Quando há empate na votação, cabe ao vice-presidente o “Voto de Minerva”. Por conta dessa característica do sistema americano, Biden provavelmente contará com uma vice-presidente ativa no Senado.

Como o partido de Joe Biden já possui a maioria dos assentos da  Câmara, agora de fato o presidente tem os superpoderes necessários para colocar seu plano de recuperação econômica e social em prática.

Se as promessas forem cumpridas, alguns trilhões de dólares devem ser despejados na economia do país entre este ano e o próximo. Se não me falha a memória, o plano de governo de Biden falava em algo próximo a 7 trilhões de dólares a serem gastos nos próximos dez anos, mas com boa parte sendo empenhada agora no início do governo, dada a urgência em recuperar a economia do país.

Talvez seja daí que Wall Street espera um crescimento de lucros das empresas perto de 30 por cento.


“O cara” com problemas para resolver

De fato, Joe vai receber um país cuja situação é delicada no curto prazo, dada a crise instalada por lá e no mundo inteiro ao longo do ano passado.

As ideias do presidente terão de ser boas, afinal, o desafio é grande. Uma delas é aumentar o cheque de 600 dólares, que está sendo enviado nesta semana para milhões de americanos, para 2 mil dólares. Uma vez que o governo concede um cheque para seus cidadãos, o que gera um débito na sua  conta bancária, ele precisa receber dinheiro para quitar esse número.

Normalmente o dinheiro é proveniente das pessoas e empresas que estão localizadas naquele país. À medida que a economia cresce, as empresas e cidadãos pagam mais impostos, e a conta bancária do governo consegue sustentar o gasto com esses cheques de 600 dólares.

Mas as coisas por lá não andam aquela maravilha, e o governo está recebendo menos dinheiro na verdade. Visto isso, para deixar a conta bancária no azul, ele tem que arrumar essa grana que falta em algum lugar, ou seja, pegar emprestado de alguém, o que aumenta a sua dívida. A manutenção dessa dinâmica, no longo prazo, pode ser um pouco desastrosa, pois a dívida do país aumentaria muito.

Outra opção seria aumentar as alíquotas de impostos, algo que Biden defendeu veementemente durante a sua campanha. Foi quando ainda era candidato que Biden ventilou a ideia de aumentar os impostos das empresas de 21 por cento – patamar atual – para algo ao redor de 28 por cento. Além disso, o presidente eleito tem a ideia de introduzir a taxação sobre grandes fortunas no país. Para aqueles que ganham mais de 400 mil dólares por mês, o imposto sobre a renda chegaria a 39,6 por cento, contra os 37 por cento que vigoram atualmente.

A estimativa do mercado é de que essas medidas poderiam gerar nos próximos anos um aumento de arrecadação de 2 trilhões de dólares, o que é uma soma considerável.

Mesmo assim, se Biden deseja aumentar os gastos atuais em 7 trilhões, ainda falta depositar na conta do governo algo perto dos 5 trilhões (de acordo com a matemática básica)…


Um ano de desafios

Tenho esperança de que 2021 será um ano muito melhor para todos ao redor do planeta. Muitos países já estão vacinando seus cidadãos e será questão de tempo para que o pior efetivamente fique para trás.

Talvez este seja outro ano de grandes desafios no mercado financeiro, em razão do nível de preços dos principais índices acionários ao redor do mundo e da comprimida margem de segurança para novos investimentos.

Além disso, este será um ano de grandes decisões ao redor do mundo, o que poderá gerar algum ruído nos mercados.

Acho que a palavra que poderá definir muito bem o ano que temos pela frente é seletividade. Será muito importante saber em quais empresas você pode investir de forma segura, mesmo no caso de um evento inesperado acontecer com o mercado.

Esta é justamente a proposta do Nord Global: oferecer opções de investimentos em empresas sólidas, negociadas nos mercados acionários dos Estados Unidos.

Na edição que foi publicada essa semana, prestamos contas aos nossos assinantes sobre os resultados obtidos no ano passado.

Apesar de ainda jovem, com pouco mais de cinco meses de vida, o Nord Global apresentou um retorno 9 pontos percentuais acima do S&P500 desde seu início até o final do ano passado.

Redobramos nossa atenção para 2021 e já fizemos algumas alterações em nossa carteira neste começo de ano.

Quer saber quais os investimentos no exterior que consideramos positivos no longo prazo?

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Até a próxima semana!


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por Cesar Crivelli
em 09/01/2021 para Nord Insights

Bacharel em Administração de Empresas pela PUC-SP, possui MBA pela FGV e MSF pela Hult International Business School. Integrou a equipe de Equity Research do Citibank e tesouraria da General Motors (GM) no Brasil. Posteriormente, atuou nas frentes de M&A e novos negócios da Xeros Cleaning Technologies (XTG), nos Estados Unidos. Ingressou na Nord Research em outubro de 2019, como parte do time do Nord Small Caps, e hoje é responsável pelo Nord Global.

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