Em qual time você quer estar: dos vencedores ou perdedores?

Benefícios

Certa vez, quando era mais novo, vi uma matéria que dizia que alguns empreendedores de sucesso não haviam completado o ensino superior.


Entre eles, há nomes de peso como Mark Zuckerberg, Steve Jobs e Bill Gates.


Mark Zuckerberg, Steve Jobs e Bill Gates.


Achei genial aquilo. Estavam ali, na minha frente, três exemplos de pessoas muito bem-sucedidas que sequer possuem ensino superior.


Para um desavisado, a conclusão poderia ser óbvia: faculdade não é necessária para ser bilionário.


Ao fazer isso, você estaria incorrendo em um erro clássico de olhar para uma amostra de poucos casos raros e extrapolar isso para o restante da amostra, como se isso refletisse a realidade.


A verdade é que, para cada caso de sucesso no trio, existem centenas de milhares de outros nos quais a realidade é completamente diferente.


Ou seja: estaticamente, a probabilidade de ser bem-sucedido sem ensino superior é muito mais baixa do que inicialmente se leva a crer.


Afinal de contas, os indivíduos que falharam no meio do caminho não concedem entrevistas a revistas famosas.


Esse é um exemplo claro do chamado viés da sobrevivência. Este é um dos maiores cuidados quando vamos lidar com qualquer estatística.


Na indústria de Fundos não é diferente e precisamos tomar o mesmo cuidado.


A história é escrita pelos vencedores


Quem me acompanha neste espaço semanalmente sabe do meu amor pelos Fundos de Investimento.


Investir em Fundos tem enormes benefícios – equipes experientes, baixos mínimos de aplicação, processos robustos de seleção e monitoramento de ativos –, mas vou focar no que mais interessa a todos: os resultados.


Isso fica claro quando olhamos os agregados de Fundos. Se analisarmos o IQT, um índice de gestão ativa de Ações, os Fundos vêm superando o Ibovespa de forma consistente desde 1997:



Fonte: Quantum

Fonte: Quantum


É uma verdadeira surra no Ibovespa, não há discussão nenhuma sobre isso. O mesmo poderia ser dito sobre os multimercados sem a menor sombra de dúvidas.


Agora, como eu disse, os dados às vezes podem te levar a conclusões um pouco precipitadas e até erradas. Isso acontece        por um motivo simples: você está observando somente um universo restrito, já filtrado pelas gestoras que venceram.


Os mortos em combate não são computados. Pelas minhas contas, algo como 60 por cento dos multimercados e 30 por cento dos Fundos de Ações deixaram de existir nos últimos 10 anos e fecharam com resultados abaixo do Ibovespa.


Na indústria de Fundos, são os vencedores que (re)escrevem a História, e você não quer estar no outro time.


Isso quer dizer que investir nessa classe é furada? Obviamente não, quer dizer somente que não será apostando em qualquer cavalo que você terá sucesso. Os que vencem os testes trazidos pelos mercados ao longo dos anos conseguem gerar resultados excelentes a longo prazo.


O que vai definir se você terá um final feliz ou triste é a forma de separar o joio do trigo.

Uma eterna contradição


Certa vez, entre uma propaganda de um curso de daytrade e uma fórmula mágica de ficar rico rápido, apareceu para mim um vídeo do Peter Lynch, um dos maiores gestores de fundo americano e a paixão do meu sócio – Rafael Ragazi.


Entre vários assuntos, ele fazia indagações sobre a maneira como as pessoas selecionam os seus investimentos vis-à-vis a outras compras que fazemos.


Não lembro o exemplo dado, mas o recado era o seguinte:


Ao escolher uma viagem, fazemos todo tipo de pesquisa. Procuramos os voos mais baratos, os hotéis com melhores relações de custos e benefícios, as rotas mais eficientes para passar em todas as cidades desejadas…


Gif do cantor Thiaguinho, com aspecto de quem está refletindo. Há animações de várias equações matemáticas em torno dele, como se ele estivesse fazendo cálculos mentalmente.


Enfim, há uma série de questões para definirmos o roteiro perfeito. Já na hora de investir, pegamos todas as economias de uma vida e escolhemos os investimentos baseados em uma dica de um desconhecido qualquer.


Isso não faz nenhum sentido, e eu não poderia discordar mais dessa escolha aleatória.


Investir em Fundos dessa forma aumenta drasticamente as chances de você, ao longo do tempo, depositar suas fichas em uma gestora que cairá na pilha dos que não sobreviveram ao duro teste do tempo.

Fuja do viés


A questão é: qual a forma de fugir desse viés? Estudando-o à exaustão!


Estude sobre quem é o gestor, de qual time faz parte hoje, os níveis de risco assumidos. Entenda a estratégia da casa e os níveis da alavancagem (se existirem) para que você não entre em furadas.


Analise seus resultados de longo prazo, bem como as janelas móveis de retorno. Estude sempre e esteja atento a mudanças internas na casa (saída de sócios relevantes, por exemplo).


Ao mesmo tempo, não deixe de olhar os mortos. Entenda o que houve com eles, quais foram os seus erros e porque fracassaram. Isso lhe ajudará a fugir das gestoras que cometem esses mesmos erros ainda hoje.


Esse é o trabalho, e ninguém disse que seria fácil. Mas é o necessário para investir seu patrimônio de maneira adequada.


No Nord Fundos, nós fazemos exatamente essa análise. Avaliamos cada centímetro das gestoras, entendendo o que faz delas dignas de estarem (ou não) dentro da lista de vencedoras de longo prazo.


Porque, para que estejam, os resultados de longo prazo devem ser extraordinários.


Um abraço,


Luiz


Compartilhar este artigo
por Luiz Felippo
em 01/11/2020 para Nord Insights

Iniciou sua carreira num projeto de renda fixa do Insper com o BTG Pactual. Posteriormente atuou na área de pesquisa econômica internacional do Itaú Asset Management e foi analista de Renda Fixa da Empiricus Research. Formou-se Economista no Insper.

Receba nosso conteúdo GRATUITO!