Em caso de emergência, não quebre o vidro

Não se deixe levar pelos ruídos do curto prazo.

Aperte os cintos

Vai ser uma sexta-feira daquelas - e não, não me refiro ao pessoal sextando depois do expediente. A roda punk começa cedo, já na abertura do pregão.

Ibovespa Futuro abriu em forte queda, repercutindo principalmente a decisão de Petrobras (PETR4) de não reajustar o diesel - cheiro de ingerência no ar - e a investigação, promovida pela PGR, de supostos recursos da Odebrecht recebidos por Rodrigo Maia - prefiro nem dizer do que é o cheiro aqui…

Se o sentimento dos últimos dias já não era exatamente os melhores, o que dirá com um noticiário desses? Vem ruído pela frente, e é ruído dos grandes.

Lá fora, a despeito de renovadas preocupações com a trade war - sim, ainda! -, o dia é predominantemente azul.

Hoje o game é local, puramente local. Aperte os cintos.



Reafirma mesmo?

O comunicado da empresa é lacônico:


“A Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobras informa que, em consonância com sua estratégia para os reajustes dos preços do diesel, divulgada em 26/03/19, revisitou sua posição de hedge e avaliou, ao longo do dia, com o fechamento do mercado, que há margem para espaçar mais alguns dias o reajuste no diesel.


Os ADRs da empresa lá na gringa acusaram o golpe imediatamente. Na imprensa local, repercute a narrativa de que o reajuste foi “segurado” pelo Planalto.


Eis, contudo, que o comunicado continua:


“A empresa reafirma a manutenção do alinhamento com o Preço Paridade Internacional (PPI).”


Ninguém quer nem ouvir falar em ingerência em Petro. Nem ouvir falar. A disposição em pagar para ver se a empresa realmente reafirma a política de preços não é para muitos.


Eu, sinceramente, pagaria.

Bolinha em apuros

Para entornar o caldo ainda mais, vem a notícia de que Maia é alvo de investigação da PGR. Supostamente o Bolinha também recebeu dinheiro do Clubinho da Odebrecht.

Aqui o mercado faz uma daquelas leituras mais tortas possíveis: imbróglios envolvendo o Presidente da Câmara podem obstaculizar a aprovação da Reforma da Previdência.

Oras: quer dizer que, em nome da Reforma - que sim, é muito necessária -, tem que deixar a bandalheira rolar solta? Pois bem: foi justamente essa mentalidade que nos trouxe até aqui.

Vai ter choro e ranger de dentes - não tenha dúvidas. Mas não perca de vista que a aprovação desta ou de qualquer outra iniciativa no Legislativo demanda muito além disso.

Mas insisto: vai ter choro e ranger de dentes, sim.


Questão de psicologia

Parece que adivinhamos: ontem estávamos Renato e eu fazendo mais uma live no YouTube da Nord. O tema não podia ser mais propício: Como ganhar em qualquer cenário?

Se você não assistiu, confira aqui o replay.

Insistimos que sim, você precisa comprar bons ativos - sejam barganhas da bolsa com as que o Bruce caça n’O Investidor de Valor; boas pagadoras de dividendos como as que figuram no rol do Nord Dividendos; ou ainda aportar em excelentes fundos indicados pelo Nord Wealth -, mas que há um requisito ainda maior.

Quem ganha mais no longo prazo? Quem escolhe os melhores ativos mas não tem sangue frio para segurá-los enquanto o mercado chacoalha ao bel prazer das notícias… ou quem compra BOVA - ou algum outro enlatado - e nunca mais acompanha?

Pode apostar que o segundo acaba indo melhor. Porque são muitas Petros, Maias, Joesleys, Trumps, Bolsonaros, Dilmas ao longo do caminho para testar se sua mão é forte ou fraca.

Tudo começa com a batalha dentro da sua cabeça.


Aguente firme aí.

Em observância à ICVM 598, declaro que as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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por Ricardo Schweitzer
em 12/04/2019 para Nord Insights

Possui 12 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se economista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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