Em briga de elefante, quem se machuca é a grama

Washington desagrada Pequim (de novo)

Lenha na fogueira

Nova York retorna do feriado em tom de cautela, digerindo o apoio de Trump às manifestações em Hong Kong — gesto que, ao desagradar Pequim, pode colocar mais lenha na fogueira nas relações entre os dois gigantes. Futuros nos EUA apontam para queda.


E como em briga de elefante quem se machuca é a grama, o resto do mundo sente ecos da maior aversão a risco. Madrugada foi de perdas relevantes no front asiático e, nesta manhã, são de perdas nas sessões na maioria das praças europeias.


A tendência por aqui não há de ser diferente. Atenção, somente, a potenciais puxetas de final de mês — não se deixe enganar por elas.

Não existe almoço grátis (nem parcelado sem juros)

Fico imaginando como foi, na cabeça da equipe econômica que está aí, limitar os juros do cheque especial a apenas (ha ha) 8 por cento mensais. De um lado, a matriz confessamente liberal de seus integrantes; de outro, uma abordagem pragmática da realidade que lhes permite compreender que nem sempre o mercado funciona como deveria funcionar.


Há um enorme mérito, penso eu, nessa capacidade de ir para além do purismo do mundo das ideias e reconhecer que a situação concreta pode, a depender do ponto de partida que representa, exigir soluções que não cabem no receituário ideal.


A Febraban não gostou — e isso, penso eu, é um ótimo sinal.


Sinais, agora, de que querem mexer nas compras parceladas no cartão de crédito. A leitura —  correta, na minha opinião — é de que o parcelamento sem juros é fruto de um subsídio cruzado: alguém está pagando a conta, e certamente não é o banco emprestando a juro zero nessa modalidade. Esta, diga-se de passagem, é uma jabuticaba do sistema financeiro brasileiro.


Nutro simpatia por medidas nesse front, mas não posso perder de vista que isso pode impactar o volume transacionado via cartão de crédito — lá vai todo mundo fazer conta em cima dos balanços das adquirentes de novo…

Uns mais iguais do que outros

Que os donos do poder de nosso País são extremamente hábeis em promover mudanças e mais mudanças para garantir que tudo fique como está, não é exatamente uma novidade.


A PEC recém-aprovada no Senado abre possibilidade de um regime especial de previdência para algumas categorias do funcionalismo público. A proposta volta para a Câmara, onde precisa ser apreciada em dois turnos. A conta é da ordem de 40 bilhões de reais a menos de economias em uma década.


Reação normal do establishment à perda de privilégios. Resta saber se a base legislativa vai ser suficientemente pró-reformas para barrar essa ignomínia ou não.


O Brasil avança: dois para frente, um para trás.

Oi, retardatária

Na próxima segunda-feira, após o fechamento do mercado, conheceremos — enfim! — os números do 3T19 da Oi (OIBR3).


De antemão já sabemos que a posição de caixa está em nível ok (o que mitiga preocupações relevantes, diga-se de passagem) e que o EBITDA deve vir em linha com o guidance.


Não sei o que me deixa mais curioso: de um lado, potenciais avanços operacionais em termos de crescimento de receita de banda larga (mitigando a perda de faturamento de serviços de voz)...


...ou a possibilidade de vermos recebimentos de dividendos da angolana Unitel.


Notícias do lado de lá do Atlântico dão conta de que, em novembro, a tele teria feito um pagamento — não fica claro se uma distribuição ordinária ou se estamos falando daqueles atrasados em discussão há tanto tempo —, e o fato teria inclusive criado dificuldades à autoridade monetária angolana, que luta com todas as forças para conter a desvalorização da moeda local (o kwanza).


Aliás, vale ter em mente: a sinalização da Oi era de concluir a venda da Unitel até o final do quarto trimestre. Outubro e novembro já foram.





Em observância ao Artigo 22 da Instrução CVM nº 598/2018, a Nord Research esclarece que oferece produtos contendo recomendações de investimento pautadas por diferentes estratégias e/ou elaborados por diferentes Analistas. Dessa forma, é possível que um mesmo valor mobiliário encontre recomendações distintas em diferentes produtos por nós oferecidos. As indicações do presente Relatório de Análise, portanto, devem ser sempre consideradas no contexto da estratégia que o norteia.


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por Ricardo Schweitzer
em 29/11/2019 para Nord Insights

Possui 13 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se economista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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