Distribuidoras: Ultrapar dá a largada da expansão no varejo

O negócio de distribuição de combustível tem enfrentado um momento desafiador: a concorrência cada vez maior dos postos “bandeira branca” pressiona os volumes vendidos e, consequentemente, as margens de lucro das companhias.

O negócio de distribuição de combustível tem enfrentado um momento desafiador: a concorrência cada vez maior dos postos “bandeira branca” pressiona os volumes vendidos e, consequentemente, as margens de lucro das companhias.


As distribuidoras estão buscando novas formas de rentabilizar o negócio. Assim, nada mais conveniente do que aproveitar sua larga escala em rede de postos para expandir as lojas de conveniência. Mas quem disse que elas só atuam dentro dos postos?


A Ultrapar (UGPA3) — Ipiranga, líder neste segmento com a rede am/pm — se movimentou e está lançando uma nova frente com lojas fora dos postos de combustíveis. O modelo será testado com uma loja prestes a ser inaugurada na capital paulista.


Atualmente, 35 por cento dos postos da rede Ipiranga possuem uma loja am/pm, e a Companhia quer continuar expandido e mantendo sua liderança neste segmento. A rede am/pm é a terceira maior franquia no país, atrás somente de O Boticário e McDonald’s. São, no total, 2,3 mil lojas — quase o dobro da marca BR Mania, pertencente à BR Distribuidora (BRDT3).


Falando nela, a BR Distribuidora conta com 16 por cento de lojas de conveniência em sua rede de postos. Segundo a Companhia, há potencial de dobrar o número em três anos.


Ano passado, a BR informou que vem estudando um modelo de negócio com as Lojas Americanas (LAME4) para expandir sua atuação no varejo.


A Raízen, joint venture da Cosan (CSAN3) com a Shell, já havia anunciado também uma parceria com a mexicana Femsa. Segundo as Companhias, o acordo vai desenvolver uma rede de varejistas dentro e fora dos postos, com as marcas Shell Select, Oxxo entre outras.


A Ultrapar é a diferentona: não vai adotar o modelo de parceria, expandindo com seu próprio expertise suas lojas. Também não deve adotar um modelo de franquia — pelo menos por ora, enquanto amadurece o negócio.


Em relação ao total faturado pelas lojas de conveniência versus a principal atividade do negócio — a distribuição de combustíveis —, vemos um reflexo ainda pequeno nos resultados com esses avanços. Mas acreditamos que, com a expansão da rede, a rentabilidade das distribuidoras pode ganhar uma forcinha extra.


Gostamos mais de BR Distribuidora, que possui chances de crescimento bem maiores que Ultrapar, com metade do números de lojas. Além disso, um modelo de negócio com o peso da marca Americanas, que já é madura no mercado, nos parece muito interessante.


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por Matheus Amaral
em 06/02/2020 para Nord Insights

Iniciou sua carreira como auditor e consultor na Ernst & Young, onde permaneceu por cinco anos.

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