De tudo um pouco

Semana agitada nos Estados Unidos nos campos econômico, corporativo e político.

Trim trim! – enfim o pacote chegou

Sabe quando você faz uma compra pela internet e fica dias acompanhando a entrega pelo site dos Correios, naquela ansiedade para escutar o interfone tocar com o porteiro avisando que o seu pacote chegou?

As coisas no mercado não são tão diferentes.

Somente após muitos meses, o pacote de Wall Street chegou: na quinta-feira, o presidente reeleito Joe Biden, que vai assumir a Casa Branca no próximo dia 20, revelou aos cidadãos americanos, bem como ao mercado financeiro, sua proposta para o pacote de ajuda econômica a ser lançado nas próximas semanas.

O plano de Joe Biden é alimentar a economia com nada menos do que 1,9 trilhão de dólares. A fonte dos recursos ainda é um pouco desconhecida, visto que a arrecadação de impostos despencou nos EUA, mas desconfio que a emissão de dívida deve ser o caminho para resolver essa questão.

Por falar nisso, tente adivinhar qual o montante da dívida dos Estados Unidos, tanto em valores absolutos quanto em relação ao PIB do país?

Eu te digo, mas se segura na cadeira aí! Um pouco mais de 27 trilhões de dólares! Você consegue ver uma montanha de dinheiro suficientemente grande para fazer frente a esse montante? Eu não consigo. Já em relação ao PIB – hoje, ao redor de 20 trilhões de dólares – a relação fica em 135 por cento.

O infográfico abaixo detalha um pouco a evolução da dívida do país ao longo das últimas décadas. Notem que, na crise anterior à gerada pela Covid-19, quando tivemos a bolha imobiliária nos Estados Unidos, a dívida estava abaixo de 10 trilhões de dólares. Em pouco mais de 10 anos, o país emitiu mais de 17 trilhões de dólares em dívida.

Infográfico sobre a dívida dos Estados Unidos.

Fonte: Visual Capitalist


Quando falo sobre “trilhões” até me soa como um palavrão, visto que, na realidade dos mortais, é quase impossível imaginar essa quantidade de dinheiro.

Também fico imaginando quanto o país gasta anualmente em juros sobre essa montanha de dinheiro. Considerei aqui nas minhas contas – tentei na calculadora, mas a quantidade de zeros não coube na tela, tive que recorrer ao Excel – um custo médio de dívida até as coisas se equalizarem, provavelmente daqui a uns dois anos, em 2,5 por cento.

A matemática básica diz que:

Total de Dívida x Custo médio da dívida = Juros

Logo, estamos falando de algo em torno de 675 bilhões de dólares pagos anualmente a cargo de juros. Lembrem-se de que hoje as taxas estão bem baixas, perto de zero para vencimentos mais curtos…

Esse montante gasto em juros representa metade de todo o gasto anual  em programas de saúde – grande parte para Medicare e Medicaid –  da maior economia do mundo, que possui, ao menos em teoria, os melhores profissionais da área, equipamentos, remédios, tecnologias etc.

Vejam, no gráfico abaixo, os principais gastos do governo dos Estados Unidos no ano passado.


Infográfico que apresenta os principais gastos do governo dos Estados Unidos no ano passado.

Fonte: Visual Capitalist




Não sei, mas me parece que 675 bilhões de dólares por ano, em juros, é uma soma considerável.

Ainda há muito o que ser feito ao longo dos próximos dois anos, pelo menos, para colocar a economia do país de volta aos eixos. Depois disso, ainda teremos mais alguns anos de Biden controlando a Casa Branca. Provavelmente esse problema – o montante de dívida – comece a ser endereçado daqui a muitos anos.

Enquanto isso, seguimos na mesma, que é o que o mercado gosta. São trilhões de dólares despejados na economia, com uma retomada das empresas e seus lucros e resultados financeiros positivos para os acionistas.

Charge mostra um homem de terno colocando várias notas de dinheiro na boca de um boi.

Por falar em resultados financeiros, a temporada de resultados do 4T20 das maiores empresas do mundo finalmente tomou tração ontem, com os maiores bancos dos EUA reportando números acima do esperado por conta da reversão de potenciais prejuízos que foram provisionados principalmente no começo do ano.

Seguimos atentos aos resultados de toda essa situação econômica, bem como aos resultados das empresas que estão na carteira do Nord Global, o produto de investimento no exterior oferecido pela Nord Research.

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Até a próxima semana!


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por Cesar Crivelli
em 16/01/2021 para Nord Insights

Bacharel em Administração de Empresas pela PUC-SP, possui MBA pela FGV e MSF pela Hult International Business School. Integrou a equipe de Equity Research do Citibank e tesouraria da General Motors (GM) no Brasil. Posteriormente, atuou nas frentes de M&A e novos negócios da Xeros Cleaning Technologies (XTG), nos Estados Unidos. Ingressou na Nord Research em outubro de 2019, como parte do time do Nord Small Caps, e hoje é responsável pelo Nord Global.

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