De novo! De novo! De novo!

Esperanças em torno de mais uma rodada de estímulos devem dar o tom

Mais uma dose, senhor

Ao que tudo indica, vem mais alegria por aí.


Mercados globais começam a quinta-feira em tom de otimismo, alimentados por renovadas esperanças de que haverá, sim, um novo pacote de estímulos fiscais nos Estados Unidos  justamente a questão que tem sido o epicentro da batalha de expectativas que o mercado se tornou nestes últimos dias.


Não sei vocês, mas eu já perdi a conta de quantos pacotes de estímulos o mercado faturou desde a crise de 2008. Essas coisas viciam, só pode.


Com otimistas falando mais alto, a madrugada foi predominantemente positiva na Ásia, e a manhã é de ganhos nas praças europeias. Futuros nova-iorquinos operam em alta.


Comparação covarde


O timing dos debates em torno da atividade gringa é fenomenal.


Aprendemos ontem que foi de 31,7 por cento a retração anualizada do PIB americano até o final do 2T20. Mas pode chamar de 32.


Caos? Desespero? O Secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, parecia bastante bem e otimista com uma forte recuperação da atividade em 2021.


É evidente que a base de comparação é de uma covardia sem tamanho: com o baque sofrido pela economia neste ano de 2020, basta que não passemos o ano vindouro trancafiados em casa para contratar o tal crescimento.


De qualquer sorte, nenhum político perderia a oportunidade de colocar o bedelho para reivindicar participação na expansão econômica que inevitavelmente virá.


Força, Guedes!


Se há uma cadeira que eu não desejaria neste momento é a do Paulo Guedes.


Coube ao ministro, ontem, vir a público tentar desmontar a bomba-relógio plantada com a proposta de financiamento do tal Renda Cidadã. Para PG, não dá para fazer puxadinho.


O argumento é elegante: um programa social dessa envergadura necessita de receitas recorrentes para seu financiamento. Não é pedalando os precatórios que a situação se resolve.


Mas a mensagem é ainda mais profunda: não há espaço para brincadeira no front fiscal. Eis um solitário canto de razoabilidade que o mercado de juros precisava ouvir.


O problema é que a credibilidade do mensageiro está abalada: não sei você, mas ultimamente tenho a impressão de que qualquer fala de PG pode ser interrompida por capangas que o levarão embora amordaçado.


Quem efetivamente está no comando?


Este prêmio ninguém nos tira

Em meio a tantos desencontros e desventuras, seguimos firmes na disputa pelo posto de maior bagunça global de 2020  pelo menos é essa a mensagem que nos passam no mercado de câmbio.


O Real lidera o ranking de desvalorizações neste ano turbulento. Ganhamos, pasmem, do Peso Argentino  que já vale zero no mercado paralelo do outro lado do Rio da Prata.


Impera a percepção de que o governo não consegue resolver os problemas. E pior: que consegue, de lambuja, criar alguns a mais.


É preciso muito patriotismo para não surtar.



Enchendo o carrinho

Enquanto isso, China segue em sua missão de estocagem de tudo o que se pode imaginar.


Diversas commodities agrícolas renovaram alta na Bolsa de Chicago nesse findo mês de setembro. Minério de ferro também segue muito bem, obrigado.


Por coincidência, saíram por lá indicadores de atividade econômica novamente apontando expansão  e, mais uma vez, acima das expectativas de mercado.


O movimento favorece os nomes óbvios: países com ampla disponibilidade para exportação, dentre os quais esta terra onde “em se plantando, tudo dá”.


O Novo SuperCiclo das Commodities está aí.


Compartilhar este artigo
por Ricardo Schweitzer
em 01/10/2020 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Receba nosso conteúdo GRATUITO!