Da “saída livre da prisão” à “pílula vermelha”

Como o jogo Banco Imobiliário e o filme Matrix me fizeram um investidor melhor

Eu gostava bastante de jogar Banco Imobiliário quando criança. Aliás, suspeito que essa predileção seja extraordinariamente comum entre os investidores da Bolsa. Desde muito jovem a gente vê prazer e alegria em juntar dinheiro, em plantar para colher os frutos, etc.


E gostava, especialmente, quando tinha a sorte de pegar uma carta de saída livre da prisão.



E tinha uma razão clara de ser: ainda que, matematicamente, a probabilidade de parar na cadeia não fosse tão alta — se levarmos em conta somente a regra dos três dados dobrados em sequência, as chances são de 0,46 por cento (e não, eu não sabia disso quando criança) —, isso acontecia comigo com uma frequência monstruosa. Ou pelo menos assim parecia aos meus olhos juvenis. Logo, estar preparado para quando as coisas dessem errado (pois mais dia, menos dia, elas davam) era uma necessidade.


E essas são coisas que a gente leva pra vida.


Quem me acompanha há mais tempo já deve ter notado que eu pertenço ao time dos cautelosos. Gosto de ter plano B; gosto de estar preparado para eventuais pedras que surjam no meio do caminho. E isso se traduz, dentre outras coisas, na forma de investir: procuro margem de segurança; reluto em pagar por crescimento futuro; eu fujo de focos de euforia assim como o diabo foge da cruz; sou alérgico a apostar tudo no que quer que seja.


A história que quero contar se passa no ano de 2013. Eu estava em São Paulo há cerca de 1 ano e trabalhava para uma corretora, atendendo clientes institucionais. O mercado vinha em uma toada legal e oferecia boas oportunidades.


Aí veio junho. E, com ele, os protestos pelos vinte centavos da passagem de ônibus.



Eu não sei você, mas para mim foi um tanto apavorante ver dias e dias de protestos — muitos deles violentos (surgiram ali os black blocks). Cresceu em mim o medo de uma ruptura institucional no País. Eu dormia mal; eu me preocupava com meu emprego e com meu patrimônio… foram tempos especialmente difíceis para mim.


E aquilo, aliás, me fez lembrar de algo ainda mais importante: olhando para nossa própria História Brasileira com algum distanciamento, a relativa estabilidade conquistada nas últimas décadas é um trecho minúsculo de uma linha do tempo tortuosa: todo o século XX foi marcado, para o Brasil, por fortes instabilidades entremeadas por alguns períodos de bonança.

Até os anos 1980, tivemos pelo menos 9 grandes planos econômicos. Aí vieram os planos de estabilização monetária: Cruzado, Cruzado II, Bresser, Verão, Collor, Collor II, Marcílio, Real… aliás, desde nossa independência, tivemos 9 moedas diferentes.


A mensagem é clara: nós não somos um país estável. E, se era assim, não dava para contar somente com o Brasil.


E foi essa percepção, alimentada por aquelas circunstâncias, que me levaram, por volta de 2014, a desenvolver o interesse por investimentos no exterior. Asseguro a você que não era, na época, um processo fácil: ainda persistia (e muito) a ideia de que conta no exterior era coisa de milionário ou de sonegador. A burocracia era bem mais complicada.


Eventualmente eu encontrei guarida para uma parte do meu patrimônio em um banco suíço. E não, não era tanto dinheiro assim: era, talvez, o suficiente para me manter por alguns meses em outro país se, no futuro, a coisa degringolasse no Brasil.


Era a minha saída livre da prisão. Em caso de emergência, minha única preocupação era chegar ao aeroporto.


Nem preciso dizer que, à época, os poucos a quem confidenciei o que estava fazendo me acharam completamente maluco. Afinal de contas, imperava novamente a percepção de que tudo estava sob controle no Brasil e, por outro lado, investir no exterior soava tão exótico quanto querer se mudar para Marte — e ainda não se ouvia falar muito em Elon Musk.


Aí veio 2015. E, com ele, novas turbulências institucionais — que culminariam, no ano seguinte, com o impeachment de Dilma Rousseff. Eu não sei vocês, mas eu ainda lembro disso daqui:



Batemos na trave de novo.


A diferença é que, dessa vez, eu estava muito mais tranquilo. E por mais que, profissionalmente, 2015 tenha sido um ano desastroso para mim — a crise que se instalou por conta da instabilidade política culminou com minha posição em um banco sendo ceifada —, eu inclusive ganhei dinheiro, graças à variação cambial daqueles saldos mantidos em Euros e Francos Suíços.


Ninguém mais ria da minha estratégia. Inclusive porque alguns dos que riram, pouco mais de 1 ano antes, também enfrentaram reveses profissionais e financeiros.


Mas não parou por aí. Não foi apenas em função de uma maior sensação de segurança que esse périplo financeiro suíço foi bom para mim. Ele também serviu para abrir meus olhos para o gigantesco mundo que existe lá fora.


Veja bem: a plataforma com a qual eu contava à época era relativamente limitada quando comparada com o que há disponível hoje. E mesmo assim me era possível, por exemplo, investir nos Estados Unidos. Ou na Alemanha. Ou no Reino Unido. Ou mesmo em destinos menos familiares aos brazucas, como Turquia e Indonésia.


Dava para diversificar meus investimentos no mundo inteiro. Tanto manualmente quanto por meio de um ETF que seguia o MSCI World.


Você consegue conceber o  que isso deu na minha cabeça? Na cabeça de alguém que, até outro dia, tinha à disposição somente a bolsa brasileira — que era muito mais Petro-Vale-Itaú do que é hoje?


Eu praticamente tomei a pílula vermelha e saí da Matrix.



Veja bem.


Não se trata de apostar contra o Brasil. Não é falta de patriotismo ou qualquer coisa do gênero.


Trata-se pura e simplesmente de reconhecer que, por aqui, de tempos em tempos as coisas podem desandar. E que não há necessidade de o seu patrimônio inteiro chacoalhar a cada sismo provocado por Brasília.


Vou além: à medida que você desenvolve suas atividades profissionais no Brasil, sua exposição ao risco local já é muito grande independentemente de qualquer coisa.


Enquanto brasileiro, enquanto trabalhador(a) ou empreendedor(a) atuante em terras tupiniquins, você já está inevitavelmente exposto(a) até as tampas a tudo que vem daqui:



Precisa mesmo, além disso, estar 100 por cento exposto também no seu patrimônio acumulado? Nas suas economias?


Quero muito que o Brasil dê certo. Mas e se não der? Vamos todos pro buraco juntos?


E insisto, também, no outro lado: há um mundo imenso lá fora, com incontáveis oportunidades de investimento às quais, hoje, você não tem acesso pura e simplesmente porque isso envolve cruzar uma fronteira. Isso em pleno 2020, com tudo mais digital do que nunca.


Pense nisso.


Eu eventualmente repatriei os recursos que havia enviado ao exterior — com um ganho relevante, diga-se de passagem. A vida se impôs. Depois vieram outras questões e, por fim, concentrei meus esforços e recursos na criação da Nord, junto com o Breia, o Bruce e a Marília.


Mas nunca perdi de vista quão reconfortante era contar com aquela cartinha de saída livre da prisão no bolso…


...e é por isso que estou particularmente entusiasmado com o Nord Global, nossa nova empreitada, capitaneada pelo competentíssimo Cesar Crivelli.


A gente não precisa investir só no Brasil. Seja pela segurança de contar com parte do patrimônio além-mar, seja para perseguir oportunidades que, em nossa pequena Bolsa local, simplesmente não existem.


E é justamente por isso que eu próprio estou abrindo uma nova conta lá fora, no melhor estilo Matrix Reloaded, e voltando a ter parte do meu patrimônio em moeda forte.


E com uma diferença fundamental: hoje em dia isso é muito mais fácil do que outrora. As plataformas são muito melhores; os processos são menos burocratizados (lá atrás eu mandei documentos EM PAPEL pra Suíça!); o acesso à informação é muito mais amplo.


E, de quebra, há um analista cujo trabalho eu conheço e confioescrutinando as melhores oportunidades para mim. E para você também, caso decida se juntar a nós nessa jornada.


Faço, então, meu convite: conheça o Nord Global. Garanta sua saída livre da prisão. Tome sua pílula vermelha.





EU TAMBÉM QUERO INVESTIR NO EXTERIOR






Bom final de semana.


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por Ricardo Schweitzer
em 25/07/2020 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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