CSNA: Agora vai?

Uma manchete:



Essa manchete é de maio de 2019. Mas eu poderia, sinceramente, ter pinçado incontáveis outras: praticamente desde que eu estou no mercado — e já faz um bom tempo — se fala na possibilidade de IPO e/ou venda da operação de mineração da CSN (CSNA3).


Mas há quem diga que agora vai: em teleconferência com investidores, o management afirmou que pretende, ainda em 2020, não só vender determinadas subsidiárias como promover, enfim, o IPO de sua unidade de mineração.


Não é de graça: a alavancagem financeira da Companhia é pantagruélica — atualmente na casa de 5,2 vezes EBITDA, com dívidas perfazendo 33 bilhões de reais. Há tratativas com credores para alongamento da dívida, mas isso certamente passa pela sua redução. E a forma mais fácil e rápida de reduzi-la é mediante a venda de ativos.


Ocorre que o assunto venda de ativos parece sempre cair mal a Benjamin Steinbruch. Já perdi as contas de quantas vezes vi esse filme: a Empresa anuncia que vai fazer e não faz — ou, pra não dizer que não fez nada, vende uma coisinha ou outra que não muda estruturalmente sua situação.


Os ativos de mineração da CSN são reconhecidamente muito bons. Só devem ficar atrás dos da Vale (VALE3) mesmo. Poucos momentos foram tão propícios para uma venda quanto o atual, com minério de ferro nas alturas e boas perspectivas de demanda chinesa à frente. Steinbruch já deixou passar oportunidade semelhante no passado, em pleno superciclo de commodities. Vai deixar passar outra?


CSNA3 já fez parte da carteira do Nord Deep Value. No momento, estamos de fora. Mas curiosos, confesso, para ver se dessa vez vai.


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por Ricardo Schweitzer
em 05/08/2020 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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