Compre bolsa a 104 mil pontos?

Entenda um pouco da história. Sofremos demais com a pandemia. Mas o nosso executivo e legislativo nos dão motivos para permanecer otimistas. O Brasil do futuro pode estar surgindo no horizonte.

Colocando tudo em perspectiva

Vamos começar do início.

Com o descontrole fiscal no final do governo Dilma (2014 e 2015), tínhamos juros básicos subindo a 14,25 por cento ao ano:

Taxa Selic. Fonte: Bloomberg.

Basicamente, com o setor público gastando demais, o Banco Central precisou subir juros para segurar a inflação, mesmo com a economia no buraco.

Juros ainda mais altos, ajudaram a afundar ainda mais nossa economia.

Fonte: Simprafarma.

Esta política econômica desastrosa (aumento nos gastos do governo e privado retraído) derrubava os lucros das empresas brasileiras.

O Ibovespa caía por bons motivos:

Ibovespa (branco) e lucros das empresas do Ibovespa (azul). Fonte: Bloomberg.

Tudo fazia sentido no mundo.


Mudança radical na política econômica

Em 2016, mudamos o governo.

Mudamos de presidente e também mudamos a política econômica.

Temer, corretamente, escolheu uma política econômica austera. Menos estado e mais Brasil.

E, os resultados foram:

Ibovespa (branco) e lucros das empresas do Ibovespa (azul). Fonte: Bloomberg.

Lucros das empresas em alta e índice Bovespa seguindo os resultados.

Seguindo os fundamentos.

Tudo fazia sentido no mundo.


Nunca era óbvio

Muitos sabichões, com a vantagem de terem seus retrovisores perfeitamente cristalinos, dizem que a bolsa estava cara a 120 mil pontos.

"Caríssima", dizem os infiéis.

"Era óbvio que teríamos uma queda forte", clamam os "jênios".

Mas, olhando o simples gráfico do Ibovespa e dos resultados das empresas no início de 2020, sou obrigado a discordar.

Ibovespa (branco) e lucros das empresas do Ibovespa (azul). Fonte: Bloomberg.

Os lucros não sobem sempre em linha reta, então a queda no 4T19 foi apenas um efeito não recorrente nos resultados.

O cenário, no início de 2020, era de lucros das empresas subindo e economia brasileira que começava a dar sinais de aceleração.

Selic a 4,5 por cento ao ano, inflação abaixo da meta, gastos públicos sob controle, varejo melhorando, expectativas subindo, …

Após a implementação do teto de gastos, reforma trabalhista e reforma da previdência, o Brasil seguia um caminho prudente.

Após anos e anos de decepções econômicas, 2020 seria o ano da volta do "espetáculo do crescimento" (desta vez, puxado pelo setor privado).

Desta vez, crescimento realmente sustentável.

Tudo fazia sentido no mundo.


O choque e a pandemia

Tudo fazia sentido no mundo.

Mesmo assim, na série ANTI-Trader, fomos prudentes. No final de fevereiro, tínhamos 25 por cento do portfólio em caixa e 16 por cento short.

Havíamos dobrado nosso dinheiro em pouco mais de 8 meses e nos protegíamos das loucuras do mercado.

Entendemos, por melhores que sejam as expectativas, o mercado é maníaco depressivo.

O risco, ali, era a euforia que tomava conta dos investidores.

Como diria Howard Marks, quanto maior a agressividade dos investidores (alavancagem e alocação elevadas), maior o risco do sistema.

Não estávamos nem um pouco pessimistas. Mas, como diriam os gringos, shit happens.

E, shit happened.


A pandemia e o 2T20

A história já ficou velha, então vamos direto para os fundamentos.

A pandemia e a quarentena, ao final de março de 2020, impactaram os resultados do 1o trimestre de 2020 (1T20) das empresas do mundo inteiro:

Ibovespa (branco) e lucros das empresas do Ibovespa (azul). Fonte: Bloomberg.

Mas o 1T20 foi só o começo.

Imaginamos que o impacto maior seria no 2T20 – quando tivemos uma parcela muito maior do trimestre impactado pelo distanciamento social.

Os resultados das empresas caíram no 1T20 e deverão cair ainda mais no 2T20.

Mas o Ibovespa decidiu renovar máximas atrás de máximas.

Nada mais faz sentido no mundo?


Por onde vem o ajuste?

Os resultados das empresas subirão de encontro ao nível do índice?

Ou o Ibov cairá para refletir os resultados ruins das empresas?

Na verdade, nenhuma das alternativas.

Como comentei bastante durante o ano, a bolsa brasileira caiu demais na crise, fomos a pior bolsa do mundo.

Ibovespa (Brasil, branco), SPX (EUA, azul), HSI (China, rosa), MexBol (México, roxo), Shenzhen (China, amarelo) e Sx5e (Europa, laranja). Fonte: Bloomberg.

Caímos -47 por cento, enquanto os EUA caíram -34 por cento e as bolsas asiáticas caíram ao redor de -20 por cento.

O pânico, no Brasil, foi maior.

Nossa moeda também está entre as que sofreram as maiores desvalorizações no mundo em 2020.

Mas merecemos tamanha punição?

O Brasil saiu tanto assim do caminho próspero que vinha trilhando desde 2016?


Reformas, reformas, reformas, ...

A fotografia abaixo explica muito mais do que mil palavras:

Fonte: RedeTV!.

O ministro da economia, o presidente da câmara dos deputados e o presidente do senado segurando o texto da reforma tributária.

O gesto é simbólico, como deveria ser.

Executivo e legislativo estão, juntos, procurando melhorar o ambiente econômico brasileiro.

Facilitar a vida do empreendedor.

Destravar as amarras ao desenvolvimento econômico sustentável.

Fazer o Brasil crescer.


购买大量股票 ?

Então, Compre MUITA bolsa?

Bolsa sempre é para sempre. Sempre teremos uma significativa alocação em bolsa.

Sempre existirão empresas boas e baratas para alocarmos nosso rico dinheirinho.

Mas acabamos de subir de forma rápida e forte saindo das mínimas de 63 mil pontos.

Os Governos e Bancos Centrais, com seus estímulos econômicos, juros zero e infinitas maneiras de injetar dinheiro nas economias estão puxando os mercados para cima.

Estamos a 104 mil pontos, o momento é de um pouco mais de cautela.

Mas, como sempre, compre ações de empresas que sofrerão menos com a quarentena.

Ações de empresas que ainda têm preços baixos demais para os resultados que apresentam.

Ações de empresas com visibilidade de resultados.

Empresas boas e baratas.

As maravilhosas empresas da série O Investidor de Valor.





Em observância ao Artigo 22 da Instrução CVM nº 598/2018, a Nord Research esclarece que oferece produtos contendo recomendações de investimento pautadas por diferentes estratégias e/ou elaborados por diferentes Analistas. Dessa forma, é possível que um mesmo valor mobiliário encontre recomendações distintas em diferentes produtos por nós oferecidos. As indicações do presente Relatório de Análise, portanto, devem ser sempre consideradas no contexto da estratégia que o norteia.


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por Bruce Barbosa
em 22/07/2020 para Nord Insights

Possui 17 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pelo BNP Paribas, HSBC e Empiricus Research. Formado em Engenharia de Produção pela USP e possui um MBA pela New York University.

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