Cadu sabe escolher uma ação

Separe o ruído do que realmente importa.

Ruídos


Acho que já contei aqui para vocês... faz algum tempo que larguei o vício matinal de ler todos os jornais econômicos.

Não se trata de nenhum complô ou represália ao jornalismo em si.

Eu acredito de fato que ainda há bons jornalistas por aí.

Mas eu simplesmente precisei me afastar do ruído.

Todos os dias a imprensa produz milhões e milhões de palavras na busca de explicações para os movimentos das bolsas, ações, moedas, juros e commodities.

Bolsa caiu por causa do Trump.

Bolsa subiu por causa do Fed.

Bolsa caiu por causa de um tuíte carnavalesco bizarro.

Bolsa subiu por causa de um pronunciamento decente sobre a necessidade da reforma da previdência.

Veja comigo no replay o que aconteceu com a bolsa ontem depois do discurso do Bolsonaro as:



700 pontos em meia hora.

Algo realmente mudou no fundamento das empresas? Os CEOs mudaram a estratégia das companhias porque a chance da reforma passou de X para Y por cento? Os lucros da empresas vão ser maiores ou menores por conta da informação de ontem?

Não houve, uma vez sequer, que eu tive uma boa ideia de investimento a partir de uma notícia de jornal. Sugiro que tome muito cuidado com essa prática de ficar caçando todos os dias informações para justificar o porquê de você estar um pouco mais pobre ou um pouco mais rico.


FARIA LIMA STARTER PACK


No lugar dos noticiosos, tenho passado muito mais tempo no Twitter.

Com moderação, esta sim tem se mostrado uma ferramenta bastante poderosa de informação, troca de ideias e geração de insights para investimento.

Talvez o público em geral não saiba, mas a Faria Lima inteira está lá.

Gestores, analistas, traders, assessores e investidores.

Uns mais ativos, outros menos.

Uns dão as caras, outros se escondem atrás de fakes.

Mas há uma vantagem muito grande de buscar informações no Twitter: se realmente houver uma notícia importante, aquilo já foi postado, comentado e discutido por gente que sabe diferenciar fato relevante de ruído.

Basta fazer uma curadoria de quem você quer seguir.

É realmente magnífico o tipo de contato que se pode ter por lá com caras que antigamente não dariam entrevistas, não te receberiam no escritório ou que, até pouco tempo, nem mesmo escreviam as cartas aos cotistas.

Novos tempos, também para o mercado financeiro. Disso eu não tenho saudades do mercado raiz.


TWITTING


Foi lá no Twitter também que ontem eu tive a seguinte ideia:



Queria compartilhar com vocês o resultado dessa discussão, porque acho que há pontos valiosíssimos aqui.

O que me motivou a fazer essa pergunta foi esse cara aqui.




Cadu, meu afilhado, 7 anos (há 10 dias de fazer 8).


Enquanto ele brincava na minha frente, eu parei para refletir: qual o melhor investimento que eu poderia fazer para ele pensando numa janela de 10 anos?

! Alerta de viés: vício maldito que todo moleque precisa comprar um carro aos 18 anos !

Convidei o Bruce, Ricardo, gestores e seguidores da Nord para a discussão e o resultado foi bem interessante.

O primeiro ponto muito importante: houve um erro bastante grave na construção da pergunta.

Se você fizer a pergunta errada, vai começar errado e o resultado não será diferente.

Para um investimento em ações, não se pode fixar uma data redonda simplesmente para ela caber no seu universo temporal. Os ciclos podem durar 7, 8, 9, 15 anos ou mais… não há qualquer garantia de que vão conciliar com a sua vida, ou no caso, com a vida do Cadu.

Se eu quiser que ele se torne um investidor de bolsa, não vai adiantar eu simplesmente comprar algo para esquecer e ter pouco trabalho gerenciando isso.

Como o Bruce bem disse: "Nenhuma. Se você tem a opção de ir analisando a ação e poder fazer mudanças, por que não usar? Muita gente acha que value investing é isso... mas nada mais longe da realidade..."

Tendo a concordar com ele.

Não existe essa de casar com uma ação para sempre.

O mercado muda, a empresa muda, a gestão muda e os fundamentos também mudam.

Para o analista nunca é fácil reconhecer que sua tese original mudou. Mas é necessário.

Isso vai ao encontro do segundo ponto da discussão:

80% das pessoas responderam Itaúsa (empresa holding do Itaú).

Até o Ricardo se espantou com a resposta do Bruce.



Gostaria que todos tomassem cuidado com essa grande convicção a respeito do case.

Itaúsa é sim uma ótima empresa. Rentável, consistente e previsível.

É a primeira na lista de recomendações do Investidor de Valordo Bruce.

Itausa pode, eventualmente, ser carregada por mais 10 anos em carteira.

Se continuar entregando resultados consistentes e estiver negociando a múltiplos razoáveis.

Todos os setores vão passar por mudanças importantes nos próximos anos e o bancário será um deles.

Me parece - e essa é uma opinião exclusivamente minha - que os bancos listados ainda vão surfar bem a onda de recuperação da economia local, principalmente com a volta da expansão do crédito.

Mas cravar que estarão imunes a revolução das fintechs, plataformas e bancos digitais  daqui 10 anos, eu não cravaria.

Concentrar o investimento numa só ação também não me parece razoável só para facilitar o meu trabalho.

Se há a opção de investir em bons fundos de investimento em ações a partir de 1.000,00 reais, por que não fazê-lo?

Apesar de muita gente ter sugerido papéis de renda fixa de longo prazo, isso não farei.

É preciso se expor ao máximo em ações, porque é ali que ele vai ter a maior chance de ganhos exponenciais.  

No fim, o Cadu ganhou ações de ITSA4. Foi a ação que ele achou a mais "maneira" entre as três histórias que eu contei para ele. Acredite se quiser, uma criança dessa idade consegue, sim, entender como uma empresa funciona, como ela ganha dinheiro e como você pode ser sócio dela.

Ganhou também cotas de 2 fundos ações do Nord Wealth.

Ainda na semana passada incluímos um novo fundo, especialista em Mid Caps (empresas médias),

Pensando daqui a 10 anos, é nesse perfil de empresa que eu acredito de onde virá as maiores porradas. E é aí que o tempo corre a favor dele.

O Cadu ainda não sabe mas:  


"A maior vantagem que um investidor pode ter é uma orientação de longo prazo."

Seth Klarman

Em observância à ICVM 598, declaro que as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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por Renato Breia
em 08/03/2019 para Nord Insights

Possui 13 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Link Corretora, Galleas Asset, Rico Corretora e foi sócio da Empiricus Research. Formou-se economista pela PUC-SP, tem especialização em Gestão de Fortunas pela Columbia University e é Planejador Financeiro, CFP®.

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