Black Week na Bolsa

Em semana de pânico generalizado, estamos aproveitando as oportunidades.

Tempos intensos

Vivemos tempos intensos no mercado financeiro. Tivemos 4 circuit breakers na Bolsa brasileira  em apenas uma semana, levando o Ibovespa a computar uma desvalorização de mais de 30 por cento após todo esse clima de pânico, com os desdobramentos do COVID-19.


O que me deixa um pouco curioso é que, mesmo sem nenhuma quebradeira geral de empresas, nossa crise atual já foi mais intensa do que a do subprime de 2008. O Ibovespa já desvalorizou mais em 13 dias do que em um período de 30 dias daquele ano.


Fonte: Bloomberg. Elaboração Nord Research.


Essa intensidade me obriga a questionar se os danos potenciais do COVID-19 nos resultados das empresas justificam esse desconto todo.


No curto prazo, entendo que há motivos para preocupações. Em fevereiro, por exemplo, a China reportou um PIB industrial bem abaixo do esperado pelo mercado, um reflexo das paralisações no País para conter o avanço da epidemia.


As diversas medidas de proteção e contenção do vírus em inúmeros países vêm afetando negócios e podem, de fato, se traduzir em lucros menores das Companhias mundo afora até que a pandemia seja superada.


A curva de casos de COVID-19 na China e na Coréia do Sul já tem apresentando queda. Os novos países por onde o vírus se intensificou, como Itália, França e Espanha ainda passam por uma evolução rápida do contágio, mas o comportamento nos países asiáticos sugere que essa curva pode diminuir bem mais rápido do que imaginávamos.



Fonte: Bloomberg

O ajuste de expectativas

Sempre é válido repetir: para além das oscilações do curto prazo — para as quais virtualmente qualquer motivo serve —, o preço das ações costuma refletir o lucro das empresas.


Toda essa incerteza na Bolsa remete a uma pergunta simples, porém agora difícil de responder: qual será o lucro das empresas em 2020 ou nos próximos trimestres?


A resposta seria mais fácil se estivéssemos em um ambiente normal e precisássemos nos ater apenas às expectativas do setor de uma empresa, seus lucros já reportados, sazonalidade e momento de mercado.


Mas com as incertezas trazidas pelo COVID-19, as referências ficaram prejudicadas. Dessa forma, o mercado jogou as expectativas para baixo.


Lucro estimado por ação Ibovespa versus Preço

Fonte: Bloomberg. Lucro estimado por ação IBOV (Branco), Preço Ibovespa (Verde).


É plausível esperar resultados fracos das empresas, tanto no Brasil quanto no mundo, ao longo de 2020. A questão é quão mais fracos. Mesmo com essa questão em aberto, fica a impressão de que o mercado descontou demais.


O cenário é eterno?

Pelo que vemos, não parece que vamos vivenciar o fim do mundo agora.


Por isso, com a queda expressiva na Bolsa e inúmeros circuit breakers derrubando preços de ótimas ações, enxergamos oportunidades de ouro nesse momento.


Lembram da falta de oportunidades para encontrar ótimas empresas a preços baixos um mês atrás? Com os desdobramentos dos últimos dias, aquele é um problema que simplesmente deixou de existir.


Preço/Lucro por ação IBOV e EV/EBITDA IBOV

Fonte: Bloomberg. Preço/Lucro Ibovespa (Branco) e EV/EBITDA Ibovespa (marrom).


Trago, portanto, uma mensagem aos investidores que estão enfrentando sua primeira crise.


Para quem viu sua carteira desvalorizar abruptamente nesses últimos dias e não dispõe de mais caixa: não se desespere. Ações de boas empresas, compradas a preços razoáveis, respeitando boas margens de segurança, inevitavelmente convergirão para os fundamentos. É uma questão de tempo — e paciência, acima de tudo.


Para o investidor que já entende o que está acontecendo, e também viu as suas Ações desvalorizarem e tem a sorte de ter caixa nesse exato momento: há muito tempo não tínhamos oportunidades tão boas de comprar Ações.


Não por acaso, os últimos dias foram de movimentação intensa no Nord Dividendos, Nord Small Caps e Nord Deep Value. Após um longo período de muita seletividade em recomendações — para descontentamento de assinantes ansiosos por surfar a onda do momento —, partimos para o ataque.


Aproveite.


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por Matheus Amaral
em 16/03/2020 para Nord Insights

Iniciou sua carreira como auditor e consultor na Ernst & Young, onde permaneceu por cinco anos.

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