BEEF: Enquanto uns choram, outros vendem lenços

Inundações na China têm prejudicado fortemente a produção de carne suína. As informações são do Valor.


Chuvas torrenciais afetam principalmente as províncias mais ao sul do País, algumas das quais ocupam papel importante na suinocultura local. A China é a maior produtora global de carne suína.


Em vários locais, propriedades submergiram por completo. Os eventos climáticos adiaram a construção de novas fazendas e precipitaram o abatimento de porcos. Levantamento da Shandong Yongyi Consultant, consultoria do setor, aponta que os rebanhos suínos das províncias chinesas de Hubei, Jiangxi, Hunan e Anhui recuaram 7 por cento de maio a julho, em grande parte em função da venda de animais precocemente, antes do peso ideal, em razão da onda de pânico provocada pelas chuvas.


Para além do atraso na reconstituição dos rebanhos, credita-se ao fator climático o risco de um novo surto de peste suína africana, doença que vem há pelo menos 1 ano afetando os rebanhos chineses e restringindo a capacidade de oferta de porco no sudeste asiático.


A doença é um dos fatores que têm contribuído para maiores volumes de importação de carne bovina pela China. Há, no país, uma migração quase forçada para outras fontes de proteína animal em razão das dificuldades relacionadas à produção de suínos sob estas circunstâncias.


Uns perdem, outros ganham: frigoríficos sul-americanos têm sido fortemente beneficiados dessa tendência, que também é alimentada pela ocidentalização de padrões de consumo na China e em países vizinhos. São, também, favorecidos por dificuldades de oferta a partir da Austrália e da Índia (esta última, por óbvio, exportadora de carne de búfalo).


Nada coincidentemente, quase 40 por cento das exportações do Minerva (BEEF3) no 2T20 tiveram como destino o Gigante Vermelho. A julgar pelos reveses dos suinocultores chineses, é só o começo.


BEEF3 faz parte da carteira do Nord Small Caps.


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por Ricardo Schweitzer
em 03/08/2020 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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