Banco do Brasil renovando as forças

Na última sexta-feira (24), o Banco do Brasil (BBAS3) comunicou o pedido de renúncia do seu atual presidente, Rubem Novaes, que deixa o cargo a partir de agosto.


Novaes, que era amplamente a favor da privatização do Banco junto ao Ministro da Economia Paulo Guedes, parte deixando um recado importante: o banco precisa de renovação para enfrentar os momentos futuros de muitas inovações no sistema bancário.


Desde 2016 o BB passou por um processo de reestruturação, onde reduziu mais de 500 agências e viveu um severo corte de custos para atingir a rentabilidade de bancos privados —  e tem conseguido.


Fonte: Bloomberg.


O processo teve continuidade na gestão de Novaes, que além de entregar um ótimo resultado em 2019, deu novos contornos a outras áreas do banco. É o caso do braço de investimentos, que terá uma parceria com o UBS, da área de cartões (ainda sem definição sobre o que será feito) e do IPO do Banco Votorantim (suspenso devido à pandemia).


Apesar dos avanços estruturais, o Banco do Brasil ainda não apresentou muitas mudanças no front digital. O setor bancário está passando por fortes transformações no âmbito tecnológico e competitivo, com o surgimento de novas fintechs disputando nichos neste mercado.


O Banco Central, por sua vez, está atuando fortemente para fomentar a competição e os baixos custos dos serviços bancários. Vide o pré-lançamento do PIX (sistema de pagamentos instantâneo), esperado para setembro, e também as iniciativas de open banking — movimento de interoperalização no mercado financeiro a partir de uma ampla base de dados de clientes (previamente autorizada) compartilhada entre as instituições financeiras.


O BB precisa de agilidade. E para isso, o novo CEO vai precisar de bastante gás para enfrentar o aparelhamento de processos que só uma companhia estatal pode oferecer.


Apesar dos pesares, com uma boa rentabilidade e carteira de crédito conservadora, BBAS3 negocia bem descontada dos pares, refletindo, em certo ponto, seus riscos de status quo estatal.


Enquanto não privatizam o banco, aproveitamos a barganha na série Nord Dividendos.


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por Matheus Amaral
em 28/07/2020 para Nord Insights

Especialista em finanças e mercado de capitais pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), atuou como auditor de fundos de investimento e consultor em instrumentos financeiros na Ernst & Young por 5 anos. Após, integrou a equipe de equity research da Toro Investimentos. Ingressou na Nord Research em outubro de 2019, como parte do time do Nord Deep Value.

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