Banco digital, o novo modelo de IPOs

 


O ótimo livro de Michael Lewis sobre Kahneman e Tversky comenta como, na NBA, após o sucesso de Stephen Curry (baixinho e mulato ou “raça-misturada”, como dizem os americanos) criou uma febre por jogadores baixinhos e mulatos.

Nas entrevistas com os times, os jovens jogadores têm muito mais sucesso se tiverem um modelo em mente: “jogo como Stephen Curry”.

Ou “meu estilo é como de Lebron James”.

Afinal, o exemplo facilita nossa compreensão. Rapidamente conseguimos visualizar o jovem jogador chutando bolas impossíveis de 3 ou trombando para uma enterrada espetacular.

E, com a badalação dos bancos digitais, agora, todos os bancos são digitais (#somostodosdigitais). Mesmo que, de digitais, tenham somente os planos.

E, claro, o que não falta nos prospectos dos IPOs é a palavra crescimento: “Aproveite que o resultado melhorou e soca logo no mercado (antes que piore)”.

E o Valor comenta como o BMG planeja um IPO para financiar seu crescimento como banco digital (!).

O pior de tudo é que os banqueiros de investimento ainda conseguem convencer grandes gestores da “enorme oportunidade”.

Claro. Algumas vezes as empresas que fazem IPO são realmente interessantes e possuem mercados promissores. Mas quando os banqueiros de investimento estão envolvidos, sempre desconfie (sempre).

Segundo o Valor, o BMG teve crescimento de mais de 350 por cento em seus lucros e atingiu ROE (retorno sobre patrimônio) de 5,9 por cento – estaremos atentos a mais informações.

No Investidor de Valor adoramos bancos. Gostamos de seus lucros altos e estáveis provenientes de um ótimo negócio de seguridade e serviços – inexistente nos bancos pequenos.

Os bancos pequenos, normalmente, dependem de emprestar dinheiro (crédito), um negócio que parece ótimo até que uma crise arrebenta os balanços e as ações.



Em observância à ICVM 598, declaro que as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma.
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por Bruce Barbosa
em 31/08/2018 para Nord Insights

Possui 16 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pelo BNP Paribas, HSBC e Empiricus Research. Formado em Engenharia de Produção pela USP e possui um MBA pela New York University.

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