Ataque no Iraque: e agora?

Hora de ver quem estava nadando pelado

Esta será uma mensagem breve: prefiro que o essencial dela chegue a você rápido.


Até ontem, quase todo mundo vivia um otimismo sem fim. E os chatos de plantão que pediam uma dose de cautela — como este que vos fala — eram deixados de lado.


Parece que o jogo virou, não é mesmo?


Como já deve ser de conhecimento da maioria de vocês, os Estados Unidos promoveram um ataque na noite passada no Iraque, assassinando Qasem Soleimani, chefe da Guarda Revolucionária do regime iraniano.


Não vou posar de especialista em Oriente Médio aqui: não o sou nem pretendo sê-lo. Mas o que estou lendo a respeito do fato leva a crer que o ataque é um incidente de grande magnitude para as relações EUA-Irã e para a estabilidade do Oriente Médio como um todo.


Pra dar uma ideia do tamanho da encrenca...


O que posso dizer com alguma propriedade — isso sim — é que eventos dessa natureza e magnitude costumam estressar os mercados. Bastante. Principalmente quando levados em conta os patamares atuais de valuation: nem aqui nem lá fora as Bolsas estão uma pechincha, e todo mundo está (e estava) careca de saber disso e embarcando de corpo e alma no modo “vamos ver até onde vai”.


Mercado tem disso: a festa é interrompida (ou acaba) quando alguém passa mal.


Meus caros, prestem muita atenção: este tende a ser um daqueles momentos nos quais a parcimônia nos investimentos mostra sua razão de ser.


É bem provável que tenhamos bastante volatilidade nos próximos dias. Fuga da renda variável, aversão a risco, bolsa pra baixo, dólar e juros para cima, etc. Pacote completo.


É nessa hora que os mais afoitos fazem bobagem. Saem correndo, desesperados. Vocês verão muitos deles, tanto nas pessoas de seu convívio quanto, coletivamente, na forma de homebrokers pintados de vermelho.


Isto é absolutamente normal. Da mesma forma que é normal que os arautos do apocalipse saiam de seu longo período de hibernação e clamem que todos corram para as montanhas.


Não é esse meu papel.


Com relação às séries pelas quais sou responsável na Nord, declaro publicamente: à medida que estamos confortáveis com os valuations da nossa carteira, não faremos nada de imediato.


As recomendações seguirão inalteradas, com a consciência de que preços podem recuar momentaneamente em função de movimentos indiscriminados de venda.


Faz parte do jogo da renda variável.


E acrescento: caso esse evento geopolítico se traduza na abertura de novas oportunidades de compra, faremos novas indicações. Pois é assim que se aproveita essa rodada.


No nosso entender, eventos macro ou político externos costumam abrir boas oportunidades. Porque as ações são vendidas "porque sim", não raro ignorando os fundamentos individuais das empresas — que é a que estamos diuturnamente atentos.


De qualquer forma, um comentário mais genérico — que, para os mais experimentados na bolsa, soará um lugar-vazio: existem dois tipos de empresa que são beneficiárias naturais de movimentos dessa natureza: exportadoras e petroleiras. Exportadoras porque o dólar deve se valorizar contra a maioria das moedas globais, em função do famoso flight-to-quality; petroleiras porque qualquer cutucada no Oriente Médio tem impacto direto no preço do barril.


Aos que nunca enfrentaram algo dessa natureza, peço calma e confiança. É bem provável que o mercado chacoalhe sim, e que não seja pouco.


Mas essas coisas passam. E quem tem estômago para aproveitar esses momentos costuma ser bastante recompensado lá na frente.


É quando a maré desce que descobrimos quem estava nadando pelado…


Por aqui, estamos preparados.


Contem conosco, como habitual.


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por Ricardo Schweitzer
em 03/01/2020 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se economista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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