As novas regras do jogo

A tal da Nova Política mudou tudo.

Na base da conversa

Mundo afora, futuros da Bolsa americana sobem - seria isso um reflexo do tweet do presidente americano sobre o S&P500?

Europa segue em esteira positiva, com dados chineses melhores e petróleo em baixa.

Por aqui, o noticiário local ainda privilegia as ingerências no caso da Petrobrás com o Diesel.

Paulo Guedes, que estava na gringa tentando explicar as nossas jabuticabas para investidores globais, volta às pressas ao País para tentar apagar o incêndio.

Diz ele que tudo é possível resolver na base da conversa.

Mercado deve resistir a acreditar. Ainda mais levando em conta que, nesses pouco mais de 100 dias de mandato, tudo o que não teve no governo foi diálogo.

Esses ruídos têm um preço - ainda mais em tempos de Nova Política.


Novo jogo, novas regras


Em meus tempos de Itaú Asset, o assunto do momento era o impeachment da Dilma.

Conversávamos com diversos consultores políticos, e alguns deles pareciam passar mais tempo com os congressistas do que com as próprias esposas.

Esses caras sabiam de tudo; entendiam o jogo político como ninguém e o que era necessário acontecer nos bastidores para que o processo de exoneração da Presidenta acontecesse.

Comentavam que existia uma espécie de rito a ser seguido, como quem segue uma receita de bolo.

Para citar um exemplo, lembro da seguinte conversa com um deles: “se Fulano for presidente da comissão X e Cicrano presidir a comissão Y, as chances de aprovação aumentam em tantos por cento”.

No jogo anterior, essas regras faziam bastante sentido e os resultados eram mais previsíveis -  lembro que erramos por apenas um voto a votação na Câmara.

Mas hoje o jogo é diferente: a tal da Nova Política mudou tudo e, em minhas conversas atuais, pouco das receitas anteriores parece ainda funcionar.

De pouco adianta olhar a aprovação de Reformas como os mesmos olhos de antes. Seria como analisar a China com o olhar ocidental - um grande desperdício de tempo.

Nesse caos todo, só tenho certeza de uma coisa: será um jogo duro.

E, nesse meio tempo, o mercado vai procurar entender qual é o novo caminho do sucesso em Brasília - e bater muita cabeça ao longo desse processo.

Caminhando no escuro

Já tentou andar pela sua casa com todas as luzes apagadas, num completo breu?

Você até conhece o lugar, os móveis, a disposição geral de tudo... mas ainda esbarra nas coisas ao longo do caminho.

Aprovar Reformas nesse novo cenário tem produzido esse mesmo efeito.

Como o mercado perdeu o caminho das pedras de Brasília, terá de reaprendê-lo conforme o jogo acontece - o que deixa tudo mais arisco e volátil.

O reflexo disso é que o mercado exigirá mais prêmio em tudo, forçando um Real mais depreciado; a Bolsa caminhará mais vagarosamente e os juros de mercado teimarão em cair.

Tudo será, agora, na base de fatos. Acabaram-se só as expectativas.

É o preço que o mercado cobra por não saber.

Mesmo com tudo isso, entenda o seguinte: Governo novo é inexperiente. Vai ter erro de comunicação sim, e muito mais - é do jogo.

Basta relembrar os tempos do primeiro governo Lula, quando ninguém sabia quem era Antonio Palocci (Ministro da Fazenda) e o Vice-Presidente da República questionava publicamente a política de juros do Banco Central - o que pode ter ocasionado, inclusive, o pedido de demissão de Ilan quando era diretor.

Mas o mercado esquece de tudo isso - como, francamente, esquece de todo o resto -, até mesmo porque hoje esses momentos são micro-ranhuras no tempo frente à enorme valorização vista a partir de 2003.

Palavras de um gestor com quem conversei na semana passada. É o benefício de quem já viveu esse Brasil várias e várias (e várias) vezes.

E, assim como ele, é nisso que estou focado: nos movimentos estruturais.

O governo tende a aprender a governar com o tempo, e mais aproveitará os benefícios dele quem se propuser a entrar no jogo enquanto ninguém tem clareza sobre as regras.

Deixe seu dinheiro na mão de quem conhece


Confesso que, enquanto o governo não aprende a governar e o mercado não encontrar o caminho que leva ao pote de ouro, tudo indica que esta será uma caminhada difícil.


Haverá momentos onde será preciso ser mais cauteloso... enquanto, em outros, será hora de atacar com força total.


Nada melhor, então, do que contar com a ajuda de gestores profissionais que conhecem esse Brasil há décadas.

É por isso que deixo grande parte do meu dinheiro para eles tocarem - e me sinto muito tranquilo com isso, dada a seleção de estrelas que temos no Nord Wealth.

Além, é claro, de apostar nas recomendações do Ricardo, no Nord Dividendos, e do Bruce, no Investidor de Valor.

E isso tudo você também pode fazer - e, ainda melhor, em condições especiais com o Combo Nord Essencial - mais em conta que um almoço na região da Faria Lima, e sem riscos de indigestão mesmo em tempos tão complicados.

Abraços.

Em observância à ICVM 598, declaro que as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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por Luiz Felippo
em 15/04/2019 para Nord Insights

Iniciou sua carreira num projeto de renda fixa do Insper com o BTG Pactual. Posteriormente atuou na área de pesquisa econômica internacional do Itaú Asset Management e foi analista de Renda Fixa da Empiricus Research. Formou-se Economista no Insper.

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