As consequências de um juro mais baixo

Estamos no menor patamar de juros da história brasileira.

Estamos no menor patamar de juros da história brasileira. Por anos e anos ouvimos o discurso que o Brasil era o país dos rentistas. Por muitos anos tivemos que nos acostumar com uma inflação alta e reajustando tudo que comprávamos.


Essa realidade está mudando. Vamos perceber aos poucos as consequências de um juro menor.


O efeito positivo ainda é difícil de sentir, pois ele demora para se tornar uma realidade. O que é absolutamente normal. Mas já conseguimos antecipar e perceber alguns efeitos iniciais.


Governo gasta menos


De acordo com discurso de Paulo Guedes ontem, o governo estima que gastará 100 bilhões de reais a menos com pagamento de juros de sua dívida.


Só para se ter uma ideia de comparação: estamos falando de mais de 3 vezes o valor gasto com o Bolsa Família, que é de 30 bilhões.


Com esses recursos, podemos investir em melhorias na saúde e educação, ao invés de ficar pagando os juros altos de um país que não é fiscalmente confiável.


A ação que mais possibilitou que esse sonho se tornasse realidade foi a aprovação da reforma da previdência.  Ela nos permitiu vislumbrar uma estabilização e até reversão do crescimento da Dívida/PIB.


Uma reforma gerou 100 bilhões a mais de recursos em 1 ano, só com a economia em juros. A economia com gastos da previdência está próxima de 800 bilhões em 10 anos.


Ter recursos disponíveis para investimento em setores que geram e aumentam a nossa produtividade é fundamental.


Os países desenvolvidos, por exemplo, deslocaram um volume de recursos brutal para o mercado financeiro durante os QEs (programas de recompra de ativos). Era compra de dívida longa, compra de MBS (títulos de crédito imobiliário), e até compra de ações para algumas economias.


Isso significa dinheiro saindo do bolso do cidadão e indo direto para os detentores de ativos, provavelmente já ricos, que acabaram por empossar esses recursos, ao invés de consumir ou investir.


É uma transferência de investimento que visava evitar um colapso da economia, mas também acabou causando um aumento da desigualdade, e uma baixa perspectiva de crescimento futuro.


Temos a oportunidade de fazer exatamente o contrário em terras Tupiniquins.


Estamos retirando dinheiro dos rentistas, pressionando para que eles invistam nos setores produtivos caso queiram maior rentabilidade, e liberando o governo para gastar mais recursos com o que realmente importa.


E isso é muito bom!


Bolsas e crédito se tornam produtos mais demandados


Outra consequência dos juros baixos é que a bolsa e os títulos de crédito privado se tornam investimentos mais demandados, na busca por rentabilidades maiores.


Mesmo com a alta do dólar e os riscos de crise externa, nossa bolsa está na máxima histórica.


Os títulos de crédito estavam também em níveis máximos de preço e taxas mínimas, até antes da aversão ao risco recente.


Os grandes gestores e alocadores passam a dar mais espaço para esses ativos, e reduzem seu percentual em renda fixa do governo.


Para o País, o efeito benéfico é um mercado de capitais mais ativo e líquido. Diversas empresas estão anunciando IPOs ou emitindo dívida no mercado.


O acesso a capital mais barato reduz as despesas financeiras e torna todas as operações mais eficientes.


Novamente, bom para o País como um todo.


Gringo especulativo sai do País


Essa é outra consequência dos juros baixos. O gringo achava juros de 10 por cento quando investia aqui, aceitando tomar um certo risco. Agora ele não encontra mais essa mamata.


Isso significa que o capital especulativo, que vinha apenas pelo dinheiro "fácil", não virá mais. Por esse motivo, vimos a saída do fluxo de investimentos em títulos de renda fixa crescer nos últimos meses.


Esse movimento prejudica o real no curto prazo, criando um fluxo negativo. Mas beneficia muito o real no médio e longo prazo, conforme o crescimento econômico vá aparecendo.


E o recurso que passa a entrar no país é muito mais saudável, destinado a projetos de infraestrutura, investimentos em venture capital e outros setores que se caracterizam por necessitar de recursos de longo prazo.


Ou seja, o gringo que vier agora virá para melhorar nossa economia interna e ficar por muito mais tempo.


Nada melhor do que isso!


Tirando a fumaça, estamos mais fortes


Tirando toda a fumaça política, os desencontros de partidos, as saídas de condenados das prisões, economicamente, estamos ficando mais fortes e saudáveis.


Passamos os últimos 3 anos em uma clínica de reabilitação e, internamente, estamos preparados para um crescimento sustentável.


O governo não será mais o promotor de crescimento. E isso irá desafogar os gastos públicos e, consequentemente, os impostos.


O setor privado se tornará protagonista, com a sua produtividade mais alta, seus custos financeiros mais baixos, e suas possibilidades de financiamento mais presentes.


Os recursos de investimentos estarão alocados em ativos de maior risco, como bolsa e crédito.


E você, investidor, terá que se acostumar com essas novas realidades.


Bom para o País, ruim para o rentista.


Nessa jornada de mudar a alocação dos seus investimentos, saiba que você pode contar com a Nord para uma opinião isenta de conflito de interesses e totalmente alinhada com você.


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Talvez você já tenha percebido isso. Ou talvez esteja começando agora e ainda não saiba.


Se ainda não sabe, vale a pena acompanhar de perto o conteúdo.


Espero que gostem.


Abraços.


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por Marilia Fontes
em 26/11/2019 para Nord Insights

Possui 11 anos de experiência de mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pelas assets do Itaú, Mauá e Kondor, além de analista da renda fixa da Empiricus Research. Formou-se mestre em Economia pelo Insper.

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