Ainda tem gente que pensa assim

Não mantenha um investimento apenas pelo seu passado glorioso

Não mantenha um investimento apenas pelo seu passado glorioso

As quedas recentes na Bolsa estão sendo encaradas como oportunidades de compra a preços baixos por muitos leitores da Nord. Ficamos extremamente felizes com isso, pois acreditamos que estes investidores, que agem com sangue frio no momento de nervosismo, são aqueles que terão melhor desempenho a longo prazo.

E, diante dessa verdadeira liquidação na tela do home broker, muitos estão resgatando investimentos da Renda Fixa — que, em muitos casos, estavam lá justamente esperando por essa oportunidade.

Mas também há investidores de Renda Fixa mais "apegados" aos tempos áureos do Tesouro Direto e que têm dificuldade de entender um conceito fundamental. Talvez você tenha a mesma dúvida e é sobre isso que vou falar hoje.

Trabalhando há alguns anos com Renda Fixa, percebo que existem algumas perguntas muito comuns entre os investidores e talvez a mais frequente delas envolve o seguinte raciocínio:


“Pretendo levar o título Tesouro Prefixado que comprei a uma taxa de 15 por cento até o seu vencimento, visto que hoje só consigo rentabilidades muito abaixo deste valor.”


Traduzindo: o investidor ainda lembra da taxa vigente quando comprou seu título anos atrás e, por essa razão, fala que vai segurar tal aplicação, pois as taxas atuais são muito mais baixas.

Será que manter investimentos em um título público do tipo Tesouro Prefixado ou Tesouro IPCA+ apenas porque as taxas de juros atuais estão muito mais baixas do que a contratada é a melhor escolha que o investidor pode fazer?

Bom… sem mais delongas, a resposta é NÃO!

Manter investimentos nesses títulos apenas por este motivo não costuma ser uma boa estratégia. Mostrarei a você a razão para isso e como essa pegadinha pode prejudicar a evolução do seu patrimônio se não percebida desde cedo.

Mas antes preciso explicar um conceito muito importante.

Aqui vai um segredo...

Não quero ser estraga prazeres, mas aquele Tesouro Prefixado que você adquiriu a 15 por cento no passado não rende mais essa taxa, mas sim a sua taxa atual — ironicamente aquela mesma que você pode achar baixa demais para investir hoje. A diferença entre as duas rentabilidades você já recebeu por meio da valorização dos seus investimentos.

Deixe-me explicar melhor…

Se você já investiu nos títulos Tesouro Prefixado ou IPCA+, deve ter observado que a quantia aplicada neles muda diariamente. Isso acontece porque eles são marcados a mercado. Ou seja, seus preços são atualizados diariamente de acordo com as mudanças de suas taxas de juros (definidas pelo mercado). Quando as suas taxas caem, seus preços sobem e seu investimento valoriza, e vice-versa.

Esses títulos são dívidas emitidas pelo governo onde só existe uma certeza: o Tesouro Nacional irá recomprá-los em uma data específica, por um preço estabelecido lá atrás no momento da emissão.

Por exemplo: imagine um Tesouro Prefixado que valerá 1 mil no vencimento. Quando adquirimos tal título faltando um 1 ano do vencimento por 870 reais, sabemos que sua rentabilidade de hoje até o vencimento será de 15 por cento.

Agora, se a sua taxa cair repentinamente para, digamos, 6 por cento, para que ele continue valendo 1 mil daqui a 1 ano, o nosso investimento deve deixar de ser aqueles 870 reais para se tornar agora 943 reais.

Fonte: Nord Research.

Tudo isso para te dizer que, pela perspectiva de hoje, não importa mais qual foi a taxa que você comprou aquele título, pois isso é passado. Essa taxa apenas nos diz qual é o lucro ou prejuízo que você terá se optar por vendê-lo antecipadamente.

Mas a análise que você precisa fazer para determinar se deve ou não manter um título como este deve levar em conta as suas perspectivas futuras (ou ao menos deveria ser assim...).

Ora ora… é a mesma lógica de investir em Ações. Se você possui uma Ação que já subiu muito e trouxe alegrias, você não vai mantê-la na carteira apenas por conta de seu passado glorioso. Você precisa se perguntar se tal Ação vai continuar subindo ou não. O que importa é o futuro.  

O mesmo deveria acontecer com a Renda Fixa, mas com uma única diferença: ao investirmos em um título público, como o Tesouro Prefixado ou IPCA+, sabemos exatamente quanto o título vai valer na data do vencimento (no caso do IPCA+, existe apenas a incerteza referente à inflação futura).

E é aqui que a Renda Fixa fica ainda mais interessante. Vamos a outro exemplo?

Se uma Ação fosse Renda Fixa

Imagine uma situação em que você pudesse comprar uma ação da Petrobras (PETR4) a 50 reais, sabendo que daqui a 1 ano ela valerá, com 100 por cento de certeza, 70 reais. Você fez as contas e viu a possibilidade de obter um rendimento garantido de +40 por cento em apenas 1 ano (nada mal, né?), foi lá e fechou negócio.

Agora imagine que, passado uma semana da compra, estoure um conflito no Oriente Médio que reduzirá a oferta global de petróleo e, consequentemente, aumentará o preço da commodity. Digamos que, diante desse cenário, as ações PETR4 passassem a valer 65 reais.

Como a ação é marcada a mercado e você pode vendê-la a qualquer momento pelo novo preço, seu investimento já não vale mais aqueles 50, mas os atuais 65 (concorda?). Ou seja, ele valorizou +30 por cento em uma única semana.

Diante desse evento, você se depara com duas escolhas possíveis:

a.    Segurar a PETR4 por mais 358 dias até ela alcançar o patamar de 70 reais (esse valor não muda de maneira alguma), ganhando os +8 por cento restantes que completariam aqueles +40 por cento garantidos no momento da compra; ou

b.   Vender a PETR4 já na primeira semana, colocar os +30 por cento de valorização no bolso e partir para outras oportunidades com maiores potenciais de retornos do que os +8 por cento restantes que você receberá daqui a 358 dias.


Agora troque o nome PETR4 por Tesouro Prefixado e a alta do Petróleo por queda dos juros prefixados de mercado e voltaremos para o universo da Renda Fixa.  

Qual escolha você faria?

Gestão Ativa e Passiva

Existem duas formas distintas de você gerir seus investimentos em Renda Fixa.

Se você optar pela opção “a” — aguardar a PETR4 valorizar os +8 por cento garantidos — dizemos que você prefere uma gestão passiva de seus investimentos. Ou seja, você prefere comprar um título esperando levá-lo até o seu investimento para, em seguida, investir em outro com a mesma estratégia, e assim sucessivamente.

Por outro lado, se você se identifica mais com a opção “b” — colocar os +30 por cento de valorização pela marcação a mercado no bolso para buscar, nos próximos 358 dias, retornos superiores àqueles +8 por cento a que teria direito — dizemos que você se identifica mais com uma gestão ativa de seus investimentos.

Qual caminho escolher? Bom, acredito que ninguém melhor do que você para dizer o que é melhor ou pior para si mesmo.

Desde que você entenda o conceito. Não há problema algum em você optar por manter na carteira aquele título que comprou a uma taxa enorme lá atrás. Mas saiba que, de agora em diante, ele renderá o mesmo que qualquer título da mesma categoria adquirido hoje.

Não seja apegado ao passado

Muitos investidores adoram o famoso Tesouro IPCA+ 2035. Ele deu muitas alegrias aos investidores nos últimos 4 anos.

Mas repare no gráfico abaixo. Entre os anos de 2012 e 2013, esse mesmo título trouxe aos investidores uma sensação de montanha russa:  


Fonte: Tesouro Direto, elaborado por Nord Research.

Quem tinha o título no início de 2012 viu ele valorizar cerca de 49 por cento até o final daquele ano. Imagino que todos os que pudessem prever o que aconteceu no ano seguinte teriam vendido o Tesouro IPCA+ 2035 antes de assistirem aos fogos do ano novo.

Pois quem permaneceu com o título viu a queda de praticamente todo o ganho do ano anterior. A desvalorização foi de cerca de 32 por cento ao longo de 2013.

O resultado para o investidor passivo, que comprou e segurou, foi uma valorização pífia de 2 por cento dos seus investimentos naqueles dois anos. E o CDI acumulado daquele mesmo período? Foi de 17 por cento.

Imagine alguém falando no início de 2013: "eu não venderei o meu título, pois comprei por uma excelente taxa e vou segurá-lo".

Não estou dizendo que os títulos atuais vão se desvalorizar em 2020. O objetivo aqui é explicar que a taxa contratada no dia que você fez o investimento no Tesouro não existe mais. Todos os dias, seu título é reajustado com a taxa atual.

Então, o provável ganho que você auferiu com a queda das taxas já está na sua conta. O que você precisa se perguntar todos os dias é: "pela taxa atual, eu ainda compraria um título de vencimento longo?".

Se a resposta for negativa, você já sabe o que deve fazer com seus Prefixados e Indexados, não é mesmo?  

Aliás, o seu home broker repleto de cores vermelhas é ideal para você ir às compras e rebalancear seus investimentos. As equipes de Ações do Bruce e do Ricardo estão trabalhando demais nos últimos dias para levar as melhores oportunidades aos assinantes.

Não deixe de conferir na sua área de membros do site da Nord.

Um abraço e até a próxima!


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