Aéreas: Espera sem fim

Pacote de socorro ao setor pode ficar para setembro

Talvez as companhias aéreas se tornem mais compassivas com relação às esperas intermináveis às quais, volta e meia, submetem seus clientes: estão provando do próprio veneno.


O pacote de socorro arquitetado pelo Governo Federal (via BNDES) e por bancos privados, que vem sendo costurado desde abril e tinha conclusão esperada para o começo deste mês, deve ficar para meados de setembro. A informação é da Bloomberg.


Segundo as fontes, credores entendem que, já que não saiu até agora mesmo, melhor esperar para ver os balanços do 2T20. A Gol (GOLL4) publicará seus dados financeiros no próximo dia 31, enquanto a Azul (AZUL4) fará seu earnings release público somente no dia 13/8.


Se é assim, que bom que as empresas têm caixa para esperar até lá: Gol — que tenho acompanhado mais de perto — dispõe de caixa para mais ou menos 12 meses de operações, a depender do efetivo ritmo de queima de caixa ao longo deste segundo semestre (e, também, do desfecho de uma potencial contenda com os minoritários da Smiles (SMLS3), de quem tomou emprestado 1,2 bilhão de reais do caixa). Azul, segundo a matéria, também teria fôlego suficiente.


Dentre as três grandes aéreas atuantes no País, aquela cuja situação inspira maiores cuidados é a LATAM. Não por acaso, no começo deste mês, a Companhia chilo-brasileira decidiu requerer, no âmbito de seu processo de recuperação judicial nos EUA (o famigerado Chapter 11), a inclusão de suas operações brasileiras — que originalmente não estavam lá, justamente porque aguardavam o desfecho das tratativas com BNDES e bancos.


(Ou seja: fizeram muito bem em não contar com o ovo vocês sabem onde)


Em uma situação dessas, pode mais quem tem mais caixa. E, à medida que a demanda por transporte aéreo vai se restabelecendo, isso vai ficando mais claro. É altamente provável que empresas com maior fôlego financeiro neste momento consigam, pelo menos no curto prazo, conquistar market share em cima das demais. Se a tendência perdurará no longo prazo ou não, dependerá fundamentalmente do desfecho do socorro. É bem possível que a LATAM Brasil saia da pandemia substancialmente menor do que antanho.


Bom para sua concorrente mais direta. Com maior overlapping em rotas de alta densidade, a Gol tem tudo para alaranjar ainda mais os céus brasileiros.


Não por acaso, as ações decolaram — e vêm contribuindo bem para a carteira do Nord Deep Value.


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por Ricardo Schweitzer
em 20/07/2020 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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