Aéreas: Asas cortadas

São tempos difíceis para toda a indústria de transporte aéreo, mas muito especialmente para a LATAM.


A recuperação judicial do grupo se desenrola — nos Estados Unidos — desde maio, e passou a abranger a subsidiária brasileira (originalmente deixada de fora, na esperança de que o socorro do BNDES viria logo…) no começo de julho. Por aqui, um programa de demissão voluntária vigorava nas últimas semanas e teve pífia adesão. Agora é chegada a hora de cortar na carne.


Segundo matéria divulgada no Valor a aérea pretende reduzir seu quadro de colaboradores da operação brasileira em 30 por cento até o próximo dia 14. A megaoperação, que abrange pouco mais de 2,7 mil colaboradores, será realizada por meio de videoconferência.


Meus sinceros sentimentos à tripulação, com votos de que todos voltem a voar o mais breve possível.


Desnecessário discorrer sobre as circunstâncias gerais que levaram as aéreas à situação atual: a pandemia da Covid-19 foi simplesmente avassaladora para a indústria. O caso específico da LATAM, contudo, contou com dois elementos adicionais: primeiramente, a Companhia já contava com caixa relativamente curto mesmo antes da crise se configurar.


Em segundo lugar, a reação da Empresa foi, em alguns aspectos, mais lenta do que a de seus concorrentes: tanto GOL (GOLL4) quanto Azul (AZUL4) negociaram muito antes, com suas respectivas tripulações, reduções de salário e jornada. Já a empresa chilo-brasileira seguiu pagando a folha integral. Quiçá na expectativa de que as coisas não piorariam tanto; quiçá contando que o pacote de financiamento de bancos privados e BNDES sairia logo — o bendito é aguardado desde meados de abril…


Fato é que as coisas não melhoraram — pelo contrário: com maior participação de rotas internacionais em seus voos, a Companhia foi até mais afetada do que as concorrentes. Fato é que o tal pacote ainda não saiu (e pouco se tem ouvido falar a respeito).


Deu-se melhor quem foi mais prudente: quem tinha mais caixa e agiu mais depressa no reequilíbrio das operações em meio à tempestade. Essa decisão há de se traduzir, no futuro, em um céus mais alaranjados e azulados (e menos avermelhados) em terras tupiniquins.


No Nord Deep Value, embarcamos no avião certo. Em meio a todo o estresse do setor, colhemos resultados absolutamente sem escalas priorizando quem tinha mais caixa às vésperas da pandemia.


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por Ricardo Schweitzer
em 07/08/2020 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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