Aceite a incerteza e invista melhor

Precisamos viver em paz com o que não sabemos ou não controlamos

A escola nos ensina errado

A indefinição sobre o resultado final das eleições presidenciais norte-americanas nos últimos dias me fez refletir sobre o quanto nosso cérebro não é programado para lidar bem com a incerteza.

Somos sempre desencorajados a dizer “eu não sei”; esta expressão costuma ser interpretada como vaga, sem valor ou até evasiva. Mas no mundo dos investimentos, aprender a se sentir confortável com o “eu não sei” é essencial para que você seja capaz de tomar melhores decisões.

Aceitar o “eu não sei” não é fácil.

Na escola, somos treinados a interpretar o “eu não sei” como uma coisa ruim, uma falha de aprendizagem. Escrever “eu não sei” como resposta em um teste será marcado como errado.

Admitir que não sabemos tem uma indevida reputação ruim.

É lógico que a busca pelo conhecimento deve ser encorajada, mas o primeiro passo é entender o que não sabemos. Admitir o que não é sabido não é um fracasso, mas sim um passo necessário em direção ao conhecimento.

Os cientistas sabem disso e têm como filosofia que “a ignorância consciente é o prelúdio para qualquer real avanço”. Acredito que isso seja válido para qualquer boa tomada de decisão.

Inclusive, o que distingue uma boa decisão não é um bom resultado, mas sim um bom processo aplicado durante a tomada de decisão. E um bom processo de decisão precisa incluir uma boa representação do seu estado de conhecimento, que leva em conta tudo aquilo que você sabe que não sabe ou que não tem controle.

Assim sendo, aceitar a incerteza é fundamental para que um entendimento mais amplo da realidade seja um objetivo alcançável.


Aceite o “eu não sei”

Para tomar boas decisões de investimentos, você precisa transformar a definição negativa do “eu não sei”, que pode soar como falta de competência ou confiança, em algo neutro.

Não estou falando sobre não conhecer profundamente a empresa por trás da Ação que você investe, isso é uma obrigação.

Mas de reconhecer que, por mais que seja possível estimar as chances de um evento acontecer ou de traçar diversos cenários, ainda não será possível saber o que realmente vai acontecer.

Em vez de buscar por certezas, busque compreender qual é o nível de incerteza e quais podem ser os seus retornos diante das diferentes possibilidades de resultados (sempre incluindo uma margem de erro para o inimaginável).

Logicamente, sua capacidade de avaliar bem uma empresa vai depender da quantidade de informações que você tem acesso e da sua experiência. Contudo nem toda a informação disponível e/ou experiência do mundo vão te permitir saber o que realmente vai acontecer.

Seu objetivo deve ser identificar e compreender os diferentes ativos disponíveis, entender suas chances de sucesso em cada um deles e escolher um conjunto de ativos em que seu retorno esperado é maximizado, levando em conta o seu apetite e tolerância ao risco.

Aceitando que você não sabe o futuro, você dá o primeiro passo para conseguir desenhar uma representação mais acurada da realidade. Entendendo que a certeza não é uma necessidade, você evita cair na armadilha de pensar somente no preto vs branco.

Categorizar suas opções de investimento nos extremos de “certo ou errado”, sem considerar a infinidade de possibilidades que realmente existem, mina sua capacidade de alocar bem seus recursos e de tomar as melhores decisões de investimento.

O segredo é aprender a viver em paz em um mundo onde não é possível saber o futuro, tentar não enxergar tudo com tanta objetividade e, ao mesmo tempo, buscando aprender cada vez mais para que as probabilidades sejam cada vez menos importantes.


O growth investing me encanta

Quem já me conhece há algum tempo sabe o quão obcecado eu sou pelas empresas de alto crescimento.

O que mais me encanta nelas é o fato de que, apesar do maior nível de incerteza (uma vez que o valor está nos lucros futuros), seus acertos são muito bem recompensados.

Uma carteira de Ações focada no growth investing pode, sim, incluir um número maior de decepções, mas as probabilidades estão do seu lado, uma vez que seu maior erro não vai te custar mais do que -1x o capital investido. Por outro lado, seus acertos podem multiplicar seu capital por 3x, 5x, 10x.

No NORD 10X, não tentamos adivinhar qual será a maior alta da Bolsa ou qual será a empresa que vai entregar o maior crescimento de resultados. Buscamos apenas construir uma carteira diversificada de empresas que, de acordo com a nossa visão, o mercado não precifica corretamente o valor do crescimento. Então acompanhamos de perto cada resultado reportado.

Em alguns casos, estaremos certos. Em outros, estaremos errados. Mas por meio de um processo consistente e uma análise profunda, além de generosas doses de disciplina e, principalmente, de paciência, temos a tranquilidade de saber que boas decisões estão sendo tomadas.

Não que o processo seja mais importante que o resultado – afinal o que está em jogo aqui é o seu patrimônio. Porém, apenas um bom processo permite que bons resultados sejam alcançados sem que a sorte (sempre bem-vinda) seja um fator fundamental.

Conte conosco para ajudar você a conviver com as incertezas.

Um abraço,

Ragazi.


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por Rafael Ragazi
em 06/11/2020 para Nord Insights

Iniciou sua carreira como Analista na Investor Consulting Partners (assessoria especializada em M&A e finanças corporativas).Posteriormente, foi Gerente de Novos Negócios na Wise Up|Somos Educação (enquanto investida da Tarpon Investimentos) e Sócio responsável pela área comercial e membro do comitê de investimentos da Luminus Capital Management.

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