A segunda onda chegou

É hora de avaliar potenciais impactos em seu portfólio

Entre a cruz e a espada

Passada a eleição, nem se ouve mais falar em Biden e Trump – tampouco nos tão sonhados estímulos econômicos que embalaram as Bolsas há não muitas sessões atrás.


As atenções estão oficialmente concentradas no recrudescimento da pandemia da Covid-19, que já se fazia presente em solo europeu em meio ao escrutínio americano e, agora, ganha proeminência também deste lado do Atlântico.


Mercados reagiram mal, ontem, ao anúncio de novas medidas de restrição à circulação visando desacelerar a nova onda de propagação do vírus, que volta a produzir recordes diários de infecções. Em Nova York, escolas serão fechadas e, alhures, outras medidas começam a ser implementadas.


O mercado alterna entre o temor de novas restrições severas, com impactos econômicos relevantes, e a esperança em torno das vacinas.


Hoje, ao que tudo indica, falarão mais alto os temerosos: a manhã é de quedas na Europa e a mesma tendência se apresenta do lado de cá.



Uma questão de timing


Tenho recebido alguns questionamentos, em especial de assinantes do Nord Small Caps, sobre os riscos e oportunidades decorrentes do atual estágio do desenvolvimento das vacinas.


Não restam dúvidas de que será um alívio tremendo quando estas estiverem aprovadas e amplamente disponíveis. O problema, aqui, é que existe um lapso temporal relevante a ser enfrentado.


Não se trata simplesmente de aprovar as vacinas: trata-se de produzi-las e distribuí-las em larga escala. Isso leva tempo e impõe desafios relevantes – principalmente no tocante à distribuição.


Não se iluda: vai levar alguns meses até que elas estejam amplamente disponíveis. E, enquanto isso não acontece, a disseminação do vírus tem tudo para ser, sim, um problema relevante.


Isso se traduz na possibilidade expressiva de termos uma nova rodada de medidas restritivas, com impacto na atividade econômica, logo à frente.



A segunda onda chegou


Tenho acompanhado – e imagino que eu não seja o único – com atenção e curiosidade os últimos dados acerca de ocorrências da Covid-19.


Alguns poderão dizer que há dificuldades adicionais na comparação em função da maior disponibilidade relativa de testagem. Outros dirão que a relação entre infecções e internações (o que, trocando em miúdos, se traduz na proporção de casos graves versus o total) é substancialmente diferente da vista na primeira onda.


São todos argumentos aceitáveis, mas que não mudam a conclusão: se a situação continuar acelerando, enfrentaremos os mesmos problemas vivenciados meses atrás e, potencialmente, evocando as mesmas medidas.




Não tem bala de prata


Uma nova pancada na atividade econômica pode impactar de forma relevante não somente produção, emprego e renda.


Puxar o freio de emergência se traduz, também, em reduzir (novamente) o ritmo da arrecadação. E a situação fiscal nas diferentes esferas não é das mais confortáveis.


Não por acaso, as preocupações com a situação fiscal brasileira voltaram a se intensificar.


Ademais, em se concretizando uma segunda onda relevante, a margem de manobra disponível com relação à renda – como o Auxílio Emergencial em vigor – é substancialmente menor que a de antanho.


Isso não tem vacina que resolva.



Lição de casa

Acabamos de sair da temporada de resultados do 3T20. Temos um retrato bastante atualizado da situação das empresas.


Estamos, do lado de cá, nos debruçando sobre algumas questões-chave: o tamanho dos impactos operacionais dos trimestres anteriores – para, a partir deles, inferir o que esperar caso o caldo realmente entorne – e, ainda mais importante, a alavancagem financeira.


Se dá melhor quem tem mais margem de manobra para lidar com as adversidades.


Se você está, neste momento, em busca de oportunidades com potenciais extraordinários de ganho, sugiro fortemente que repense: privilegie a resiliência.


Estou particularmente tranquilo com a maioria das empresas da carteira do Nord Dividendos. Algumas das quais, aliás, passaram completamente ilesas a tudo o que vivemos até aqui.


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por Ricardo Schweitzer
em 19/11/2020 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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