A euforia durou pouco

Falta de acordo definitivo reacende ceticismo

A euforia durou pouco

A euforia após os EUA capitularem da imposição de novas tarifas a produtos chineses durou pouco: a falta de um acordo definitivo e assinado leva investidores a questionarem a magnitude do otimismo do mercado por esses dias.


Não que já não fosse sabido que chegaríamos ao final de 2019 assim, não é mesmo?


Nesse tom, praças do Velho Continente têm dia de queda moderada e futuros de NY apontam, também, para o vermelho.


Aguardemos os próximos tweets.




Menção honrosa

A tarde de ontem trouxe um daqueles momentos históricos que, na hora, passam despercebidos. Façamos jus, aqui, à sua relevância: o CDS (Credit Default Swap) brasileiro de 5 anos atingiu o menor patamar em 9 anos.


O CDS é o popularmente chamado risco país — o custo de se contratar um seguro contra um default (calote) da nossa dívida soberana. Quanto menor o CDS, menor a percepção de risco acerca das nossas finanças.


Verdade que o movimento é beneficiado pelo momentum global: outros países, como Rússia, Colômbia, México e Turquia também têm tido reduções sistemáticas nos CDSs. Mas não se podem ignorar os méritos locais: o gringo está, sim, percebendo uma melhora de fundamentos por aqui.


Especial menção ao fato de, a despeito da persistente atribuição a Buenos Aires do título de capital brasileira, a nova rodada de presepadas econômicas dos hermanos não está nos contaminando. Dessa vez é diferente? Veremos.

PFRM: Agora vai?

Matéria no Valor de hoje confirma a sensação que tenho carregado nos últimos dias: parece que, após um longo (e põe longo nisso…) sono, o mercado redescobriu que Profarma (PFRM3) é listada.


Passamos bastante tempo no Nord Small Caps apontando para a melhora sequencial de resultados da Companhia — que, após um longo período de digestão de dificuldades no varejo, parece (finalmente!) estar de volta aos trilhos.


Uma das grandes dificuldades do pequeno investidor, quando o assunto é small cap, é o exercício da milenar arte de sentar e esperar: às vezes simplesmente demora para o resto da turma colocar a bunda na cadeira, estudar uma empresa e, munida das conclusões, decidir fazer alguma coisa.


Até que, num belo dia e sem prévio aviso… a Ação “acorda” — desencanta, como diria uma das gigantes sobre cujos ombros me apóio.


Desafios seguem relevantes? Sim: a capacidade de expansão do varejo segue limitada pela geração de caixa da operação. E a distribuição — que segue como core da Companhia — é um negócio de margens muito apertadas. Muito mesmo.


Parabéns aos que foram suficientemente pacientes.


BRKM: Fogo no parquinho

Que as coisas não andam fáceis na outrora poderosa Odebrecht, não é mais novidade. Tampouco os motivos da débâcle do grupo baiano.


Em meio a tratativas natalinas de reestruturação de suas dívidas — estariam eles esperando que o espírito da época amolecesse o coração dos bancos credores? —, o comando da holding da família acaba de mudar: entra Ruy Sampaio, homem de confiança do patriarca Emílio.


As recentes desventuras do conglomerado colocaram em lados opostos da mesa o pai e o filho Marcelo, que luta para voltar ao comando após o cárcere.


Acompanhar o desenrolar da briga é relevante para a tese de Braskem (BRKM3).


A empresa é a galinha dos ovos de ouro da ODB; o ativo com cuja geração de caixa o grupo conta para se manter vivo.


Ocorre que sua participação na petroquímica foi dada aos bancos como garantia real de determinadas operações. Ou seja, não entra na Recuperação Judicial.


Por que os bancos simplesmente não executam a garantia, tomam a Braskem e a vendem?


Em primeiro lugar, porque o atual valor de mercado da participação não cobre o valor dos empréstimos e financiamentos.


Em segundo lugar, porque fazer isso é como desligar os aparelhos do grupo baiano: a recuperação de todos os demais recursos emprestados à ODB se tornaria bem mais difícil tirando-lhes a petroquímica.


A novela é boa. Aguardamos os próximos capítulos lá no Nord Deep Value.


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por Ricardo Schweitzer
em 17/12/2019 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se economista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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