A economia da profecia

Quando se trata de prever o futuro, a ignorância é um clube do qual todo mundo é membro.

Três em um

Recentemente, tenho estudado bastante sobre inovação e tendências. Um dos livros que estou lendo, Hit Makers, de Derek Thompson, não é exatamente sobre investimentos, mas fala sobre a história secreta por trás de produtos que se tornaram fenômenos.

No capítulo homônimo a este texto, Derek fala sobre o comportamento prostálgico dos seres humanos, isto é, como nos sentimos encantados por previsões.

Mas o grande problema é que, na maioria das vezes, as previsões acabam se mostrando completamente equivocadas.

Em janeiro de 2007, Steve Jobs, fundador da Apple, prometeu ao mundo 3 produtos revolucionários: um iPod widescreen com controles por toque na tela, um celular revolucionário e um inovador dispositivo de comunicação via internet.

Na verdade, esses três produtos revolucionários eram um único produto, que combinava todas essas funcionalidades em um e foi batizado como iPhone.

O ex-CEO da Microsoft, Steve Ballmer, considerou um celular de 500 dólares como algo para lá de ridículo, disse inclusive que não haveria chance alguma de o iPhone abocanhar uma fatia relevante do mercado.

Empresas especializadas produziram relatórios dizendo que o produto seria um fracasso, que um dispositivo “tudo-em-um” tinha como origem limitações financeiras e não uma aspiração.

A empresa Universal McCann chegou a fazer uma pesquisa e previu que o iPhone enfrentaria dificuldades para vender em mercados desenvolvidos como EUA, Europa e Japão porque seus consumidores não trocariam seus belos celulares, câmeras e tocadores de música por um único aparelho que não era realmente bom em nada.

O grande problema das previsões foi definido com maestria por Derek: “o futuro é uma anarquia que se recusa a ser regida até mesmo pelas previsões mais sólidas”.

O que aconteceu depois, todos sabem.

Inclusive, a probabilidade de você estar lendo este texto na tela do produto que se tornou a invenção de hardware mais lucrativa dos últimos 50 anos é bem alta.

Em menos de 4 anos, a Apple já valia mais que a Microsoft.

Gráfico apresenta Market Cap da Apple (verde) e da Microsoft (branco).

Market Cap da Apple (verde) e da Microsoft (branco). Fonte: Bloomberg.

Mas não podemos dizer que Ballmer ou a McCann estavam errados. De fato, apenas 30 por cento das pessoas na Alemanha, Japão ou EUA responderam positivamente quando perguntadas sobre a ideia de um dispositivo portátil que fazia tudo.

Era um produto nunca antes visto, não compreendido. A Apple gastou bilhões de dólares e passou 5 anos projetando um produto que os americanos realmente não queriam.

Até que, quando ele estava pronto, todos passaram a desejá-lo. A concorrência passou a copiá-lo (ex: Samsung) ou praticamente desapareceu do mercado (ex: Nokia).

Citação de Steve Jobs: "As pessoas não sabem o que querem, até mostrarmos a elas".


A transformação digital

Para identificar produtos (ou empresas) que estão caminhando em direção a um grande sucesso, é preciso ter uma tolerância a ideias que parecem ruins ou até mesmo a ideias que parecem boas mas dão errado por conta de um timing ruim.

É inevitável que boa parte das ideias inovadoras fracasse, mas acontece que um grande acerto pode pagar por diversos fracassos.

É assim que as empresas realmente inovadoras prosperam.

É assim que quem investe em crescimento prospera.

Em muitos casos, quem investe em crescimento vai ser considerado louco ou até atacado por um coro de céticos. Mas apenas quem enxerga a realidade com olhos diferentes da maioria consegue capturar essas grandes valorizações.

Confesso que, em um mundo de informações abundantes e transparentes, encontrar empresas que combinem um grande potencial de crescimento e preços que ainda não reflitam adequadamente seu potencial não é das tarefas mais fáceis.

Afinal, se todos os investidores enxergarem a mesma coisa, a alta demanda vai elevar o preço de suas ações até o ponto em que o potencial de valorização deixe de compensar os riscos e as incertezas.

Mas desde que você esteja disposto a errar, é possível encontrar uma boa oportunidade sem precisar fazer uma previsão sobrenatural ou adivinhar o futuro.

O caso mais emblemático de crescimento no passado recente da bolsa brasileira é o da Magazine Luiza (MGLU3).

Quem investiu na empresa no fim de 2015, multiplicou seu capital por mais de 344 vezes. É tentador fazer simulações de quanto dinheiro você teria caso tivesse investido na empresa neste ponto.

Mas sejamos sinceros: por que você colocaria dinheiro em uma empresa que estava dando prejuízo e não parecia saber o que fazer para mudar tal realidade?

Vamos analisar o case de uma maneira mais realista, na ótica de uma oportunidade que realmente poderia ter sido aproveitada.

Infográfico sobre ciclos estratégicos (Magazine Luiza): 

1957 – Dona Luiza (Fundação)
1991 – Luiza Helena (Crescimento)
2009 – Marcelo Silva (Consolidação)
2016 – Frederico Trajano (Transformação digital)

Ciclos estratégicos. Fonte: Magazine Luiza.

Em 2016, a empresa apresentou ao mercado sua estratégia de transformação digital. Sob o comando de Frederico Trajano, o objetivo era muito claro: a empresa deixaria de ser uma varejista com uma área digital e passaria a ser uma empresa digital com pontos físicos e contato humano.

Gráfico mostra crescimento E-commerce (R$ Bi), de 2014 a 9M17.

Crescimento do e-commerce. Fonte: Magazine Luiza.

No fim do ano seguinte, a empresa já havia dado importantes passos em direção ao seu objetivo e, o mais importante, as sinalizações do potencial de crescimento já eram visíveis.

Gráfico mostra Cotação (branco) e lucros dos últimos 12 meses (verde) de MGLU3.

Cotação (branco) e lucros dos últimos 12 meses (verde) de MGLU3. Fonte: Bloomberg.

Quem investiu na empresa no final de 2017, quando os resultados da transformação digital já começavam a aparecer e os lucros da empresa já estavam em ascensão, encontrou uma tenbagger e multiplicou seu capital por 9,5x, uma vez que os lucros da empresa só cresceram desde então (até a crise de 2020).


Suas próprias tenbaggers

Quando se trata de prever o futuro, a ignorância é um clube do qual todo mundo é membro.

Essa é uma das frases que mais me marcaram no livro de Derek Thompson. De fato, investir em crescimento acreditando que é possível adivinhar quais ações vão entregar a maior valorização é um dos caminhos mais curtos até o fracasso.

Mas o fato é que, apesar de ser impossível prever o futuro, você não precisa fazer isso para encontrar umatenbagger (multiplicar seu capital por 10x em uma ação).

No NORD 10X, buscamos por empresas que já estão apresentando sinalizações concretas do seu potencial de multiplicação de lucros, mas que não têm seu crescimento devidamente precificado pelo mercado.

Investir em growth não é simplesmente fazer apostas no escuro ou aceitar pagar qualquer preço pelo crescimento esperado. Investir em growth demanda muita disciplina e diligência na escolha dos ativos, assim como para identificar bons momentos de compra e venda.

Se você quer se expor ao alto potencial de valorização das ações de crescimento sem correr riscos desnecessários, te convido a conhecer a estratégia do NORD 10X.

Você tem um período de 30 dias de degustação para conhecer nosso trabalho e analisar se a nossa estratégia (baseada nos ensinamentos de Peter Lynch) faz sentido para o seu perfil e objetivos financeiros. Por que não experimentar? Você pode se surpreender.


Abraço,


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por Rafael Ragazi
em 08/01/2021 para Nord Insights

Iniciou sua carreira como Analista na Investor Consulting Partners (assessoria especializada em M&A e finanças corporativas).Posteriormente, foi Gerente de Novos Negócios na Wise Up|Somos Educação (enquanto investida da Tarpon Investimentos) e Sócio responsável pela área comercial e membro do comitê de investimentos da Luminus Capital Management.

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