A árvore e a floresta

Pós-ressaca

Mercados internacionais iniciam a semana em clima de bom humor, com sinalizações de tratativas entre EUA e China por um acordo em meio à recém-deflagrada guerra comercial.

Aqui, atenções voltadas ao TRF-4 e desdobramentos no cenário eleitoral. Sobre isso, indiretamente, dois comentários que não posso deixar de fazer: i) a raiva que O Mecanismo despertou por parte da tchurma é, por si só, evidência de que todo mundo deveria assisti-la e ii) o timing da entrevista de Sérgio Moro ao Roda Viva, hoje, é coisa para estupefazer. quem não acredita em destino.

 

Ninguém truca ele

Tem uma guerra lá fora, e há tanto em jogo que as negociações por um tratado de paz mutuamente vantajoso avançam mais rápido que as tropas mais ligeiras.

Ontem, o Secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, revelou que Washington e Pequim já estão negociando alternativas ao tarifaço anunciado por Trump.

Diga-se o que quiser: ninguém parece disposto a trucar Donald, e ele parece saber usar isso — e muito bem — a seu favor.

 

A árvore e a floresta

Diante do potencial alívio em torno da questão, talvez tenhamos a oportunidade de aferir quanto do estresse do mercado na semana passada efetivamente tinha a ver com isso…

…ou correspondia a questões de ordem mais estrutural, tais como o custo de capital no longo prazo aumentando, valuations esticados, preocupações crescentes com a inflação (que, como já comentamos, parecem ainda não ter chegado ao Fomc) e maior ceticismo quanto aos prospects de crescimento econômico no longo prazo.

Em outras palavras: cuidado para, de tão atento à árvore, não descuidar da floresta.

 

Rodar é preciso (I)

O Valor antecipa, hoje, um resumo dos dados da pesquisa de frota circulante a ser divulgada pelo Sindipeças nos próximos dias. Como destaque, a informação de que a idade média dos veículos em circulação no País aumentou para 9 anos e 7 meses.

Isso considera tudo: carros de passeio, caminhões e ônibus. Interessa-me mais o dado segmentado, à medida que cada um desses responde a drivers distintos de demanda.

Enquanto a demanda por automóveis é, fundamentalmente, função de consumo e crédito, caminhões e ônibus respondem a crédito e investimento. Não por acaso, foi nos veículos pesados que tivemos, nos últimos anos, as oscilações mais significativas.

Com a demanda (artificialmente?) ampliada por expectativas demasiado otimistas e programas de concessão de crédito em condições de pai para filho (FINAME-PSI), operadores de frota se viram diante de condições irresistíveis para encher as garagens. Pena que a demanda não veio e, consequentemente, a utilização da frota caiu.

 

Rodar é preciso (II)

Mas não há mal que para sempre dure nem bem que nunca se acabe. Seja por retomada de atividade, seja por depreciação dos veículos adquiridos (o que implica, no final das contas, reconhecer que mesmo com crédito de pai para filho a compra não foi tão boa assim), uma hora o sujeito se vê na necessidade de comprar de novo.

Olho com especial atenção para ônibus, isto porque as concessões costumam ter restrições quanto à idade da frota e também porque, a despeito da recuperação vista ao longo de 2017, o nível atual de produção parece insuficiente sequer para manter a atual.

E nesse mercado, Marcopolo (POMO4) reina virtualmente sozinha.

 

Ricardo Schweitzer, CNPI

Em observância à ICVM 483, declaro que i) as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma; ii) não possuo vínculo com pessoa natural que trabalhe para o emissor de qualquer valor mobiliário mencionado neste relatório; iii) não sou titular de valores mobiliários objeto deste relatório; iv) não estou envolvido, direta ou indiretamente, na aquisição, alienação ou intermediação dos valores mobiliários objeto deste relatório; v) não tenho qualquer interesse financeiro em relação a qualquer dos emissores objeto deste relatório.

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por Ricardo Schweitzer
em 26/03/2018 para Nord Insights

Possui 14 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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