A alta do dólar veio pra ficar?

Ontem o real superou a cotação de 4,20 reais por dólar. Nunca tínhamos alcançado este patamar desde a criação do plano real.

Black Friday no Real

Ontem o real superou a cotação de 4,20 reais por dólar. Nunca tínhamos alcançado este patamar desde a criação do plano real.


Enquanto gringo está completamente fora do Brasil, porque teme o Chile, a Argentina, a Bolívia e a Venezuela, o local vai fazendo seus hedges de final de ano.


Mas nós não somos Chile, Argentina, Bolívia e nem Venezuela.


Nós somos uma das únicas economias do mundo com perspectiva de crescimento de 2,5 por cento para mais no ano que vem.


Eu diria que essa cotação do dólar está indo para black friday pra quem quiser entrar no Brasil.


A própria bolsa em dólar ficou bem barata nos últimos dias.  


A inflação aqui segue baixa, os juros vão demorar um pouco para subir, e nossas contas nacionais estão controladas (ao contrário de muito país desenvolvido).


Mas isso não é tudo!


Compre na Black Friday e ganhe ainda um descontinho extra de 7 por cento em relação a cotação do mês anterior!


Se você achava que a bolsa brasileira estava cara, na máxima histórica, precisa ver esse gráfico da bolsa brasileira em dólar (o EWZ):  


Fonte: Bloomberg


As consequências de um dólar mais alto


Muitas pessoas vão me perguntar, a partir de agora, quais as consequências de um câmbio mais depreciado para os seus investimentos.


Primeiro darei a resposta óbvia. Depois, vou falar o que realmente quero falar.


Com o dólar mais forte, reduzem-se as apostas em quedas mais agressivas da taxa de juros. O real mais alto entra no modelo do BC jogando as projeções de inflação para cima. E, com isso, reduzindo o espaço para o BC cortar juros.


Além disso, empresas exportadoras que tenham suas receitas em dólar e custos em reais também ganham com uma cotação mais alta da moeda. Da mesma forma, empresas cujos insumos são comprados lá fora e as receitas estão em real, são as grandes prejudicadas.


Dito tudo isso, eu não embarcaria nessa nova "tendência".


Embora o dólar esteja circunstancialmente subindo, volto a reforçar que estamos no bom caminho.


Contas públicas controladas, políticas liberais, crescimento puxado pelo setor privado, crédito mostrando sinais de melhora importante, inflação controlada, juros baixos, crescimento batendo.


Não vejo grandes problemas estruturais quando olho para dentro do país. Os problemas estão fora. Tanto nos nossos vizinhos, quanto no baixo crescimento do resto do mundo.


Ou seja, passada a tormenta, que eu realmente não sei quando vai acontecer, devemos ver essa cotação voltando por aqui.


Então não perpetuaria essa cotação como um novo normal.


Mas, sim, como uma boa oportunidade de black friday, que pode até se estender para o final do ano, mas deve se reverter em algum momento.


Aproveite para fazer suas compras!


Bons negócios.


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por Marilia Fontes
em 19/11/2019 para Nord Insights

Possui 11 anos de experiência de mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pelas assets do Itaú, Mauá e Kondor, além de analista da renda fixa da Empiricus Research. Formou-se mestre em Economia pelo Insper.

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