3 eventos importantes que rolaram ontem


Minuto SELIC

Como a maioria já deve saber, ontem foi dia do Comitê de Política Monetária (Copom) decidir sobre a taxa de juros do país (SELIC).

Mas antes que eu me meta a falar qualquer "besteira", eu pedi para nossa rainha da renda fixa, Marilia Fontes, fazer um comentário sobre o que ela identificou de mais importante no comunicado e o que devemos esperar de cortes daqui para frente.

Segue a notinha que ela me enviou agora pela manhã:

O Banco Central reduziu ontem a Selic de 3 por cento para 2,25, como já era amplamente esperado pelo mercado.

Porém, enquanto muita gente achava que ele pararia por aí, o comunicado abriu a porta para mais uma queda:

“Para as próximas reuniões, o Comitê vê como apropriado avaliar os impactos da pandemia e do conjunto de medidas de incentivo ao crédito e recomposição de renda, e antevê que um eventual ajuste futuro no atual grau de estímulo monetário será residual.”

Residual aqui significa 25 pontos base. Ou seja, caso o BC não seja surpreendido com um consumo forte por conta dos programas de estímulo ao crédito e do auxílio de 600 reais, pode haver espaço para mais uma ou duas quedas de 25 bps.

Minuto Otimismo

Ontem também foi dia do ministro Paulo Guedes falar, e quando ele fala, a gente senta para escutar.

No discurso, o ministro afirmou que finalizando as reformas emergenciais, o governo deve voltar com as reformas econômicas.

"Vamos continuar reformando o País em uma direção liberal" disse.

Recordo que, há uns 10 dias, o Rodrigo Maia também já sinalizava uma reaproximação com o governo e teríamos um Congresso aparentemente mais favorável em aprovar as reformas.

Eu realmente preciso me policiar com esse tipo de notícia, porque um dos meus piores vieses é ser otimista demais.  

Quando ouço os discursos do Guedes então…

Mas parece que o mercado também comprou a ideia. Em dia de vencimento de contratos futuros, o Ibovespa fechou em alta de 2,2 por cento aos 95.547 pontos.

Eu sinto que o que está precificado na bolsa hoje é:

  1. Uma retomada antes do previsto das principais economias, dados econômicos surpreendendo e uma disposição muito forte dos bancos centrais em estancar a ferida.
  2. A sensação de estarmos cada vez mais próximos de encontrar soluções eficazes para o tratamento do coronavírus e de uma vacina milagrosa.
  3. Taxas de juros muito baixas: 90 por cento do estoque de títulos soberanos de países desenvolvidos negociam abaixo de 1 por cento ao ano, gerando fluxo para ativos de risco como ações (There is No Alternative — Não existe alternativa).

Por aqui, a história não é muito diferente.

Com Selic a 2,25 por cento ao ano, os juros de curto prazo já negociam praticamente a uma taxa real negativa.

Mas... preste bem atenção: com as reaberturas e o encerramento da quarentena, o tema das reformas, que a gente já não fala há algum tempo, vai voltar à tona.

E isso vai voltar a impactar o preço na bolsa por aqui.  

O Brasil vai ter, obrigatoriamente, que sair desta crise fazendo reformas.

Mesmo antes dela, já tínhamos déficits primários e nominais bastante  relevantes, com uma dívida pública elevada.  

O Bruce fala muito disso lá no telegram do ANTI-Trader e eu concordo 100 por cento com ele.

Só dá para pensar em uma bolsa negociando nos níveis acima de 100 mil pontos se tivermos uma agenda favorável neste sentido.

Lembrando que daqui a pouco teremos de volta a temporada de resultados das empresas da bolsa.

Em suma, me parece que o mercado voltou a mostrar alguns sinais de euforia. E não digo isso apenas baseado nos 95 mil pontos do Ibovespa.

Algumas ações já voltaram a negociar em um clima de oba-oba, com aquele mesmo papo disruptivo de sempre.

O que me deixa mais tranquilo é saber que ainda conseguimos encontrar ações que foram largadas na crise e que negociam a valuations atrativos.

Por isso, recomendo cautela e seletividade para sua carteira. Talvez seja o momento de vender aquilo que já andou demais e trocar por ações com melhor margem de segurança.

Minuto Gratidão

Ontem foi um dia muito legal e importante aqui na Nord. Se não fosse o período de quarentena, o happy hour no escritório teria ido longe.

Fizemos uma live às 16h de uma quarta-feira e atingimos mais de 7 mil espectadores simultâneos.

Link do vídeo.

Quem acompanha o que é feito no mercado financeiro sabe como é difícil colocar mais de mil pessoas ao vivo numa live. Então imagina colocar 7 mil pessoas ao mesmo tempo. Foi um sonho.

Além de agradecer quem participou ao vivo (ou que assistiu ao vídeo depois), gostaria de reforçar por que fazemos esse tipo de interação com o público.

Em primeiro lugar, a gente sempre se diverte muito. Por várias vezes eu preciso me conter para não cair na gargalhada com as piadas que as pessoas fazem no chat ao vivo.

Em segundo, é uma oportunidade MUITO mais real de interagir com quem nos acompanha e de poder identificar quais são as dúvidas mais importantes do momento.

Em terceiro, faz com que a nossa mensagem de educação financeira chegue muito mais longe.

Muita gente conheceu a Nord por meio das lives dos "Analistas Sem Censura" no canal do Infomoney ou da live semanal que vai ao ar toda  quinta-feira no canal do YouTube da Nord.

E uma das que fizeram mais sucesso, sem dúvida, foi a da compra ao vivo de Via Varejo há um ano (Trade do Dedo Gordo). Os espectadores adoram esse tipo de vídeo.

Recebemos centenas de mensagens de pessoas que não eram assinantes, mas que puderam conhecer melhor o nosso trabalho, entenderem como se constrói uma tese bem fundamentada antes de se recomendar uma ação e acabaram investindo em VVAR3 naquela altura.

De quebra, ainda ganharam um bom dinheiro, até mais do que os 215 por cento que eu ganhei.

Por isso entendemos que esse tipo de iniciativa é saudável.

Faz parte da nossa cultura como empresa abrir a nossa cozinha, mostrar um pouco do que fazemos dentro de casa e estabelecer essa relação de confiança com a audiência.

Por isso, sempre escolhemos uma ação de cada uma das carteiras recomendadas para ser a embaixadora da série.

Como Via Varejo saiu da carteira do Nord Small Caps na semana retrasada, tratamos de incluir Banrisul como a nova representante.

Durante a live de ontem, o Ricardo abriu o relatório de Banrisul e leu trechos ao vivo, para 7 mil pessoas.

Enquanto ele discorria sobre a tese, eu lia os comentários das pessoas agradecendo pela "aula". Muito provavelmente, para centenas ou milhares de pessoas, aquele era o primeiro contato com um relatório de análise.

É importante dizer que nenhuma das nossas recomendações deve ser encarada como um bilhete de loteria.

Banrisul é só uma recomendação dentro de uma carteira composta por 12 ações. A equipe de analistas do Ricardo faz um trabalho bastante profundo de monitoramento dessas empresas e atualiza os assinantes a cada informação relevante sobre as teses.

Eu acho esse serviço um grande diferencial para quem é assinante da série.

Por fim, reforço que em bolsa não existe essa coisa de "a grande tacada".

Equilíbrio, diversificação e paciência são fundamentais para se dar bem nessa jornada.

Se você quiser conhecer as demais recomendações da série Nord Small Caps, acesse este link e se inscreva.

Um abraço,



Em observância ao Artigo 22 da Instrução CVM nº 598/2018, a Nord Research esclarece que oferece produtos contendo recomendações de investimento pautadas por diferentes estratégias e/ou elaborados por diferentes Analistas. Dessa forma, é possível que um mesmo valor mobiliário encontre recomendações distintas em diferentes produtos por nós oferecidos. As indicações do presente Relatório de Análise, portanto, devem ser sempre consideradas no contexto da estratégia que o norteia.


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por Renato Breia
em 18/06/2020 para Nord Insights

Possui 15 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pela Link Corretora, Galleas Asset, Rico Corretora e foi sócio da Empiricus Research. Formou-se em economia pela PUC-SP, tem especialização em Gestão de Fortunas pela Columbia University e é Planejador Financeiro, CFP®.

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