História sem fim


De novo...

Nesta quinta-feira as tensões geopolíticas ocupam novamente o palco dos mercados. Tensões entre China e EUA são, mais uma vez, o principal tema, em meio a acusações de Trump a respeito da conduta de Pequim em relação à Coreia do Norte. Segundo o POTUS, chineses tentam usar o programa nuclear norte-coreano como fator para pressionar Washington.

No front europeu pesam, ainda, temores em torno do Brexit. Localmente repercutimos, ainda, nova pesquisa eleitoral que sugere fortalecimento do PT e a expectativa de julgamento, amanhã, do pedido de registro de candidatura de Lula.

Com esse enredo, Ibovespa futuro sugere retorno ao campo negativo. Dólar se valoriza não somente contra o Real, mas globalmente.


Que bom seria...

Trump é, defintivamente, um presidente ruidoso. A despeito da eterna percepção de riscos maiores do que vínhamos acostumados, há de se reconhecer que são igualmente retumbantes os resultados que estão sendo colhidos por lá.

PIB americano 2T revisado para 4,2 por cento, melhor desempenho em quatro anos. Para o terceiro trimestre, expectativa é de pelo menos 3 por cento. Pedidos de seguro-desemprego estão, em média, no menor nível desde 1969.

Imagine só se isso tudo viesse combinado com um tom mais ameno.

O Make America Great Again tem, contudo, um preço: o PCE, principal indicador de inflação monitorado pelo Copom gringo, acumula alta de 2,3 por cento - maior nível desde abril de 2012, puxado principalmente pelo consumo das famílias. Número tende a fortalecer as apostas de alta de juros por lá.

Em tempo: alívio nas cotas de importação de aço e alumínio do Brasil para os EUA é potencialmente positivo para CSN e, principalmente, Usiminas.

 

Teoria versus prática

Pesquisa fresquinha do DataPoder360 reforça o potencial de transferência de votos de Lula para Haddad, sagrando o petista no segundo turno contra Bolsonaro.

Indiscutível que não é o cenário dos sonhos do mercado, mas ninguém pode alegar surpresa.

Tudo indica que TSE analisará a o pedido de registro de candidatura de Lula amanhã, sexta-feira, em sessão extraordinária convocada para as 14h30. Horário eleitoral começa no sábado.

Aí sim veremos se a prática confirma a teoria.


PTBL: quem não constrói, reforma

A Cecrisa, fabricante de cerâmicas, comenta no Valor que “... a empresa tem aumentado as vendas por meio de investimentos em novos produtos, ganho de participação de mercado, mudança do mix e expansão das exportações.”

A estratégia é a mesmíssima da líder do setor, a Portobello (PTBL3).

A Cecrisa conseguiu, até o fim de julho, recuperar as vendas perdidas na greve dos caminhoneiros. A fabricante teve, inclusive, que fechar a fábrica por 1 semana.

E Cecrisa está com dificuldades para repassar o aumento do gás (principal insumo da PTBL) e do frete – dado o mercado ainda retraído.

Estamos na fila para conversar com PTBL mas, me parece, que a história será a mesma. Exatamente a mesma. Apesar de PTBL, claro, ser maior, mais rentável, mais bonita e possuir as ótimas Portobello Stores.

As notícias são positivas, para um setor ainda assolado pela crise. E PTBL mostrou que corte de custos e melhora de mix vai longe em seus resultados desde o início de 2017.

Altamente rentável e com estrutura de custos enxuta, a cerâmica Portobello deixa o Investidor de Valor com decoração de casa nova. Com o setor de construção na maior pindaíba da história, PTBL tem muito a construir.

Assuntos relacionados
Compartilhar este artigo
por Ricardo Schweitzer
em 30/08/2018 para Nord Insights

Possui 13 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se economista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Receba nosso conteúdo GRATUITO!