FJTA: Boa sorte, Barsi!

Eu já havia, àquela altura, dado o ano de 2018 por encerrado. Mas sempre - sempre - há espaço para uma surpresa final.

Eu já havia, àquela altura, dado o ano de 2018 por encerrado. Mas sempre - sempre - há espaço para uma surpresa final.

Luiz Barsi Filho - ao que me consta, o maior investidor individual de ações do país - adquiriu pouco mais de 10 por cento do total das ações preferenciais da Taurus.

Impossível não voltar no tempo: era julho de 2017 quando, pela primeira vez em muitos anos no mercado, me propus a emitir uma recomendação pública das ações da empresa. Estavam, à época, cotadas a R$1,71.

Amparava a tese o amplo processo de reestruturação operacional e financeira pelos quais passava a companhia, sob nova direção há cerca de 2 anos. Novos processos fabris, novos produtos em desenvolvimento e hercúleos esforços de reperfilamento de dívida - tudo ao mesmo tempo.

Muitos aspectos da tese persistem: mesmo com a dívida reestruturada, a companhia tem desafios relevantes no front financeiro que devem, dentre outras medidas, exigir a venda de ativos - o negócio de capacetes, minha principal aposta de alienação à época, já está oficialmente à venda.

Os novos produtos, com destaque para a linha de pistolas Spectrum, são cruciais para a recuperação da rentabilidade, com os Estados Unidos representando, de longe, o maior mercado da companhia.

Pois como é a vida: um ano e meio depois, minha tese tantas vezes desacreditada ganha a sanção de um investidor relevante. O ponto, agora, é que ao preço atual - as ações são cotadas a pouco mais de 4 reais -, quem não quer sou eu: entendo que, nesse patamar, grande parte dos benefícios da reestruturação já estão razoavelmente precificados e o risco não compensa.

Recomendei compra de FJTA4 a R$1,71 e venda aos R$5,60. 227 por cento de apreciação em aproximadamente 2 anos. Para mim, está mais do que bom e daqui não passo - não nos níveis de preço atuais.

É minha opinião. E respeito, imensamente, os que dela divergirem - a começar pelo Senhor Barsi, a quem desejo retumbante sucesso nessa empreitada.


Taurus é um excelente exemplo do tipo de oportunidade que estou constantemente à cata na série Valor Extremo: companhias deixadas de lado, seja em função de problemas pelos quais passaram, seja simplesmente em função de baixa visibilidade no mercado - FJTA se enquadrava perfeitamente em ambas as categorias.

Identificar oportunidades assim é um trabalho lento: desde o início da série, em agosto, são seis as recomendações em aberto. Não é muito, e os resultados demoram a aparecer. Mas hão de vir.

Estou otimista com 2019. Um melhor sentimento em relação à conjuntura econômica, aliado à valorização das ações da chamada "primeira linha" (mais líquidas e conhecidas) deve, finalmente, atrair novamente a atenção para as "renegadas". E é aqui que eu entro.

Não recomendo, sob hipótese alguma, que qualquer um se lance a investir em teses demasiado arriscadas sem antes ter um portfólio bem estruturado e razoavelmente diversificado - faça, antes, sua lição de casa com O Investidor de Valor ou o Nord Dividendos.

Mas, se estiver preparado para dar um passo a mais, estou pronto para dividir algumas dessas ideias por lá.

Em observância à ICVM 598, declaro que as recomendações constantes no presente relatório de análise refletem única e exclusivamente minhas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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por Ricardo Schweitzer
em 02/01/2019 para Nord Insights

Possui 12 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou Adviser Asset, Fundação CEEE, Sicredi Asset, Votorantim Corretora e Empiricus Research. Formou-se economista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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