Quer ganhar mais? Se ativa!


No meu livro Renda Fixa NÃO é Fixa!, expliquei como obter retornos de 20, 30 ou 50 por cento em um ano, apenas utilizando títulos do Tesouro Direto, mesmo com a Selic baixa.

Recebi muito feedback impressionado com essa forma diferente de operar esses ativos.

Hoje vou dividir com todos vocês leitores o principal conceito do livro, que é a chave para conseguir essa proeza.

Muita gente não conhece, mas existe uma forma de operar esses títulos sem ser o “compra e carrega até o vencimento” – essa, na verdade, é a pior forma de investir: o melhor título hoje pode não ser o melhor título amanhã, e carregá-lo até o vencimento só trará retornos inferiores.

A melhor forma de se investir é o que eu chamo de “gestão ativa”.

Gestão ativa é comprar o melhor título para o momento, e vendê-lo, possivelmente antes do vencimento, no momento em que o título não é mais o melhor.

Como assim?

O Tesouro Direto possui três tipos de títulos diferentes: os prefixados, os indexados à inflação e os pós-fixados.Cada um deles se comporta de uma maneira distinta.

Quando compramos um título no site do Tesouro Direto, temos uma taxa de compra, que será a rentabilidade que vamos obter se e somente se o carregarmos até o vencimento.

Se optarmos por vender o título antes do vencimento, o preço de venda sofrerá a marcação a mercado – isto é, será vendido pelo preço atual que um investidor consegue comprar este mesmo título no mercado hoje. A marcação a mercado pode fazer com que você consiga vender um título com um retorno muito maior (ou muito menor) do que o contratado.

Vamos ao exemplo para facilitar?

Imagine que você comprou em 2018 uma LTN com vencimento em 2023, a uma taxa de 7 por cento.

Como a LTN é um prefixado que não paga cupom, ela sempre irá valer 1.000 reais no vencimento. Então, trazendo esses mil a valor presente pela taxa de 7 por cento, por 5 anos, tenho:

1.000 / ( 1 + 0,07 ) ^ 5 = 712,98

Logo, vou pagar hoje por este título 712,98 reais.

Depois de 2 anos, rendendo 7 por cento ao ano, essa mesma LTN teria que valer:

712,98 x (1 + 0,07) ^ 2 = 816,29 reais.

Agora imagine que, depois de 2 anos, em 2020, a taxa do Tesouro Direto para a 2023 tenha caído para 6 por cento. Ou seja: quem quisesse, daqui a dois anos, comprar este mesmo título, receberia apenas 6 por cento ao ano caso o segurasse até o vencimento.

Fazendo a mesma conta de valor presente:

1.000 / (1 + 0,06) ^ 3 = 839,61

Assim, quem comprar a LTN 2023 lá na frente, terá que pagar 839,61 reais.

Mas e eu que já tinha o título?

Se eu quiser vender esse título antes do vencimento, eu vou vendê-lo pelo valor atual de mercado, diz-se que o título sofre marcação a mercado. Ou seja, vou vendê-lo por 839,61.

Note que 839,61 é mais do que os 816,29 que este título “deveria” valer se tivesse rendido 7 por cento ao ano, como já calculamos.

Isso significa que, por conta da marcação a mercado, o título me rendeu mais do que “deveria”!

Para calcular meu retorno basta eu dividir o PU final pelo inicial e anualizar:

( 839,61 / 712,98 ) ^ (1/2) -1 = 0,085

Logo, em 2 anos eu obtive uma rentabilidade de 8,5 por cento, ao invés dos apenas 7 por cento acordados!

Isso acontece apenas se eu vender o título antes do vencimento?

Sim! Pois se eu mantiver o título até o final ele vai render os 7 por cento; terá rendido 8,5 por cento em 2 anos, e depois terá caído para 6 por cento, dando 7 por cento de média.

Mas, se eu vender antes, além da rentabilidade maior, eu terei a chance de investir esse dinheiro em algum outro título que me permita render mais que 6 por cento ao ano!

Ao longo do ano passado, recomendei que meus assinantes (que tinham comprado LTN 2023 a taxas altíssimas em 2016) vendessem seus títulos e os trocassem por outro ativo. Lembro de ter recebido inúmeras perguntas do tipo:

“Mas Marília, eu comprei esse título a 16 por cento! Tem certeza que vale a pena vender? Se for recomprar outro título hoje, vi no Tesouro que só conseguiria uma taxa de 8 por cento. Por que eu trocaria um título que rende 16 por um que rende apenas 8? ”

A minha resposta era sempre a mesma: Porque agora você não rende mais 16 por cento! Seu título já foi reprecificado pela marcação a mercado, de forma que você já recebeu o benefício de ter comprado o título por uma taxa mais alta.Hoje você tem muito mais na conta do que seu investimento inicial carregado por 16. Em compensação, a partir de agora sua rentabilidade será os mesmos 8 por cento de todo o mercado.

Olhando essa resposta depois de ter feito as contas lá em cima, fica claro pra vocês o racional?

Espero que sim, e que tenha ficado simples entender o que é marcação a mercado e o que é gestão ativa.

Se você se utilizar de ambas essas estratégias, seus retornos podem ser gigantes, mesmo investindo em títulos supostamente “conservadores”.

Essa é a forma que todo grande gestor de multimercado opera renda fixa. E agora você pequeno investidor poderá se utilizar do mesmo segredo!!

Vamos juntos investir em renda fixa de uma forma que você nunca imaginou.

Afinal, A RENDA FIXA NÃO É FIXA!

Um grande abraço,

Compartilhar este artigo
por Marilia Fontes
em 17/05/2018 para A Dama de Aço

Possui 10 anos de experiência de mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pelas assets do Itaú, Mauá e Kondor, além de analista da renda fixa da Empiricus Research. Formou-se mestre em Economia pelo Insper.

Receba nosso conteúdo GRATUITO!