Mercado Chato


Tem épocas em que o mercado fica muito chato de operar. Essa é uma delas.

Temos grandes indefinições, tanto externas quanto internas. Claro que sempre temos indefinições, mas nem sempre elas são “game changer”, ou seja, têm potencial para mudar todo o cenário macroeconômico.

No front externo, temos a guerra comercial dos EUA com a China. Não sabemos onde isso vai dar, e se vai de fato haver uma mudança de tarifas e acordos ou se trata apenas uma marolinha retórica do novo líder mundial.

Mas o que sabemos é que, se um novo paradigma comercial for estabelecido, com redução do livre comércio e aumento de barreiras e tarifas, teremos um cenário de crescimento mundial mais fraco, onde os principais prejudicados serão os países emergentes. Não por outro motivo, o fluxo de investimentos está saindo de emergentes e voltando para as principais economias.

Enfim, essa é uma guerra...

Temos que ter isso em mente, mas é importante ter também a consciência de que o Brasil é um país exportador de commodities, não de manufaturas. Ou seja, ele tenderia a sofrer menos nesse cenário de guerra comercial.

No lado interno, temos as eleições. Elas são fonte de risco e instabilidade nos mercados, por motivos óbvios. O próximo presidente pode mudar toda a política econômica.

A princípio, o candidato com maior intenção de voto, Bolsonaro, está se apresentando com uma plataforma liberal, auxiliado por Paulo Guedes. A Marina está sendo auxiliada pela turminha liberal do Insper. Até aí, não me preocupo muito... Já o Ciro me parece, sim, constituir um risco maior de populismo a la Dilma.

Juntando todo este cenário, externo com possível guerra comercial, e chance de Ciro nas eleições, me dá vontade de não aumentar muito o risco do meu portfólio de investimentos. Afinal, esse não é o tipo de jogo que gosto de jogar.

O cenário binário é como jogar uma moeda pra cima, e não faço isso com o meu dinheiro.

Massssss...

No mercado, tudo tem um preço.

Apostar na Bolsa, com esse quadro, enquanto o Ibovespa está nos 85 mil é uma coisa.

Agora, a 75 mil, já são outros quinhentos: dá vontade de colocar um pezinho.

Na renda fixa, idem.

O CMN estabeleceu a meta de inflação de 2021 em 3,75 por cento. Apesar de eu achar essa possibilidade um grande otimismo, e altamente dependente da reforma da previdência, não pude desconsiderar o fato de os analistas mais ativos do Focus terem colocado suas previsões exatamente na meta para 2021.

Ou seja, o BC goza de alta credibilidade. E, se o cenário da meta de fato acontecer, os juros no Brasil não serão 11 por cento. Teria muita gordura nesses preços de mercado.

O câmbio também não me assusta mais: esses 3,85 já aguentam muito desaforo, ainda mais em um país com baixo déficit de conta corrente e reservas gigantescas como o nosso.

O que quero dizer aqui é que, apesar do mercado binário e caótico em que nos encontramos, estamos chegando em um nível de preços interessante, e diversas boas oportunidades estão aparecendo.

É hora de ficar de olho nelas! Pode ser o momento certo de tentar uma aposta.

Eu, Bruce e Ricardo estamos de olhos bem abertos! E prontos para dividir com vocês nossas descobertas.

Vamos juntos!

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por Marilia Fontes
em 02/08/2018 para A Dama de Aço

Possui 10 anos de experiência de mercado financeiro. Antes de fundar a Nord Research passou pelas assets do Itaú, Mauá e Kondor, além de analista da renda fixa da Empiricus Research. Formou-se mestre em Economia pelo Insper.

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